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20 de janeiro de 2026

La Mamounia: hotel centenário de luxo em Marrakech – 20/01/2026 – Turismo

La Mamounia: hotel centenário de luxo em Marrakech – 20/01/2026 – Turismo

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Na margem do deserto, do qual se protege pela barreira da cordilheira do Atlas, no norte da África, Marrakech é das cidades mais emblemáticas do Marrocos. No clima seco, sol intenso (mesmo no outono, quando estive lá), é um oásis. Com origem em mil anos de história derivada dos povos berberes e árabes.

Oásis arborizado, alimentado pelas águas do degelo do Atlas. E com um hotel que espelha este oásis, o multipremiado La Mamounia. Emblemático, joia da coroa da monarquia marroquina (ele é tocado por uma empresa estatal), ao completar cem anos em 2023 a queima de fogos comemorativa atraiu uma multidão.

Não por acaso a beleza e elegância do hotel levaram a estelionatária Anna Delwey, inspirada em fatos reais na série “Inventando Anna”, a passar ali todo o episódio seis. Já sem meios de ostentar a inventada opulência na noite marroquina, ela se recusa a sair com as amigas alegando: “temos tudo aqui, para quê sair do hotel”?

E tem mesmo spa, jardins, piscinas magníficas, bares e restaurantes; só não tem a decantada vida noturna de Marrakech. E tampouco, a caótica efervescência da Medina, a poucos passos dali: é a cidade velha, preservada pela Unesco, centro histórico murado com seus mercados, mascates, pechinchas, comidinhas, encantadores de serpentes, mas também butiques e restaurantes caros, museus e a maior mesquita da cidade, a Koutoubia.

Mas o hotel fica num lugar muito especial, o imenso jardim de oito hectares que o príncipe Al Mamoun ganhou do pai no século 18. A propriedade, com vegetação frondosa, dominada por figueiras, palmeiras, oliveiras, frutas cítricas, viraria hotel dois séculos depois, durante a ocupação francesa do país.

A construção, como em toda a cidade, é baixa —nada pode ofuscar a vista das torres das mesquitas, da copa das palmeiras, dos picos do Atlas.

Centenário, exibindo milhares de lindas portas e tetos de madeira pintada à mão, o La Mamounia, oásis no oásis, é uma encruzilhada de caravanas de várias nacionalidades –inclusive muitos brasileiros. São mais de oito mil hóspedes por mês, nos 209 quartos e suítes (incluindo três casas separadas, os riads), atendidos por 800 funcionários.

Os restaurantes dão uma volta ao mundo –e atraem entre 500 e 600 clientes por dia (incluindo de fora), com um time de 130 pessoas nas cozinhas.

O maior e mais concorrido é o Le Marocain, de cozinha local, e que atrai muitos visitantes de fora. O prato mais emblemático, segundo o veterano chef Rachid Agouray, é o tagine, condimentado com especiarias como cominho, gengibre e açafrão, preparado e servido na panela de barro de mesmo nome. Ele pode ser de carnes, vegetais, ou ainda numa criação da casa, com lagosta do Atlântico.

Há também restaurantes de culinárias internacionais. É o caso do Majorelle, assinado pelo francês Pierre Hermé, com suas famosas sobremesas e pratos leves; do L’Asiatique, com a consultoria do chef Jean-Georges Vongerichten e cardápio oriental; e do L’Italien, de Simone Zanoni.

Mas se, ao contrário da Anna da série, você se aventurar pelas multidões na medina, pode experimentar comida típica —na rua, ou em restaurantes como o rooftop L’Mida (hommus, kafta, michoui de cordeiro, cuscus vegetariano).

Pode ser um intervalo nas compras pelos labirintos do mercado, com sua cacofonia de estilos islâmicos, berberes e andaluzes, e milhares de pedestres, bicicletas, motos, charretes e mulas. Vai encontrar de tâmaras carnudas a pétalas para o chá de rosas, de tecidos arrematados pelos costureiros (todos homens) a ourivesaria, louças, artesanato, cosméticos de argan e figo-da-índia.

A regra é sempre pechinchar, faz parte do ritual. A não ser nas lojas mais chiques, que chegam a ter cartazes avisando que o preço mostrado nas prateleiras é de verdade.

La Mamounia – Avenue Bad Jdid, Marrakech, Marrocos. www.mamounia.com

O jornalista viajou a Marrakech a convite do hotel La Mamounia.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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