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26 de março de 2026

Nunes Parrilla celebra quatro anos com festival – 26/03/2026 – Nação churrasqueira

Nunes Parrilla celebra quatro anos com festival – 26/03/2026 – Nação churrasqueira

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Para marcar seus quatro anos, a Nunes Parrilla realizou, no último dia 21 de março, a primeira edição do Festival de Fogos, reunindo em Pinheiros, em São Paulo, chefs de diferentes países da América Latina em torno de um elemento comum: o fogo.

Idealizado por Pedro Nunes, chef e proprietário da casa, o encontro partiu de uma simples intenção: traduzir o churrasco como linguagem popular. Participaram desta edição nomes como María Elena Marfetán, do restaurante Lo de Tere, no Uruguai, e Luis Maldonado, venezuelano que comanda um restaurante em Quito, no Equador.

Cada convidado apresentou um prato na brasa, servido em formato itinerante, permitindo ao público circular entre as estações, provar diferentes preparos e repeti-los quando quisesse.

“A essência do fogo é unir pessoas e fazer gente feliz”, resume Nunes. “O menu da casa já traz essa mistura: carnes de um lugar, técnicas de outro, com o toque brasileiro. Aqui, estou mais aprendendo do que assando.”

Entre os destaques, María Elena Marfetán levou ao fogo sua relação com o mar. Defensora dos pescados, ela chamou a atenção para um paradoxo latino-americano. “Temos muito litoral e pouco consumo de peixe. Gosto de trabalhar com pescadores artesanais e trazer esse olhar. E o fogo, para nós, é identidade —no Uruguai, quem não gosta, nasceu no lugar errado”, diz.

Direto de Mendoza, Iván Azar apresentou um ojo de bife pincelado com uma receita de família de chimichurri, acompanhado de purê de batatas e uma maionese de ovo frito com jalapeño e trufas. Para ele, as semelhanças regionais falam mais alto que qualquer rivalidade. “Argentina, Brasil e Uruguai compartilham o mate, o assado e o respeito pela carne.”

De Buenos Aires, Pedro Peña, sócio e chef do grupo Thames —responsável por restaurantes como o renomado Niño Gordo e La Carnicería— participou representando o José el Carnicero, com um bife acompanhado de salada caesar, purê de batatas e o matrimônio, um bolinho frito

recheado com morcilla que instigou a curiosidade.

Luis Maldonado, à frente do Tributo, na 30ª posição do ranking 101 Best Steakhouses 2025, apresentou uma homenagem ao seu país natal com carne na vara, acompanhada de guasacaca (molho à base de abacate) e cachapa (espécie de panqueca feita com farinha de milho) recheada com queijo de trança.

Já a brasileira Priscila Deus trouxe o fogo para o território das especiarias nativas. Preparou cordeiro com um curry construído a partir de ingredientes amazônicos como priprioca, cumaru, cipó-alho e puxuri, acompanhado de cuscuz de farinha de origem indígena. “Valorizar produto brasileiro também passa pelo churrasco”, afirma.

O próprio Nunes preparou uma costela com sete horas de cocção, servida com creme de abóbora cabotiá e queijo —síntese da proposta da casa, que desde a abertura se consolidou como ponto de encontro para quem busca entender a carne para além do corte, conectando origem, técnica e cultura.

Ao reunir nomes da cena latino-americana, o festival se mostrou uma plataforma em construção, na qual o fogo deixa de ser apenas método e passa a ser linguagem comum entre territórios e amigos.


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Fonte.:Folha de São Paulo

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