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25 de fevereiro de 2026

Jornalista aposentada combate machismo no site da Folha – 25/02/2026 – Painel do Leitor

Jornalista aposentada combate machismo no site da Folha – 25/02/2026 – Painel do Leitor

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Após passar anos em redações de jornal, escrevendo sobre política e notícias internacionais, Leonilda Pereira Simões, 66, de Florianópolis (SC), viu os papéis se inverterem na última década. Ela agora é figurinha recorrente na caixa de comentários das notícias da Folha, com mais de 9 mil interações com reportagens e colunas.

Não é raro encontrar um comentário da jornalista aposentada no noticiário político, mas é nas matérias nas matérias sobre feminicídio, machismo e misoginia em que ela realmente marca presença. Ainda no primeiro dia de 2026, em uma coluna de Djamila Ribeiro sobre a morte de uma mulher durante as festas de fim de ano, escreveu: “As mulheres têm de lutar pelas suas vidas. Precisam pensar muito antes de entrar em relacionamento, namorar homens violentos.”

Leonilda diz que acha importante deixar sua opinião registrada como contraponto aos comentários que costuma encontrar nessas matérias: “Parece que um lado evolui e o outro não, e a situação vai piorando, tem muito homem matando mulheres.”

Ao ser perguntada se vê a si mesma como feminista, ela responde que sim: “Inclusive, considero um elogio. Se você não se posiciona, você age contra você mesma. O governo, a polícia têm que fazer mais. Se ninguém fala, só homens, parece que nós mulheres não nos importamos”.

Apesar de já ser assinante da Folha e usar o espaço dos comentários há mais de oito anos, diz que foi durante o governo de Jair Bolsonaro e a pandemia que aumentou a frequência das interações, e até hoje costuma lembrar desse período em seus comentários: “É uma coisa muito séria, mais de 700 mil pessoas morreram por posturas erráticas e erradas, as pessoas não podem esquecer disso, o governo tem que ser lembrado, responsabilizado. As pessoas esquecem muito rápido, elas têm que pensar duas vezes sobre eleger esse grupo novamente.”

Formada em jornalismo nos anos 1980, Leonilda passou por veículos como o jornal Estado de S. Paulo e a revista Época. Durante esse período, participou da cobertura de momentos como o atentado às Torres Gêmeas a Guerra do Iraque. Quando decidiu sair das redações, migrou para o setor editorial. Nessa nova fase, sempre envolvida em projetos educacionais, passou por editoras como Moderna e FTD participando do desenvolvimento de materiais para o PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático).

Justamente por essa ligação com a área da educação, também costuma emitir sua opinião sobre o assunto. Em uma coluna de Txai Suruí sobre o fim de aulas de leitura para indígenas, a ex-jornalista escreveu: “Difícil demais entender por que alguém suspenderia aulas de leitura. Provavelmente quem detesta livros, só pode ser. Por pior que a pessoa seja, educação é básico no trabalho do suposto governador.”

Leonilda segue interessada por notícias. Sempre buscando se manter atualizada e informada, a aposentada acompanha jornais na TV, no rádio, e no site da Folha. Seus comentários costumam aparecer mais em matérias do noticiário principal do dia, mas ela também diz gostar de ler o que alguns colunistas, como Djamila Ribeiro, Ruy Castro e Tostão, escrevem.

Sobre esse espaço dedicado para o leitor emitir suas opiniões, ela explica a relevância que vê na ferramenta: “Tem opiniões variadas, de quem está de fora da Folha. É um espaço importante para quem quer se informar, ouvir o que outras pessoas têm a dizer.”



Fonte.:Folha de S.Paulo

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