
Quem passa pela Avenida Istiklal, uma das mais movimentadas de Istambul, hoje tem a chance de conhecer de perto um dos edifícios mais peculiares da cidade: a Casa Botter, que, após décadas fechada, reabriu em 2023 como um centro cultural.
O local inclui galerias de exposição, áreas para levar seu laptop para trabalhar ao longo do dia e salas de reunião. E quem apenas está curioso e deseja conhecer por dentro também pode fazê-lo, já que a entrada é gratuita.
Vale a pena dar uma passadinha para ver de perto o edifício que também é um símbolo da pujança do Império Otomano em seus últimos dias antes do colapso: a Casa Botter abriu as portas apenas oito anos antes do último monarca absoluto do que hoje é a Turquia ser deposto – e foi encomendada por ele próprio.
A história da Casa Botter
Desde que esse prédio surgiu no coração de Istambul, ele parecia um tanto deslocado. Pudera: nem o nome, nem a arquitetura eram típicas do Império Otomano, que começava a dar seus últimos respiros quando a Casa Botter foi inaugurada, em 1901.
Aliás, o nome não é uma tradução: o termo “casa” é usado mesmo, como uma referência à palavra latina para uma residência. Já “Botter” é o sobrenome do alfaiate holandês Jean Botter, que prestava serviços para a Corte e ganhou o espaço para oferecer seus talentos aos endinheirados da alta sociedade da época.
Mas o prédio também é especial muito além do nome: projetado pelo arquiteto italiano Raimondo D’Aronco, foi o primeiro edifício em Art Nouveau do país. Refinado e tecnológico, também era apenas o segundo prédio de toda a Turquia a contar com um elevador, uma revolução que permitiu erguer estruturas cada vez mais altas no começo do século 20.
A Casa Botter foi encomendada pelo empregador original do alfaiate: Abdulamide II, último sultão otomano a governar com poderes absolutos. Um líder autoritário que acabou se tornando tão impopular que acabou precipitando a própria queda e a futura refundação do país. Ele era fascinado com a cultura da Europa Ocidental, e via obras do tipo como um caminho para “modernizar” a realidade otomana aos sabores do que considerava uma visão de mundo mais civilizada.
O renascimento do edifício
Após a derrubada de Abdulamide II, o Império Otomano viveu dias cada vez mais conturbados. Ferido de morte durante a Primeira Guerra Mundial, o país que traçava suas origens no século 13 acabou sendo refundado em 1922, com a abolição definitiva da nobreza e a proclamação da República da Turquia.
A Casa Botter, por sua vez, acompanhou o declínio, e chegou ao fim até antes: em 1917, Jean Botter e família foram embora para Paris e não voltaram mais. Nas décadas seguintes, o edifício ficou abandonado e se deteriorando, uma testemunha de um passado de riquezas e excessos que muitos turcos preferiam esquecer. Nem vidro nas janelas havia mais.
Até que, em 2021, o governo de Istambul decidiu iniciar um processo de restauração para preservar o patrimônio histórico. Dois anos mais tarde, renascia a Casa Botter em sua encarnação atual, com a tentativa de integrá-la à rotina cultural da cidade – e atrair turistas para o que por muito tempo foi um prédio dilapidado, apesar de sua história.
O prédio pode ser visitado diariamente (exceto às segundas-feiras), das 10h às 19h, entrada grátis.
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Fonte.:Viagen


