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7 de abril de 2026

John Lydon, ex-Sex Pistols, traz sua banda PiL para show – 07/04/2026 – Ilustrada

John Lydon, ex-Sex Pistols, traz sua banda PiL para show – 07/04/2026 – Ilustrada

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Nos seus anos explosivos, ele bradava ser um anarquista e gritou para Deus salvar a rainha da Inglaterra porque ela não era um ser humano. Décadas mais tarde, longe do seu Reino Unido natal e vivendo nos Estados Unidos, afirmou que votaria em Donald Trump —embora não gostasse do republicano— porque Joe Biden seria incapaz de governar o país.

Polêmica e confronto são partes indissociáveis da vida de John Lydon, tanto no palco quanto fora dele. Ex-vocalista e um dos fundadores do Sex Pistols, uma das bandas que definiu a estética e a sonoridade do punk na Inglaterra dos anos 1970, Johnny Rotten, ou Joãozinho Podre, como era conhecido, ajudou a criar algumas das músicas mais conhecidas da história do rock.

Não bastasse, depois de abandonar o Sex Pistols Lydon refez a sua personalidade artística ao abraçar uma sonoridade distante da agressividade punk que o consagrou. No final dos anos 1970, ele fundou o Public Image Ltd., grupo fundamental na história do pós-punk da década seguinte e que, no decorrer de sua longa carreira, também se aventurou por gêneros como o krautrock, o pop dançante, o dub e o rock alternativo.

Nesta quarta-feira, o PiL, como é conhecido, traz a sua exploração musical sem limites para uma apresentação única em São Paulo, no Cine Joia, como parte da turnê “This is Not the Lat Tour”, esta não é a última turnê, que começou no ano passado em Bristol, no Reino Unido. No repertório, estarão clássicos como “Rise”, “Annalisa”, “This is Not a Love Song”, “Death Disco” e canções do último disco da banda, “End of World”, lançado há três anos. Não há músicas dos Sex Pistols.

“O PiL parece atender a todas as raças, credos, identidades, gêneros, uma mistura heterogênea de pessoas curiosas, desde professores universitários no fundo até garotas gritando na frente, e tudo o que você pode imaginar entre esses extremos”, disse Lydon ao jornal Financial Times, acrescentando que cresceu numa região pobre de Londres ouvindo os discos comprados por seus pais.

Enquanto ska e músicas folclórica da Turquia e da Grécia eram parte da trilha sonora de sua vizinhança, em casa ele rodava na vitrola The Beatles e The Kinks. No Sex Pistols, já adolescente, emprestou sua voz a canções de guitarras rasgadas. Com a banda, emplacou um álbum no topo da parada britânica, “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols”, e chegou ao segundo lugar com o single “God Save the Queen”, que teve a sua execução banida de algumas rádios por causa dos versos críticos à monarquia.

“Eu aterrorizei uma nação inteira. Nada mal para um cara de 18 anos”, disse ele ao Financial Times, em referência ao seu período no Sex Pistols, que é definitivamente coisa do passado. Ele não participou da reunião da banda e chamou a atual formação do Sex Pistols, com Frank Carter nos vocais, de “karaokê”, numa entrevista recente à revista de música britânica NME.

Antes de completar três anos de existência, o Sex Pistols implodiu, em 1978. Logo em seguida, Lydon fundou o PiL, conjunto que sempre teve integrantes rotativos e espírito de exploração sonora. Embora em seu primeiro álbum na nova banda algo da sonoridade abrasiva de seu antigo grupo punk persistisse, isto foi quebrado no segundo disco, “Metal Box”, tido como uma obra central do pós-punk.

Lançado em 1979, o disco levou o rock para frente ao abandonar as estruturas corriqueiras das canções e adotar linhas de baixo influenciadas pelo dub e guitarras de sonoridade metálica, numa ousadia sonora vanguardista para a época que gerou pérolas como “Poptones” e “Death Disco”, esta uma faixa sobre a perda da mãe de Lydon para o câncer.

Anos mais tarde, o sucesso comercial chegou com a obra “Album”, que inclui o hit “Rise”, do conhecido verso “anger is an energy”, ou a raiva é uma energia. O álbum de 1986 abraça um rock mais tradicional e contou com uma seleção de famosos convidados, como o guitarrista virtuose Steve Vai e o pianista japonês Ryuichi Sakamoto.

No show em São Paulo, além de Lydon, o PiL conta com Lu Edmonds —ex-guitarrista da banda punk The Damned—, que toca guitarra, teclados, sax e banjo, Scott Firth, no baixo, teclados e backing vocals, e Mark Roberts, a cargo da bateria. É uma chance única de ver a banda, dado que o vocalista indicou que talvez não saísse mais em turnê com o grupo depois da morte de sua mulher, Nora, em 2023.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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