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13 de janeiro de 2026

Natação, beach tennis e vôlei: por que o ombro sofre e como evitar lesões

Natação, beach tennis e vôlei: por que o ombro sofre e como evitar lesões

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No verão, esportes como natação, beach tennis e vôlei ganham ainda mais adeptos nas praias, clubes e academias.

Apesar dos benefícios à saúde, o aumento da prática, muitas vezes sem preparo físico adequado, eleva também o risco de lesões no ombro, uma das articulações mais exigidas nesses esportes.

Durante a estação mais quente do ano, observamos aumento de algumas queixas específicas. Uma delas é a tendinite do manguito rotador, inflamação dos tendões do ombro que levantam e giram o braço.

Outra é a bursite subacromial, inflamação do tecido que reduz o atrito entre tendões e osso. Também são comuns lesões musculares e distensões após movimentos repetitivos ou forçados, além do impacto subacromial (pinçamento), quando os tendões ‘batem’ na parte óssea superior do ombro ao levantar o braço.

Luxações e quadros de instabilidade também podem ocorrer: quedas ou movimentos amplos e rápidos podem levar ao deslocamento parcial ou total da articulação, com lesão dos ligamentos.

Esses problemas geralmente começam como uma dor difusa, que piora ao levantar o braço para jogar, alcançar objetos ou levantar acima da cabeça — movimentos muito presentes em esportes de areia e natação.

Por que natação, beach tennis e vôlei sobrecarregam a articulação?

O ombro é uma articulação muito móvel e relativamente instável; ele depende fortemente dos músculos e tendões ao redor para manter alinhamento e função.

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Em esportes como natação, há repetição de movimentos amplos dos braços em alta frequência. No vôlei de praia, há movimentos de elevação e rotação do braço, com velocidade e impacto.

Por sua vez, no beach tennis, o jogo rápido e os golpes do braço para bater na bola exigem aceleração e desaceleração intensas.

Essa combinação de movimentos repetidos, muitas vezes rápidos e sem preparo físico adequado, pode levar à sobrecarga dos tendões e músculos, desencadeando dor e inflamação.

Como diferenciar dor muscular comum de sinal de lesão?

Sentir o corpo reagir após uma atividade física é normal, especialmente se você ficou longos períodos sem treinar. Mas há diferenças importantes. A dor muscular tardia (normal) surge de 12 a 48 horas após o exercício. É difusa, sensação de “corpo pesado”, mas melhora com descanso.

Já os sinais de lesão no ombro são dor aguda durante o movimento; dor que limita o movimento do braço; inchaço, calor ou crepitação (sensação de “estalido”); e dor que não melhora com repouso ou que piora à noite.

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Se a dor persiste por mais de uma semana, limita atividades cotidianas ou aparece mesmo em repouso, isso deve ser levado a sério.

A importância do aquecimento, fortalecimento e descanso

O aquecimento prepara músculos e tendões para o esforço, aumentando a circulação e reduzindo o risco de microlesões. Cinco a dez minutos de movimentos leves e mobilizações articulares já fazem diferença.

O fortalecimento é outro ponto relevante. Ombros fortes e estáveis dependem de músculos do manguito rotador e da escápula. Exercícios regulares com foco nesses grupos reduzem risco de lesões, melhoram desempenho e protegem a articulação.

O descanso, por sua vez, é fundamental. O corpo precisa de tempo para se recuperar. Por isso, escalonar treinos, alternar intensidade e respeitar sinais de fadiga ajudam a prevenir piora de dores.

+Leia também: 5 exercícios para definir os ombros e evitar dores

E quem já sente dor no ombro, pode continuar praticando esportes?

Depende da intensidade da dor. Em caso de dor leve e transitória, em geral, é possível praticar com ajustes, reduzindo intensidade, número de repetições e tempo de treino.

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Em caso de dor no ombro forte, persistente ou que limita movimentos não é recomendado manter a prática intensa. Continuar forçando pode agravar a lesão e prolongar o tempo de recuperação.

O princípio básico é ouvir o corpo: dor forte no ombro que altera o padrão normal de movimento ou aumenta progressivamente é um sinal de alerta.

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Quando é hora de procurar um ortopedista?

Consulte um especialista quando a dor persiste por mais de 7–10 dias, mesmo com descanso; se há limitação do movimento, fraqueza ao levantar o braço ou perda de força; se apresenta inchaço, dormência, formigamento ou instabilidade no ombro; e se a dor começou após um trauma (queda, pancada ou puxão).

Um ortopedista pode avaliar se há lesão tendínea, bursite, instabilidade ou outra condição que necessite de fisioterapia, exames complementares ou tratamentos específicos.

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O verão convida à atividade física e isso é ótimo para o corpo e a mente. Mas o ombro merece atenção: por sua alta mobilidade, é mais suscetível a sobrecarga.

Com aquecimento, fortalecimento adequado e respeito ao descanso, é possível aproveitar a estação sem dores. Diante de qualquer sinal de alerta, buscar orientação médica precocemente faz toda a diferença.

*Eduardo Malavolta é médico ortopedista e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)

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Fonte.:Saúde Abril

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