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7 de fevereiro de 2026

Novo caso: Nipah vírus: OMS confirma morte em Bangladesh; entenda o novo caso

Novo caso: Nipah vírus: OMS confirma morte em Bangladesh; entenda o novo caso

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou, nesta sexta-feira (6), que foi notificada sobre um caso confirmado de infecção por vírus Nipah (NiV) em Bangladesh, país do sul da Ásia. Somando-se aos dois casos confirmados na Índia, o mundo contabiliza três quadros de vírus Nipah em 2026.

O caso foi confirmado em 29 de janeiro de 2026. A paciente deu entrada no dia 21 de janeiro e apresentou, inicialmente, sintomas como febre e vômitos, evoluindo para sinais neurológicos, como convulsões. Ela faleceu seis dias após o início dos sintomas.

Após a confirmação do diagnóstico, uma equipe de resposta a surtos foi mobilizada. Ao todo, 35 pessoas que tiveram contato com a paciente foram identificadas: três no ambiente domiciliar, 14 na comunidade e 18 no contexto hospitalar. Até o dia 3 de fevereiro, nenhum novo caso havia sido registrado.

Segundo a investigação inicial, a paciente, uma mulher com cerca de 50 anos, relatou ter consumido repetidamente seiva de tâmara crua entre os dias 5 e 20 de janeiro — um fator de risco conhecido para a transmissão do vírus Nipah, especialmente em Bangladesh, já que o alimento pode ser contaminado por morcegos do gênero Pteropus, reservatórios naturais do vírus.

Assim como na Índia, que este ano confirmou dois casos da doença, o vírus Nipah é considerado uma ameaça recorrente em Bangladesh

O país registrou o primeiro caso de infecção em humanos em 2001 e, desde então, episódios esporádicos têm sido relatados quase todos os anos. Em 2025, o país contabilizou quatro casos fatais confirmados em laboratório.

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Bangladesh já registrou 348 casos de infecção pelo vírus Nipah, com 250 mortes (uma taxa de letalidade de 72%).

Quase metade das infecções ocorreram após o consumo de seiva de tâmara crua ou fermentada, enquanto cerca de 29% dos casos foram resultado de transmissão direta entre pessoas. Inclusive, os surtos tendem a ocorrer entre dezembro e abril, coincidindo com a colheita e o consumo da seiva da tamareira.

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Descrição do caso

De acordo com a OMS, a paciente vivia no distrito de Naogaon, na Divisão de Rajshahi. Os primeiros sintomas surgiram em 21 de janeiro e incluíam febre, dor de cabeça, cãibras musculares, perda de apetite, fraqueza e vômitos. Nos dias seguintes, o quadro evoluiu com sinais neurológicos mais graves, como hipersalivação, desorientação e convulsões.

Em 27 de janeiro, ela perdeu a consciência e foi encaminhada por um médico local a um hospital terciário. Ela deu entrada na unidade no dia seguinte, quando equipes de vigilância coletaram amostras de secreção da garganta e de sangue. A paciente morreu no mesmo dia da internação.

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Como a OMS avalia o grau de risco

Apesar da gravidade da doença, a OMS avalia que o risco atual para a saúde pública em Bangladesh é baixo. Para a OMS, o risco regional — considerando as fronteiras com Índia e Myanmar — também é baixo, assim como o risco global, já que os casos seguem concentrados em poucos países da Ásia.

A entidade internacional lista as seguintes explicações para sua avaliação:

  • Os morcegos frugívoros, reservatórios naturais do vírus, estão amplamente distribuídos em Bangladesh, e o consumo de seiva de tâmara crua — um hábito cultural que persiste — continua sendo a principal via de infecção.
  • Ainda assim, o número anual de casos permanece baixo: desde 2016, foram menos de dez por ano, com exceção de 2023, quando houve 14 registros. A transmissão de pessoa para pessoa também se tornou menos frequente.
  • Segundo a OMS, o país mantém um sistema de vigilância hospitalar desde 2006, além de equipes de resposta rápida e capacidade de diagnóstico laboratorial ágil

Para Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso sobre o Nipah, o caso confirmado em janeiro de 2026 não é um evento inesperado, mas parte de um padrão histórico bem documentado da circulação do vírus Nipah em Bangladesh.

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O episódio segue o perfil clássico da doença: ocorreu dentro do cinturão geográfico já conhecido, durante a estação típica (dezembro a abril). A rápida evolução para sintomas neurológicos graves e o desfecho fatal em cerca de uma semana também são compatíveis com quadros severos já descritos anteriormente.

Apesar disso, ele alerta que o risco estrutural permanece. “A progressão fatal rápida e encefalítica também ressalta apontamentos importantes que alertam sobre a preparação brasileira para o Nipah permanece criticamente importante. Se o NiV chegar à América Latina, a janela para intervenção clínica seria extremamente estreita”, diz.

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Nipah Vírus

O vírus Nipah é um vírus zoonótico — ou seja, passa de animais para humanos — capaz de causar infecções graves e fatais. Ele é transmitido principalmente por morcegos frugívoros, conhecidos como raposas-voadoras, considerados os hospedeiros naturais do vírus.

A infecção pode ocorrer pelo contato direto com esses animais, pelo consumo de alimentos contaminados por saliva, urina ou fezes, ou ainda pela transmissão direta entre pessoas, em situações de contato próximo (embora seja uma via mais rara).

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Os sintomas iniciais são pouco específicos e incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da doença, podem surgir sonolência, confusão mental e outros sinais neurológicos, que indicam inflamação do cérebro (encefalite). Em quadros mais graves, o vírus pode provocar convulsões, coma em poucos dias e insuficiência respiratória.

Assim, as manifestações variam de infecções assintomáticas a pneumonias graves e encefalite fatal.

Atualmente, não há vacinas nem medicamentos específicos contra o vírus Nipah, e o tratamento se baseia em cuidados intensivos para controlar complicações respiratórias e neurológicas. Por seu potencial epidêmico, o Nipah é considerado pela OMS um patógeno prioritário para pesquisas e o desenvolvimento de novas terapias.

Tudo sobre o Nipah, vírus que preocupa autoridades indianas



Fonte.:Saúde Abril

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