São Paulo
Crítica | SP
Shuk
Quatro estrelas (Muito bom)
R. Girassol, 625, Vila Madalena, região oeste; @shuk.sp
Uma visita ao Shuk, especializado na comida de rua do Oriente Médio, pode soar como uma parada para petiscar ou comer um lanche rápido. Mas pode render também um ótimo almoço.
Os sabores não lembram somente os passeios pelos souks, os grandes mercados que serviram de inspiração para o nome da casa. Para quem conhece países como Jordânia e Síria, eles podem remeter a refeições em restaurantes fora do circuito turístico, casas de família e até aventuras gastronômicas no deserto.

Merguez a cavalo do Shuk
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Priscila Pastre/Folhapress
Mas não é preciso já ter estado naquela parte do mundo para apreciar a comida. Deparar-se com preparos árabes, turcos, persas e israelenses convivendo num mesmo lugar (por vezes juntos e misturados num mesmo prato) rende uma viagem por si só.
Fui com duas pessoas que não tinham familiaridade com essa culinária à casa da Vila Madalena —há outra unidade em Pinheiros, com cardápio diferente. Até por conta dessa iniciação, achamos melhor apostar nas opções do enxuto menu-executivo, servidos de segunda a sexta. As descrições dos pratos indicavam um caminho seguro.
O que poderia ter de tão diferente num prato de arroz com linguiça, saladinha e ovo frito, afinal? Bem, muitas coisas, como provou o merguez a cavalo (R$ 65). Começando pelo arroz, uma receita libanesa que combina o basmati arisoni (massa de sêmola de trigo) na manteiga, lâminas de amêndoas, dill e uvas passas brancas. Rico em contrastes, acompanhou muito bem a linguiça de cordeiro que veio em cima. Suculenta e condimentada na medida, ela agregou uma ligeira picância ao conjunto. Para coroar, um ovo frito de gema mole. A salada do dia vem numa pequena porção, e na ocasião era tabule.
Outra opção que provamos foi a de churrasco (R$ 64), também acompanhada de arroz e salada do dia. É o cliente quem escolhe o espetinho, que pode ser de carne vermelha ou de frango. Pedimos o segundo. Novamente, o que aparentava ter um sabor conhecido revelou outras nuances na boca. A harissa, uma pasta do Norte de África feita com pimentão vermelho, pimentas e especiarias, rendeu um toque a mais de defumação e uma discreta picância ao frango. Ele estava tão macio que perguntei como tinha sido preparado. Explicaram que ele fica 48 horas numa marinada de iogurte e especiarias.
Mais em conta são as opções de almoço sem o arroz do dia. O prato com homus, pão pita, saladinha e um dos espetos sai por R$ 59. Mesmo valor para quem prefere substituir o churrasquinho dessa combinação por uma das esfihas.
As da casa são assadas no forno a lenha e proporcionam uma experiência diferente. Uma delas, chamada pidé, é grande e tem o formato de barca. Se gostar de sabores intensos, prove a de bastermá, preparo armênio com carne bovina curada e bem condimentada. Outra versão de esfiha é a lahma jun, feita com uma massa bem fininha, para ser comida enrolada, como se fosse uma panquequinha.
O executivo não inclui sobremesa. Mas dá para pedir o malabie de frutas amarelas por R$ 12 (no cardápio normal custa R$ 24). Um manjar árabe cremoso e refrescante coberto por uma compota de manga e maracujá sob farofinha de pistache.
O serviço é simpático, mas precisa de ajustes. Uma água pedida duas vezes não apareceu. E um prato escolhido fora do executivo (uma ótima moussaka gratinada no forno a lenha) chegou quando o restante da mesa já estava comendo. A dica é chegar cedo para o almoço. Perto das 13h o movimento já é grande e o atendimento se perde um pouco.
Se tempo não for um problema, cogite começar pelas mezzes, entradas que você pode comer com as mãos. O charutinho de folha uva (R$ 56), para compartilhar, vem com dez unidades. Entre as pastas para comer com pão pita (R$ 7), experimente a muhammara (R$ 29), feita com pimentão vermelho defumado, nozes, melaço de romã e especiarias.
Provei essa receita pela primeira vez na sala de um casal jordaniano em Amã. Os sabores do Shuk despertaram essas memórias do melhor jeito possível.
Fonte.:Folha de São Paulo


