A infestação do mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim, provoca mudanças na rotina dos moradores de Braço do Baú, na região rural de Ilhota, cidade de 17 mil habitantes em Santa Catarina.
Eles são obrigados a manter portas e janelas fechadas, usam repelente desde as primeiras horas da manhã e vestem roupas de manga longa até no calor para tentar escapar das picadas que causam coceira e podem transmitir a febre oropouche.
A presença do mosquito não é novidade na região, mas os moradores relatam que a situação piorou nos últimos anos e está no auge agora, chegando ao ponto de impedir as saídas para as áreas externas das casas.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira (8), a Secretaria de Meio Ambiente da cidade confirmou o aumento significativo da incidência do maruim, principalmente no Braço do Baú, e admitiu o impacto na qualidade de vida da população.
Segundo o comunicado, a secretaria busca soluções inovadores e viáveis para combater o mosquito. Entre elas está a análise de um produto, em fase de pesquisa no mercado.
“É importante esclarecer que atualmente o Brasil não dispõe de produtos devidamente registrados na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que sejam eficazes para o controle desse inseto, o que limita as ações imediatas do poder público e exige cautela nas medidas adotadas”, diz a nota do município.
Apesar da infestação, a prefeitura não relatou casos de febre oropouche este ano.
Em Luiz Alves, cidade localizada a 40 km de Ilhota, a infestação levou à decretação de situação de emergência em 2024. Na época, moradores diziam não suportar mais o desconforto causado pelas picadas do mosquito, disseminado nas áreas urbana e rural.
A infestação ameaçou inclusive a economia agrícola local, pois o trabalho realizado em área externa na área rural ficou difícil de ser realizado.
O maruim afetou também a rotina escolar, com crianças, adolescentes e funcionários das escolas evitando sair das salas de aula para as áreas externas.
Além disso, professores relataram que as picadas causavam distração nos alunos e prejudicavam a aprendizagem.
Em janeiro deste ano, o governo de Santa Catarina informou que um larvicida experimental reduziu em 86% a população do mosquito em Luiz Alves, o que provocou a diminuição dos casos de picadas com coceira e vermelhidão.
O estudo foi realizado com recursos da Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina). O projeto avaliou um larvicida fabricado pela empresa Nório Nanotecnologia.
Houve também a implantação de uma armadilha que usa a inteligência artificial para capturar e monitorar a presença do maruim.
O produto ainda depende do registro na Anvisa, com a expectativa de que a produção possa começar até o final do primeiro semestre do ano.
Fonte.:Folha de S.Paulo


