
Após a escola de samba Acadêmicos de Niterói retratar famílias cristãs em latas de conserva, e a oposição reagir aos ataques, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que acionará o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por intolerância religiosa no desfile. A afirmação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (18), e o pedido deve ser encaminhado ao MPF na quinta-feira (19).
Segundo a equipe do deputado, o fato de a escola de samba ter retratado cristãos em uma “lata de sardinha”, como se fossem algo a ser descartado, “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”.
A assessoria cita, inclusive, que “a própria OAB-RJ reconheceu o episódio como intolerância”, já que a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil divulgou uma nota na última terça-feira (17) repudiando o teor do desfile, realizado em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ainda Nikolas Ferreira, a Constituição garante liberdade religiosa, e a Lei 7.716/89 pune atos de discriminação por motivo de religião. “Por isso, protocolarei representação no Ministério Público do RJ contra o presidente da escola de samba, na condição de autor intelectual do desfile, para que os fatos sejam apurados com o rigor da lei”, disse por meio de seu gabinete.
“Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, finalizou o parlamentar.
Desfile foi criticado pela oposição e por parlamentares de centro
A repercussão após o desfile foi imediata. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) classificou a apresentação como “desastre total”, afirmando que o enredo aprofundou a distância entre a esquerda e a comunidade evangélica no Brasil.
“Um ataque deliberado às famílias”, disse. “Fica muito difícil de o povo não acreditar que Lula não soubesse que haveria essa ala”, afirmou em entrevista ao SBT News na quarta (18).
Já representantes da direita responderam à crítica da escola de samba lançando a trend “Família em Conserva”, em que parlamentares e internautas postaram fotos de suas famílias em latas. “Somos assumidamente conservadores. Conservamos as coisas boas: Família, Deus , Pátria e Liberdade”, escreveu o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, ao aderir à trend.
A ação é uma resposta ao carro alegórico “Conservadores em Conserva”, usado no desfile da Acadêmicos de Niterói com componentes fantasiados de latas e xícaras ridicularizando a Bíblia, os evangélicos e o agronegócio.
Na descrição oficial, a Acadêmicos de Niterói identifica o grupo como neoconservadores, ao lado de representantes do agronegócio, de mulheres de classe alta, defensores da ditadura militar, que se opõem a Lula.
Fonte. Gazeta do Povo


