12:23 AM
3 de abril de 2026

Manduque tem massas de excelência e preço acessível – 02/04/2026 – Restaurantes

Manduque tem massas de excelência e preço acessível – 02/04/2026 – Restaurantes

PUBLICIDADE


CRÍTICA | SP

Manduque Massas e Maçãs

Quatro estrelas (Ótimo)

R. Pedro Cristi, 89, Pinheiros, região oeste. @manduque.massas

Poucos restaurantes italianos de São Paulo servem pratos de massa com a qualidade dessa casa despretensiosa, acomodada discretamente dentro do Mercado de Pinheiros. Das que servem, será difícil encontrar opções com valores tão em conta quanto lá.



Raviolo do restaurante Manduque


Priscila Pastre/Folhapress

Pela entrada da rua Pedro Cristi, logo se vê a cozinha do Manduque Massas e Maçãs por um vidro. Ao lado dela, uma vitrine exibe belas massas frescas e recheadas. Organizadas como pequenas joias, elas convidam a uma parada mais atenta. E aí você descobre que o lugar, que num primeiro momento parece só uma rotisseria, tem algumas poucas mesas onde é possível almoçar.

Eu já sabia disso porque fui por indicação de um amigo. Não de qualquer um. Mas o responsável por este espaço da crítica antes de mim. Nem preciso dizer que o Daniel Buarque conhece muito de comida. E quando ele disse: “Você conhece o Manduque? Fui lá e fiquei encantado. Massas frescas muito boas em torno de R$ 70”, coloquei imediatamente na lista dos lugares a visitar.

Ao abrir o cardápio, algumas surpresas. A primeira foi constatar pratos com valores ainda mais amigáveis —que, descobri depois, também são bem servidos. Caso do linguini pomodoro (R$ 52) e do tortelloni recheado de muçarela de búfala (R$ 55).

A segunda foi encontrar receitas autorais com sutilezas que fizeram da minha refeição de meio de semana um almoço especial. Um dos pratos que sinalizam isso é o caramelle, massa recheada com queijo de cabra e maçãs cozidas no hidromel, finalizada na manteiga tostada. Parece uma bala comprida, torcidinha nas pontas formando pequenos babados nas laterais (R$ 64). Um mimo.

Como não resisto a uma gema mole, comecei com a entrada de raviolo (R$ 32). Massa recheada com ela (a gema), ricota e espinafre, passada na manteiga tostada. Quando senti o cheiro do azeite de trufas, achei que me arrependeria. É comum encontrar azeites aromatizados artificialmente que deixam aquele gosto de gás na boca. Mas, ao provar, senti que não era o caso. Perguntei sobre isso e me informaram a marca que usam na casa. De fato, uma das poucas que faz infusão com trufas de verdade. Ainda assim, a cozinha poderia apostar menos no azeite (que deixa um sabor bem marcado) e mais na manteiga tostada.

De principal, pedi o pappardelle de camarão (R$ 82). Junto à massa, saborosa e delicada, os crustáceos aparecem de duas formas: macios e firmes, resultado de um cozimento adequado, e no molho de manteiga, no qual são infusionados depois de tostados.

A única sobremesa, uma torta de maçã com sorvete (R$ 35), dá tranquilamente para duas pessoas. Cozida em suco de laranja com canela, a fruta cortada em lâminas é disposta sob um crumble de noz-pecã. Difícil resistir, mesmo quando você já está satisfeito e comendo sozinho.

A pracinha onde me sentei estava tomada pelo aroma dos queijos, especiarias e embutidos vendidos no mercado. Para mim, parte do passeio. Para quem se incomoda, é melhor ficar numa mesa dentro do restaurante.

Antes de sair, parei em frente à vitrine para comprar massa fresca e levar para casa. Aproveitei para observar a cozinha, comandada pela chef Mari Adania. Ela é sócia de Ana Paula Sater, sobrenome que rende uma boa pista sobre a origem do nome da casa e faz você sair de lá cantando: “Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs”.





Fonte.:Folha de São Paulo

Leia mais

Rolar para cima