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9 de janeiro de 2026

Mais carne, menos arroz: as contradições da nova pirâmide alimentar dos EUA

Mais carne, menos arroz: as contradições da nova pirâmide alimentar dos EUA

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Publicada na última quarta-feira (7), e intitulada de Dietary Guidelines for Americans 2025–2030, o documento chama atenção já na capa, que traz uma pirâmide alimentar invertida. Nela, carnes, queijos e leite passam a ocupar o mesmo patamar de verduras, legumes e frutas, enquanto o consumo de carboidratos é reduzido.

A mensagem é simples: coma comida de verdade”, afirma o texto de apresentação da diretriz.

Mas, na prática, o que mudou em relação à versão anterior? E até que ponto as novas recomendações estão alinhadas (ou entram em conflito) com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Guia Alimentar para a População Brasileira? É o que você confere a seguir.

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De forma geral, o maior avanço desse documento é em relação aos alimentos ultraprocessados. Apesar dele não mencionar exatamente esse termo (eles usam altamente processado no lugar de ultraprocessado), há o posicionamento veementemente contra o consumo, assim como o nosso Guia Alimentar.

Mas, levando em conta os estudos mais modernos, a diretriz não está totalmente alinhada.

A começar pela recomendação de proteínas: “Não há evidência robusta que toda a população precise consumir 1.6g por quilo de peso diariamente“, aponta a nutricionista Lara Natacci, PhD pela Universidade de São Paulo (USP) e colunista de Veja Saúde.

“Na prática clínica, a gente tem que individualizar uma ingestão proteica alta, e considerar o nível de atividade, estado metabólico, função renal, ingestão de fibras e a qualidade global da dieta”, explica a especialista.

Segundo a orientação alimentar da OMS, a ingestão geral deve ser de 0,8g de proteína por quilo de peso. Recomendações entre 1g-2g vão para necessidades específicas, como hipertrofia ou menopausa (para tentar combater a sarcopenia) aliada a exercícios regulares.

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Aplicar isso à saúde pública pode ser perigoso. O alto consumo de proteína animal em pessoas sedentárias tem sido associado ao risco de aumento de doenças crônicas e não está de acordo com evidências que prezam por longevidade.

Também merece atenção o destaque dado à carne como principal (ou “melhor”) fonte de proteínas. Tanto a OMS quanto o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomendam limitar o consumo de carne vermelha a, no máximo, 500 gramas por semana. A orientação se baseia em evidências robustas que associam a ingestão excessiva desse alimento a um maior risco de câncer colorretal.

Além disso, fontes vegetais de proteína, como soja e seus derivados (edamame e tofu), feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha, são apontadas como mais vantajosas. Ricas em fibras e pobres em gorduras saturadas, elas estão associadas à redução do risco cardiovascular. Por isso, devem predominar em padrões alimentares voltados à promoção da saúde.

Aliás, a permissividade quanto às gorduras saturadas na diretriz também é um ponto negativo. Apesar de manter a meta de 10% na dieta, a Associação Americana do Coração, em nota, pontuou receios:

“Estamos preocupados com o fato de que as recomendações sobre o uso de sal para temperar e o consumo de carne vermelha possam, inadvertidamente, levar os consumidores a exceder os limites recomendados para sódio e gorduras saturadas, que são os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares”, afirma a Associação.

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E ela também vai contra a recomendação de laticínios integrais, reforçando que a entidade incentiva o consumo de laticínios com baixo teor de gordura ou sem gordura, que são mais benéficos para a saúde cardiovascular.

“Essa diretriz não invalida o equilíbrio alimentar, e, na prática clínica, nosso caminho segue sendo menos produtos refinados, mais legumes, verduras e frutas, e todas as decisões sendo guiadas pelo perfil individual de cada paciente”, aponta Natacci.

Entre vantagens e desvantagens, para nós, brasileiros, ainda vale mais a pena seguir o nosso Guia Alimentar, referência mundial em alimentação saudável.

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Fonte.:Saúde Abril

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