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21 de janeiro de 2026

Médico que matou colegas após discussão diz que foi a restaurante levando arma na bolsa

Médico que matou colegas após discussão diz que foi a restaurante levando arma na bolsa

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O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, preso após matar a tiros dois outros médicos em um restaurante de Alphaville, afirmou à polícia que levou a arma em uma bolsa sem saber que encontraria as vítimas. Segundo o depoimento, ele só teria sacado a pistola depois de uma discussão, ao acreditar que uma das vítimas estava acompanhada por seguranças.

Azevedo Filho foi preso em flagrante pelo assassinato dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinícius dos Santos Oliveira, de 35, na noite de sexta-feira, 16, em Alphaville, no município de Barueri, na Grande São Paulo. Após passar por audiência de custódia, a Justiça decretou sua prisão preventiva. A reportagem tenta contato com a defesa do acusado; o espaço permanece aberto para manifestação.

Rivalidade profissional

O autor dos disparos prestou depoimento na tarde de segunda-feira, 20, ao delegado Andreas Schiffman, responsável pelo inquérito. Segundo a polícia, o conflito teve origem em uma disputa por licitações e contratos de serviços médicos.

“Carlos Alberto trabalhou na empresa de serviços médicos de Luís Roberto. Depois decidiu abrir a própria empresa e eles passaram a ser concorrentes, o que gerou uma rivalidade”, afirmou o delegado.

De acordo com o depoimento, Azevedo Filho disse que não sabia que os dois médicos estavam no restaurante. Ele relatou que só percebeu a presença de Luís Roberto quando se levantou para ir ao banheiro e resolveu cumprimentá-lo. Nesse momento, segundo sua versão, teria sido confrontado com a acusação de estar atrapalhando os negócios da vítima.

Ainda conforme o relato, houve uma discussão, durante a qual Azevedo Filho teria dado um tapa em Luís Roberto, provocando a reação de Vinícius, que o acompanhava. O acusado afirmou não conhecer Vinícius. Funcionários do restaurante intervieram, e ele retornou à mesa. Guardas municipais, acionados por suspeita de alguém armado no local, fizeram uma revista, mas não encontraram a arma.

Azevedo Filho declarou que, ao ver Luís Roberto deixar o restaurante acompanhado de duas pessoas, acreditou que se tratavam de seguranças e que corria risco. Nesse momento, pegou a pistola que estava na bolsa e efetuou os disparos.

Mulher nega participação

O delegado também ouviu a mulher que teria passado a bolsa com a arma ao médico. Com identidade preservada, ela afirmou que não presenciou a discussão, pois permaneceu sentada à mesa e sem visão do ocorrido.

Segundo o depoimento, quando os guardas abordaram o médico, ela pegou sua própria bolsa e a dele para deixar o local. Foi nesse momento que Azevedo Filho teria retirado a arma e seguido as vítimas. Para a polícia, as declarações dela, até agora, são compatíveis com os fatos, mas ainda dependem da análise de imagens internas do restaurante e do depoimento de outras testemunhas.

De acordo com Schiffman, até o momento não há indícios de que o crime tenha sido premeditado. “Tudo indica que foi um encontro ocasional que evoluiu para um desfecho trágico”, afirmou.

Dez disparos

Luís Roberto, cardiologista que atuava em um hospital público de Barueri, foi atingido por oito tiros. Vinícius, que trabalhava em unidades de saúde de Cotia, foi baleado duas vezes. Ambos chegaram a ser socorridos, mas morreram no pronto-socorro.

O acusado afirmou ser CAC, colecionador, atirador e caçador, e disse que a arma estava regular, informação que ainda será confirmada junto ao Exército. A pistola foi apreendida e passará por perícia. Também foram recolhidas as cápsulas, uma bolsa e cerca de R$ 16 mil em dinheiro.

A investigação aponta ainda que Azevedo Filho já havia sido preso anteriormente, em Aracaju, por ameaça e racismo, e estava em liberdade condicional. Ele deve responder por duplo homicídio doloso, com agravantes de motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas.

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Fonte. .Noticias ao Minuto

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