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29 de agosto de 2025

João Ferraz ensina carbonara em ‘Eu Cozinho, Tu Cozinhas’ – 28/08/2025 – Comida

João Ferraz ensina carbonara em ‘Eu Cozinho, Tu Cozinhas’ – 28/08/2025 – Comida

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O terceiro episódio da série “Eu Cozinho, Tu Cozinhas” é um marco importante: chegamos à metade dessa trajetória que impus a mim mesma como um desafio —sair da total ignorância culinária e subir pelo menos um degrau em direção à transformação em uma cozinheira.

E, a essa altura, tendo passado pelas duas primeiras provas, a de preparar um arroz, feijão e bife, depois um cuscuz marroquino com abobrinha e amêndoas e um frango na chapa, optei por uma massinha que vem a ser um dos meus pratos prediletos: uma carbonara.

Sim, no feminino, como aprendi com meu convidado, o historiador João Grinspum Ferraz, que se especializou nessa receita. Foi na cozinha dele que fizemos a massa, um prato de origem desconhecida. João, um pouco por paixão, um pouco por vocação profissional, estudou todas as versões que existem a respeito do surgimento dessa mistura de ingredientes e de sua maneira de preparo.

Considerado um prato de gente humilde da Itália, chegou até João por meio de uma das pessoas mais interessantes da história do Brasil: a arquiteta, intelectual, designer e cenógrafa italiana Lina Bo Bardi (1914-1992), sua madrinha. Como se essa grife não bastasse, a receita que Lina escreveu à mão para Ferraz foi a que ela aprendeu com o cineasta italiano Roberto Rossellini (1906-1977), considerado o pai do neorrealismo italiano.

Não era um caminho fácil para seguir, mas lá fui eu, com a receita estudada, de avental na cintura e vontade de aprender. Agora começaram a aparecer nos preparos das comidas alguns obstáculos que eu sabia que seriam problemáticos para mim: carnes de bichos fofos.

Nunca consegui comer carne de porco, acho porco a coisa mais bonitinha. E confesso que também adoro galos, galinhas, pintinhos, mas quando vão para o prato com o nome de frango, não faço a associação tão imediata.

Cozinhar pratos salgados, comida de verdade, enfim, coisas que não bolo, pudim, biscoito, tem esse drama extra para mim: carnes cruas. Tenho certeza que não sou a única que tem aflição de ver, sentir o cheiro, perceber o sangue na carne. Botar a mão, então, nem se fala. Foi um ato de coragem.

Outro momento tenso foi a separação da gema e da clara, usando a técnica que o João me ensinou, de quebrar o ovo e botar todo na palma da mão, aí abrir um espaço entre os dedos pelos quais só passa a clara, deixando a gema separada. Não foi nada agradável, confesso, e talvez eu nunca mais repita. Mas minha carbonara vai sair gostosa, seja do jeito que for.

Não preciso superar todas as minhas aflições, afinal a ideia do “Eu Cozinho, Tu Cozinhas” nunca foi fazer desse aprendizado uma terapia, e, sim, de me tirar da nota zero de culinária e me levar à nota sete. Oito, vai, que sem ambição também não se chega a lugar algum. Tenho mais três episódios para alcançar esse objetivo.



Fonte.:Folha de São Paulo

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