
Ler Resumo
Introdução
A maior revisão já feita sobre cannabis medicinal em saúde mental e dependência química, publicada na The Lancet, concluiu que as evidências não justificam seu uso para ansiedade, depressão, TEPT e anorexia. Há preocupação de que seu emprego atrase tratamentos eficazes. Outros usos têm evidências insuficientes.
- A maior revisão de estudos sobre cannabis medicinal para saúde mental e dependência não encontrou evidências robustas para seu uso em ansiedade, depressão e TEPT.
- O trabalho, publicado na The Lancet, analisou 45 anos de pesquisas (1980-2025), incluindo compostos como CBD e THC.
- Pesquisadores alertam que o uso de cannabis medicinal pode atrasar ou substituir terapias com eficácia já comprovada.
- Há indícios de benefícios para insônia, tiques, síndrome de Tourette e TEA, mas com evidências de baixa qualidade.
- O estudo focou apenas em saúde mental e dependência, não abordando outras aplicações como dores crônicas ou epilepsia.
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Pesquisadores australianos e britânicos publicaram, nesta segunda-feira (16), a maior revisão já feita sobre estudos avaliando o potencial da cannabis medicinal frente a transtornos de saúde mental e dependência química.
E, para a frustração de quem aposta nela, as evidências não justificam o uso de produtos derivados da maconha para combater ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e anorexia, entre outras questões.
O trabalho, divulgado na prestigiada revista científica The Lancet, avaliou 45 anos de evidências (de 1980 a 2025), distribuídos em 54 estudos realizados ao redor do mundo.
Nas pesquisas consideradas, os participantes faziam uso de compostos derivados da maconha, com destaque para o canabidiol (CBD); em algumas situações, os estudos também avaliaram o potencial de compostos com tetrahidrocanabinol (THC), a substância psicoativa da planta.
O que dizem os achados?
Para chegar às conclusões, os pesquisadores consideraram trabalhos que ofereciam o nível mais robusto de evidência: aqueles que comparam os produtos à base de cannabis com outros tratamentos já consolidados para os transtornos ou com placebos. A ideia dos estudos era demonstrar uma eficácia mais elevada das formulações com CBD, THC ou outros compostos de interesse medicinal obtidos a partir da maconha.
No entanto, nenhum estudo avaliado conseguiu demonstrar vantagens significativas da cannabis medicinal para ansiedade, depressão, TEPT, anorexia nervosa, transtornos psicóticos ou transtorno por uso de opioides. “Há uma distância considerável entre o uso clínico e a evidência disponível”, concluíram os pesquisadores, que ainda fizeram um alerta: “preocupa que o uso desses tratamentos poderia atrasar ou substituir o uso de terapias mais efetivas”.
Segundo os pesquisadores, empregar a cannabis medicinal para essas condições pode acabar trazendo mais perigos do que benefícios: os pacientes são colocados diante de uma alternativa sem eficácia comprovada e, diante da novidade, podem acreditar que ela é uma substituta à altura ou superior a métodos mais convencionais para enfrentar seu problema.
+Leia também: Cannabis medicinal: para que ela serve e o que muda com a decisão do STF
Para quais condições a cannabis mostrou potencial
Apesar do fracasso da cannabis medicinal para lidar com algumas das questões de saúde que mais atraem interesse científico, a revisão publicada nesta semana não descartou esses produtos por completo em outras condições.
No artigo, os pesquisadores também citaram possíveis benefícios desses fármacos para tratar insônia, tiques e a síndrome de Tourette, o tratamento da própria dependência de cannabis, além do alívio de sintomas associados ao transtorno do espectro autista (TEA). Porém, eles apontam que as evidências favoráveis ainda são insuficientes e de qualidade “geralmente baixa”.
É necessário, portanto, realizar estudos mais robustos para confirmar esses potenciais.
Outros benefícios da cannabis medicinal não entraram no estudo
O trabalho publicado na Lancet analisou os usos da cannabis medicinal somente no tratamento de condições de saúde mental e de transtornos pelo uso de substâncias que causam dependência química, como opioides e a própria maconha.
O CBD e o THC, porém, também são estudados (e já utilizados) para outras questões – com diferentes níveis de evidência.
Condições não contempladas pelo estudo que vêm sendo tratadas com auxílio da cannabis medicinal incluem dores crônicas, sintomas associados à esclerose múltipla e casos de epilepsia refratária. Estudos também tentam demonstrar seu benefício para quadros como glaucoma, Alzheimer e Parkinson, mas ainda é cedo para atestar vantagens nessas situações.
Fonte.:Saúde Abril


