11:03 AM
20 de julho de 2026

O futuro submarino nuclear do Brasil está sendo construído em um destino que pouca gente conhece

O futuro submarino nuclear do Brasil está sendo construído em um destino que pouca gente conhece

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A 68 km do Rio de Janeiro pela BR-101, na Costa Verde, a cidade de Itaguaí é hoje um pilar estratégico da defesa nacional. Em 2008, o Brasil assinou com a França o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), com investimento de cerca de 10 bilhões de dólares, culminando na criação do estaleiro Itaguaí Construções Navais (ICN) e da Base de Submarinos da Ilha da Madeira (BSIM), ativada em 17 de julho de 2020. O complexo é responsável pela construção dos submarinos da classe Riachuelo e do Álvaro Alberto, o primeiro submarino de propulsão nuclear do país. Além de sua relevância militar, o município abriga o Porto de Itaguaí, um dos maiores exportadores de minério de ferro do Brasil, enquanto preserva a memória da histórica Aldeia de Itaguaí, núcleo indígena com registros entre 1688 e o século XIX.

Dos Tupinambás à Vila do Caminho do Ouro em 1818

A história de Itaguaí começa muito antes da chegada dos colonizadores europeus. Segundo divulgação do portal oficial da Prefeitura Municipal de Itaguaí, o território era ocupado originalmente pelos povos indígenas Tupinambás, e foi desbravado em meados do século XVII pelos índios Jaguaremenon, que se transferiram da Ilha de Jaguanum para a região continental. A ocupação europeia começou oficialmente em 1688, quando os Jesuítas ergueram a primeira igreja da região em Coroa Grande, dando início à catequização dos índios locais. A partir desse marco, se formou a Aldeia de Itaguaí, considerada uma das mais importantes aldeias indígenas do Rio de Janeiro e uma das mais duradouras, com registros ativos até meados do século XIX.

A convivência entre indígenas e colonizadores foi marcada por conflitos. No final do século XVIII, o Conde de Resende retornou de Portugal com uma ordem da Rainha Dona Maria I determinando a restituição das terras aos indígenas. José Tavares foi encarregado da missão. Ainda assim, muitos colonos atacaram a aldeia durante viagens, o que resultou na arrematação do Engenho de Taguay por proprietários, incluindo Antônio Gomes Barroso, considerado o primeiro alcaide-mor da região. Da soma das terras do engenho e das antigas terras indígenas surgiu a Vila de Itaguaí, oficialmente elevada à condição de município em 1818. A localização estratégica tornou o município parada obrigatória na antiga rota do Caminho do Ouro, ligação usada pelos tropeiros entre o Rio de JaneiroSão Paulo e as Minas Gerais. O terreno pouco acidentado, transitável durante o ano inteiro e com bastante água para os animais fez da vila ponto obrigatório na jornada.

Itaguai, Rio de Janeiro // Créditos: Wikimedia Commons

O PROSUB e o primeiro submarino nuclear brasileiro em construção

A grande curiosidade contemporânea de Itaguaí está na Ilha da Madeira, distrito ligado à sede municipal. Segundo divulgação da Prefeitura Municipal de Itaguaí, em 2010 a Marinha do Brasil iniciou as obras do Complexo Naval de Itaguaí, parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). O programa nasceu de um acordo entre Brasil e França, assinado em 23 de dezembro de 2008, que envolveu a compra de quatro submarinos convencionais ampliados a partir do modelo francês Scorpène, com transferência de tecnologia. O acordo previa também o desenvolvimento em conjunto do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, batizado como Álvaro Alberto. O investimento inicial estimado foi de aproximadamente 10 bilhões de dólares.

A base é hoje o único local do Brasil onde submarinos militares são projetados e construídos. Os quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo homenageiam batalhas navais brasileiras. O Riachuelo (S-40) foi lançado em 14 de dezembro de 2018 e incorporado à frota em 1º de setembro de 2022. O Humaitá (S-41) foi lançado em 11 de dezembro de 2020 e comissionado em 12 de janeiro de 2024. Os submarinos Tonelero (S-42) e Almirante Karam (S-43) continuam em construção no estaleiro Itaguaí Construções Navais (ICN). Cada submarino tem 70,62 metros de comprimento, 1.900 toneladas de deslocamento, velocidade máxima de 21 nós, profundidade máxima de teste de 400 metros e tripulação de 32 marinheiros. A Base de Submarinos da Ilha da Madeira (BSIM) foi oficialmente ativada em 17 de julho de 2020.

Itaguai, Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia

O que fazer entre Coroa Grande e Ilha da Marambaia

Itaguaí combina turismo histórico, patrimônio industrial e paisagens naturais da Costa Verde em roteiros compactos. Reserve pelo menos dois dias para explorar a cidade e a região.

  • Igreja Matriz de São Francisco Xavier: templo do século XVIII, um dos marcos do centro histórico que remonta ao período jesuítico da Aldeia de Itaguaí.
  • Coroa Grande: distrito onde foi construída a primeira igreja em 1688 pelos Jesuítas, com belas paisagens de mangue e mar.
  • Ilha da Madeira: distrito industrial que abriga o Complexo Naval de Itaguaí, com visita externa possível e vista do Porto Sudeste.
  • Praia da Marambaia: restinga de 42 km entre Itaguaí e Barra de Guaratiba, com paisagens preservadas administradas pela Marinha do Brasil.
  • Museu Casa da Cultura: em prédio histórico, preserva objetos, fotografias e documentos da colonização e do ciclo do Caminho do Ouro.
  • Praça São Francisco Xavier: centro cívico da cidade, com arquitetura colonial preservada e comércio tradicional ao redor.
  • Bacia de Sepetiba: cenário natural entre Itaguaí e Mangaratiba, com passeios de barco e observação de aves marinhas.

Este vídeo do canal Rio Para Pobres, com 184 mil visualizações, apresenta um guia turístico sobre Itaguaí (RJ), município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que, muitas vezes visto apenas como ponto de passagem, esconde belezas naturais paradisíacas.

O Porto de Itaguaí e o Barão de Tefé nascido em 1837

Porto de Itaguaí é o segundo grande motor econômico do município. Segundo divulgação da Companhia Docas do Rio de Janeiro, foi inicialmente chamado de Porto de Sepetiba e teve o nome alterado oficialmente para Porto de Itaguaí pela Lei nº 11.200/2005. É um dos principais centros de exportação de minério de ferro do Brasil e o principal porto concentrador de cargas do MERCOSUL. A produção mineral de Minas Gerais, com destaque para o ferro extraído por grandes mineradoras, tem em Itaguaí sua principal saída marítima. Em 2015, foi inaugurado também o Porto Sudeste, terminal privado de exportação de minério de ferro instalado na Ilha da Madeira, com investimentos de mais de R$ 2 bilhões.

Itaguaí é também o berço de uma das figuras mais destacadas da Marinha do Brasil no século XIX. Antônio Luís von Hoonholtz, o Barão de Tefé, nasceu na cidade em 9 de maio de 1837. Ingressou na Marinha Imperial ainda adolescente e aos 17 anos já era guarda-marinha. Destacou-se como herói naval na Guerra do Paraguai, participando de batalhas decisivas, e recebeu do Imperador Dom Pedro II o título de Barão de Tefé em reconhecimento aos serviços prestados. A tradição naval de Itaguaí, que começou com o Barão, chega hoje ao PROSUB como um dos capítulos mais importantes da defesa nacional. A conclusão do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro (RJ-109) em 2014, cortando o município e ligando as principais rodovias do estado, completou a infraestrutura logística estratégica da cidade.

Como é o clima e a melhor época para visitar

Itaguaí tem clima tropical úmido, típico da Costa Verde fluminense. As temperaturas variam entre 15°C nas madrugadas de julho e 34°C nas tardes de janeiro. As chuvas se concentram no verão, entre dezembro e março, quando a média mensal ultrapassa 200 mm em janeiro. O inverno seco entre junho e agosto oferece dias amenos e noites frescas, ideais para caminhadas pelo centro histórico e visitas à Ilha da Marambaia. A cidade está a apenas 15 metros de altitude, o que garante temperaturas constantemente altas no verão. A umidade elevada durante o ano inteiro é característica da região devido à proximidade da Baía de Sepetiba.



Dez-Fev
23-34°C

☔ Alta

Ideal para curtir a Praia da Marambaia e passeios pela Bacia de Sepetiba.

PRAIA DA MARAMBAIA

Mar-Mai
19-30°C

🌤️ Média

Conheça a Igreja Matriz e o legado histórico do centro.

IGREJA MATRIZ

Jun-Ago
15-27°C

☀️ Baixa

Melhor época! Clima ameno para visitar Coroa Grande e o Museu da Cultura.

COROA GRANDE

Set-Nov
18-30°C

🌤️ Média

Explore a Ilha da Madeira e observe o complexo naval e o porto.

ILHA DA MADEIRA



Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Para chegar a Itaguaí, os 68 km desde o Rio de Janeiro são cobertos pela BR-101 em cerca de uma hora e meia. O Arco Metropolitano (RJ-109), concluído em 2014, corta o município e facilita o acesso desde qualquer região do estado. O Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão) fica a 80 km, e o Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, fica a 75 km. Ônibus rodoviários com saídas diárias conectam a cidade a Angra dos ReisParatyVolta Redonda e outros centros da região.

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Cruze o Arco Metropolitano e conheça a cidade dos submarinos

Itaguaí guarda um pedaço raro do Estado do Rio de Janeiro, onde 207 anos convivem com a memória da Aldeia de Itaguaí ativa desde 1688, a herança do Barão de Tefé nascido em 1837 e o único complexo do Brasil que constrói submarinos militares e o futuro submarino nuclear Álvaro Alberto. Poucos destinos combinam o antigo Caminho do Ouro, o Porto de Itaguaí como principal escoador da produção mineral de Minas Gerais, uma das maiores colônias japonesas do Rio de Janeiro desde 1938 e o histórico título de maior produtor de goiaba do Brasil.



Fonte. MG.Superesportes

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