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26 de fevereiro de 2026

Mounjaro de graça: cidade no interior de SP vai aplicar medicamento pelo SUS

Mounjaro de graça: cidade no interior de SP vai aplicar medicamento pelo SUS

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A prefeitura de Urupês, município de 14 mil habitantes a 420 km de São Paulo, anunciou que vai iniciar a distribuição de Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de obesidade na rede pública local. Com a iniciativa, a cidade será a primeira do estado a disponibilizar o medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), uma oferta ainda rara no Brasil.

Com um custo elevado, que pode oscilar de R$ 1,4 mil a R$ 3 mil por mês dependendo da dose, o Mounjaro vem gerando grande expectativa sobre uma distribuição mais ampla o sistema público. Proibitivos para grande parte dos brasileiros, os preços têm feito muitos pacientes recorrerem a versões contrabandeadas do Paraguai e potencialmente falsificadas, expondo a saúde a riscos.

Entenda como vai funcionar o projeto em Urupês.

Quem poderá ser tratado

A ideia é priorizar pacientes em situação de vulnerabilidade social, incapazes de custear o medicamento pela rede privada, e que estejam na fila de espera para a cirurgia bariátrica. Podem ser contemplados até 200 pacientes, de forma escalonada, desde que cumpram todos os critérios abaixo:

  • Idade igual ou superior a 40 anos;
  • Índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 35 kg/m², associado a pelo menos uma comorbidade clínica relevante; ou IMC maior ou igual a 30 kg/m², associado a pelo menos duas comorbidades clínicas relevantes;
  • Possuir tentativa prévia documentada de tratamento não farmacológico para a obesidade, por um período mínimo de seis meses.
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Pacientes com IMC superior a 40 kg/m² não precisarão atender ao critério da idade.

Além da dispensação do medicamento, a promessa é que os pacientes receberão acompanhamento multidisciplinar pelo SUS, com uma equipe composta por médico endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social. Confira outros detalhes no anúncio oficial.

Apesar de ainda incomum, a oferta de tirzepatida por uma secretaria municipal de saúde não é inédita no Brasil: em dezembro, a prefeitura de Vilhena, em Rondônia, lançou um programa similar de distribuição do Mounjaro nas unidades básicas de saúde (UBS) da cidade.

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Por lá, foram contemplados 80 pacientes com IMC acima de 40 e comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e esteatose hepática.

Incorporação ampla ao SUS ainda encontra obstáculos econômicos

A chegada de qualquer novo medicamento e procedimento pelo sistema público no Brasil deve passar pelo aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Além de uma análise da eficácia e segurança dos métodos propostos, o estudo também leva em conta fatores econômicos, dentro da chamada custo-efetividade: se o preço pago pelo governo pelo remédio será compensado pelo que se economizaria no longo prazo, na medida em que menos pacientes precisariam ser atendidos por complicações associadas às condições tratadas.

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No ano passado, analisando a liraglutida e a semaglutida, a Conitec deu parecer desfavorável à incorporação das duas pelo SUS. Somando os dois medicamentos, o impacto estimado aos cofres públicos foi de R$ 4,8 bilhões em cinco anos, e a comissão apontou incertezas quanto ao tempo de tratamento e os riscos de reganho de peso após a interrupção do uso do remédio.

Apesar de considerar as canetas como seguras e eficazes, a análise entendeu que a custo-efetividade ainda não fazia sentido para o contexto brasileiro. A tirzepatida não fez parte da análise. 

Com isso, o SUS segue oferecendo a cirurgia bariátrica como alternativa para o controle de peso, mas não tem qualquer medicamento incorporado para combater a obesidade. Por enquanto, interessados nos análogos de GLP-1 devem recorrer à rede privada ou torcer para que sua cidade siga a tendência de iniciativas como as vistas em Vilhena e Urupês.



Fonte.:Saúde Abril

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