Há um quarteirão e meio do Mercado Central, no hipercentro de Belo Horizonte, o Mercado Novo foi projetado no início dos anos 1960 para substituir o antigo Mercado Municipal —hoje, Central. O edifício modernista, feito de tijolinhos e corredores estreitos, fica na avenida Olegário Maciel e nasceu com ambição grandiosa, seria “o maior mercado da América”.
A promessa, no entanto, ficou pelo caminho, depois que os comerciantes optaram por permanecer no antigo espaço. Essa situação levou à falência da construtora responsável e deixou para trás um prédio inacabado. A condição marcou a trajetória do espaço, que, durante décadas, abrigou principalmente comércios como gráficas, serralherias, tornearias, lojas de material elétrico e hidráulico, além de uma feira que funciona de madrugada desde os anos 1970.
A virada começou a partir de 2018, quando o segundo pavimento do prédio passou a receber bares, cervejarias, restaurantes e outros comércios alimentícios, inaugurando um processo de revitalização que hoje alcança 96% de ocupação das cerca de 1.200 lojas do local. Uma das premissas do ambiente é ter lojas autênticas e, preferencialmente, com produtos originais.
Entre os exemplos estão a Moscata, que vende empadas desde 2019 —como a de jiló com requeijão (R$ 12), um dos 99 sabores feitos pela cozinheira Betânia Lara. Outra loja é a Folga, que faz drinques na torneira e picolés artesanais —vale provar o gelado sabor bala de maçã, da Lalka, a primeira fábrica de doces artesanais em Belo Horizonte.
Ainda no segundo pavimento, quem quer levar uma lembrança da capital mineira pode conferir souvenirs da Made in Beagá, como chaveiros e ímas (R$ 10 a R$ 40), que remetem a lugares da cidade.
No terceiro andar, predominam as lojas de vestuário e casa. Aromatizadores tomam conta dos corredores, como na Trenzin, que vende todo tipo de “trem” para casa, como o aromatizador de lençol (R$ 79,90) –chamado trenzin de lençol.
À noite, o Mercado Novo ganha outra vida. O público, que até o pôr-do-sol reúne todas as gerações, fica claramente mais jovial. No sábado, todos os bares ficam lotados até a meia-noite, quando quem quer continuar a curtição desce para o subsolo.
Puxado pelo Bar do Zé Luiz, aberto desde 1985, o movimento da madrugada ganhou força no segundo semestre de 2025. Segundo o dono, Gilson Luiz Pereria, quem abriu o comércio foi seu pai, Zé Luiz, para vender tropeiro e pastel aos feirantes que abastecem a Feira Livre do Mercado Novo. Por muitos anos, o ambiente virou ponto de encontro também de outros trabalhadores noturnos da região.
Nos últimos meses, a falta de lugares abertos na madrugada de BH chamou a atenção de um público mais jovem, que estica a noite após festas e bares.
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O cardápio montado por Gilson e seu irmão, Luiz Otávio, mantém pratos clássicos da cozinha mineira (todos a R$ 30), como tropeiro, feijoada, frango com quiabo e vaca atolada, servidos até o amanhecer. “O pico de funcionamento é entre 1h e 6h”, afirma Pereira.
Devido ao movimento, lojas desocupadas ao lado do bar foram compradas por outros comerciantes e agora há drinques prontos, cervejarias e música alta —por vezes, ao vivo.
Mercado Novo
R. Rio Grande do Sul, 499, Centro, Belo Horizonte. Seg., das 7h às 19h. Ter. a sáb., das 7h às 0h. Dom., das 7h às 18h. @mercadonovodebh
Fonte.:Folha de S.Paulo


