
Crédito, Warner Bros
- Author, Emma Saunders
- Role, Repórter de cultura
Tempo de leitura: 5 min
A aguardada reinvenção de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell e estrelada pelos astros australianos Jacob Elordi e Margot Robbie, dividiu os críticos de cinema antes de seu lançamento — previsto para esta quinta-feira (12/2) no Brasil.
O conto gótico de paixão, obsessão e vingança de Emily Brontë acompanha o relacionamento entre a livre e obstinada Cathy e o atormentado, porém cruel, Heathcliff.
Peter Bradshaw, do jornal The Guardian, descreveu a nova adaptação para o cinema como um “erro emocionalmente vazio, no estilo romance de banca sensacionalista”, em uma crítica de duas estrelas.
Já Robbie Collin, do The Telegraph, mostrou muito mais entusiasmo, concedendo cinco estrelas e elogiando o filme como “resplandecentemente extravagante, viscoso e selvagem”.
O filme vem atraindo atenção — e certa controvérsia — desde que foi anunciado, especialmente por causa do elenco e de cenas aparentemente inspiradas em BDSM.

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Ambientado no final do século XVIII e início do XIX, O Morro dos Ventos Uivantes traz Elordi, 28, e Robbie, 35, como os famosos amantes da literatura, Heathcliff e Catherine Earnshaw.
O filme está sendo divulgado com aspas no iítulo, para sugerir que se trata de uma interpretação pessoal de Fennell do romance clássico, enquanto a cantora Charli XCX, conhecida pelo álbum Brat, compôs a trilha sonora que acompanha a produção.
Peter Bradshaw, do The Guardian, afirmou que Fennell “eleva o tom camp” em sua reinvenção — sendo camp um estilo estético marcado pelo exagero, teatralidade, artificialidade assumida e um certo gosto pelo dramático e pelo kitsch. Ele descreve o filme como “um ensaio fotográfico de moda de 20 páginas de pura frivolidade, com corpetes rasgados em pedaços e um toque provocante de BDSM”.
Já Robbie Collin, do The Telegraph, antecipou críticas de que o filme poderia carecer de profundidade, mas apresentou uma defesa enfática da obra.
“Estilo acima de substância? De forma alguma — é mais que Fennell entende que o estilo pode ser substância quando é bem executado”, escreveu.
“As paixões de Cathy e Heathcliff vibram em suas roupas, em seus arredores e em tudo ao seu alcance, e você sai do cinema tremendo na frequência privada deles.”

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A editora Mills & Boon foi mencionada em mais de uma crítica, com Dulcie Pearce, do The Sun, sugerindo que o filme teria substituído trechos do livro de Brontë por páginas de romances sentimentais da editora.
“Este drama excessivamente estilizado é intenso e divertido — mas, infelizmente, é sexo acima de substância”, escreveu Pearce.
Clarisse Loughrey, do The Independent, deu apenas uma estrela ao filme e afirmou: “A adaptação espantosamente ruim de Emerald Fennell é como um Mills & Boon sem vigor.
As atuações de Robbie e Elordi quase ultrapassam o limite da pantomima, enquanto as provocações de Fennell parecem definir os pobres como desviantes sexuais e os ricos como pudicos ingênuos.”
Outros críticos foram mais elogiosos, como Danny Leigh, do Financial Times, que concedeu três estrelas ao filme.
“À medida que a tensão sexual aumenta, o clima lembra um Carry On de arte, com tomadas prolongadas de claras de ovo viscosas”, escreveu.
“O restante do filme prende a atenção com tanta força que Charli XCX faz a trilha sonora e você nem percebe.”
Leigh não foi o único crítico a comparar Wuthering Heights a um filme da série Carry On.
Em uma crítica de três estrelas, Donald Clarke, do Irish Times, observou que “a surpresa para muitos será o quão de perto essa suposta desconstrução se mantém fiel à estrutura da narrativa original de Emily Brontë”.
Ele destacou que a cena de abertura estava “mais próxima de Carry on Heathcliff do que de Os 120 Dias de Sodoma”.
Houve ainda outra crítica de três estrelas, desta vez de Beth Webb, da Empire, que descreveu o filme como “indiscutivelmente elaborado com perícia”.
“Fennell lança mão de todos os recursos nesta adaptação em forma de sonho febril, que estimula os sentidos enquanto evidencia o crescente poder de estrela de Elordi”, afirmou. “Se ao menos sua energia eletricamente erótica fosse sustentada até o final.”

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David Rooney, do The Hollywood Reporter, elogiou a química entre Elordi e Robbie.
“Os protagonistas são cativantes e a química entre eles é eletrizante”, afirmou. “Robbie está em plena forma, equilibrando-se entre uma imprudência irritante e um arrependimento devastador.
A reformulação de Fennell flerta com a insanidade e, se você conseguir deixar de lado ideias preconcebidas sobre como essa história deveria ser contada, é possivelmente o filme mais puramente divertido da roteirista e diretora.”
Houve mais elogios ao relacionamento dos dois em cena por parte de Vicky Jessop, do Standard, que concedeu quatro estrelas ao filme e escreveu: “Robbie e Elordi têm química de sobra nesta adaptação assumidamente exagerada e camp do livro de Emily Brontë.
Emerald Fennell nos entrega um maximalismo sujo e sem pudor”, acrescentou.
Já Kevin Maher, do The Times, não se convenceu e atribuiu apenas duas estrelas.
Fazendo referência ao papel marcante de Robbie em Barbie, dirigido por Greta Gerwig, ele a descreveu como uma “Barbie Brontë” e argumentou que Fennell “condenou Elordi com uma caracterização fatalmente superficial, reformulando Heathcliff como um galã emburrado com um sotaque de Yorkshire vacilante”.
Outras críticas variaram desde uma avaliação de duas estrelas de Brian Viner, no The Daily Mail, até a opinião de Therese Lacson, da Collider, de que Brontë “está absolutamente se revirando no túmulo”.
Em outro veículo, David Sims, do The Atlantic, opinou que este é o “melhor filme de Fennell até hoje — uma experiência carnal intensa e arrebatadora no cinema”.
“O Morro dos Ventos Uivantes” estreia nos cinemas do Brasil em 12 de fevereiro de 2026
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


