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Introdução
Dr. Maurício Hirata desmistifica chás para esteatose hepática. A gordura no fígado, comum globalmente, não se resolve com soluções naturais. O caminho eficaz é a ciência: mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, e acompanhamento médico são cruciais para a saúde hepática. Descubra o que realmente funciona.
- Chás não possuem evidência científica consistente para reduzir a gordura no fígado.
- O fígado é um órgão que se “desintoxica” naturalmente e não precisa de auxílio de chás.
- A perda de 7% a 10% do peso corporal é cientificamente comprovada para reduzir a esteatose hepática.
- Mudanças no estilo de vida, como dieta equilibrada e 150 minutos de atividade física semanal, são as abordagens mais eficazes.
- O acompanhamento médico é fundamental para o diagnóstico correto e para evitar a progressão para quadros mais graves, como fibrose ou cirrose.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, é hoje uma das alterações metabólicas mais comuns no mundo. Estima-se que cerca de 25% da população adulta global tenha algum grau da condição, segundo dados publicados em revistas científicas internacionais.
No Brasil, o cenário acompanha essa tendência, impulsionado pelo aumento da obesidade, do sedentarismo e do diabetes tipo 2.
Diante desse cenário, muitas pessoas recorrem a soluções naturais divulgadas na internet, especialmente chás que prometem “desintoxicar” o fígado ou eliminar gordura acumulada. É importante esclarecer de forma direta: não há evidência científica consistente de que qualquer chá seja capaz de reduzir a gordura hepática de maneira eficaz.
O fígado não precisa de detox
O fígado é, por natureza, um órgão responsável pela metabolização de substâncias e pela desintoxicação do organismo. Ele não acumula “toxinas” que precisem ser eliminadas por chás ou misturas caseiras. Quando há gordura no fígado, o problema está relacionado principalmente à resistência à insulina, ao excesso de peso, ao consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e à inatividade física.
Algumas plantas podem ter efeito antioxidante ou digestivo leve, mas isso não se traduz em redução comprovada da esteatose. Em alguns casos, o uso indiscriminado de ervas pode até causar lesão no fígado, especialmente quando consumidas em grandes quantidades ou associadas a outros medicamentos.
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O que realmente funciona contra a esteatose hepática
A abordagem com respaldo científico é clara: mudança no estilo de vida. Estudos mostram que a perda de 7% a 10% do peso corporal pode reduzir significativamente a gordura no fígado e até melhorar quadros inflamatórios mais avançados, como a esteato-hepatite.
A alimentação deve priorizar vegetais, frutas, proteínas magras, grãos integrais e gorduras boas, com redução de açúcar, refrigerantes e alimentos ultraprocessados. A prática regular de atividade física, pelo menos 150 minutos por semana, melhora a sensibilidade à insulina e contribui para a redução da gordura hepática, mesmo antes de grandes perdas de peso.
Em alguns casos, quando há associação com diabetes, obesidade importante ou risco cardiovascular elevado, medicamentos podem ser indicados. Essa decisão, no entanto, é individualizada e depende de avaliação clínica detalhada.
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Quando investigar a gordura no fígado mais profundamente
Nem toda gordura no fígado evolui da mesma forma. A maioria das pessoas permanece estável, mas uma parcela pode desenvolver inflamação e, em casos mais graves, fibrose ou cirrose. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental, com exames laboratoriais e, quando necessário, avaliação por imagem.
Buscar soluções rápidas pode atrasar o tratamento correto. Chá não substitui reeducação alimentar nem atividade física. O fígado responde a hábitos consistentes e sustentáveis, não a fórmulas milagrosas.
Cuidar da saúde hepática é investir em equilíbrio metabólico. Informação correta é o primeiro passo para evitar frustrações e proteger um dos órgãos mais importantes do corpo.
*Maurício Yagui Hirata é endocrinologista, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e Sírio Libanês, membro da Endocrine Society, European Society of Endocrinology e American Association of Clinical Endocrinology. Head Nacional de Endrocrinologia da Brazil Health.
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

Fonte.:Saúde Abril


