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30 de maio de 2026

Itália vence em gastronomia e história; veja pesquisa – 27/05/2026 – Turismo

Itália vence em gastronomia e história; veja pesquisa – 27/05/2026 – Turismo

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Não há como negar que o tempero italiano ajudou a moldar a identidade do paulistano. A partir da inauguração da Hospedaria dos Imigrantes, em 1888, entre 800 mil e 1 milhão de italianos registraram sua entrada em São Paulo.

Muitos se dirigiram às lavouras do interior do estado, mas uma parte considerável fincou raízes na capital, a ponto de mudar suas feições. De acordo com Geraldo Sesso Junior, autor de “Retalhos da Velha São Paulo”, entre 1886 e 1893, a população do Brás pulou de 6.000 habitantes para 32.387 —e o italiano chegou a ser mais falado do que o português na região central.

Fácil entender por que a Itália continua como a única vencedora da categoria melhor destino gastronômico no exterior. Macarrão, pizza e polenta estão em nossas mesas há cerca de 130 anos, o que desperta no paulistano uma curiosidade natural quando ele viaja de férias.

O país foi mencionado por 28% dos entrevistados das classes A e B que viajaram a lazer para fora do estado de São Paulo nos últimos 12 meses. Com este bicampeonato, a Itália segue invicta —no ano passado, estreia da categoria, o destino foi lembrado por 35% dos paulistanos.

Delegado da Accademia Italiana della Cucina em São Paulo, instituição cultural sem fins lucrativos com sede em Milão, o italiano Gerardo Landulfo é também diretor da Polvani Tours e um especialista nessa gostosa conexão.

“Os hábitos alimentares dos paulistanos são parecidos com o dos italianos, basta ver quantos restaurantes italianos e pizzarias funcionam na cidade. Como quase metade dos 12 milhões de habitantes da capital tem origem italiana, há também a questão afetiva, a lembrança dos pratos preparados pela nonna ou pela mamma”, avalia.

Acostumado a acompanhar turistas de São Paulo por seu país natal, ele diz que os roteiros vão muito além dos restaurantes, pizzarias e trattorias.

“Brasileiros gostam muito de conhecer a produção de queijos como o Parmigiano Reggiano, na Emilia-Romagna, ou de muçarela de búfala na Campania”, exemplifica. “Nas vinícolas, eles se surpreendem com os vinhos, vendidos por cerca de um quarto dos preços praticados em São Paulo. Os rótulos considerados caros na Itália ficam baratos para os brasileiros”, completa.

Reincidentes são comuns —gente que volta todos os anos e já traça roteiros que vão além das iguarias mais conhecidas.

Nesses casos, Landulfo sugere visitas à Sicilia, onde há grande concentração de vinícolas nas regiões de Marsala, Menfi e Etna; à Puglia, onde é possível provar a verdadeira burrata; ou a Marche e Umbria, regiões famosas por embutidos como o ciauscolo, tipo de salame leve e cremoso.

Não é só a comida e o vinho italianos que atraem o paulistano ao país da bota, como comprova o levantamento do Datafolha para o Viaja SP. A Itália também venceu na categoria melhor destino histórico no exterior, e mantém-se invicta, com cinco vitórias em cinco edições.

Este ano, foi citada espontaneamente por 16% dos moradores da capital paulista, conquistando a quinta vitória em cinco edições. Entre as mulheres, o índice chega a 20% —contra 13% dos homens.

Na mesma categoria, em segundo lugar ficou justamente a capital italiana, Roma, com 10%. Somados, país e capital ultrapassam um quarto da preferência dos entrevistados paulistanos.

Dados da Enit, agência nacional de turismo da Itália, mostram que o país recebeu 92,2 milhões de visitantes em 2025. Posts sobre a superlotação em sítios históricos, como o Coliseu, a Fontana de Trevi, a Torre de Pisa, a catedral de Milão e os canais de Veneza, são comuns nas redes sociais.

Brasileiros, contudo, contribuem pouco para as aglomerações —representamos 0,7% dos turistas que vão anualmente à Itália.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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