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30 de abril de 2026

O que fazer em Curitiba: veja roteiro de 3 dias – 29/04/2026 – Turismo

O que fazer em Curitiba: veja roteiro de 3 dias – 29/04/2026 – Turismo

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“A cidade dá a impressão de uma menina que cresceu demais e já não cabe na roupa.” A observação, escrita por Rachel de Queiroz em 1952, ainda descreve bem a capital paranaense, mesmo tanto tempo depois. Com cerca de 1,8 milhão de habitantes, é uma metrópole que preserva a dinâmica e a praticidade de cidade pequena, onde a vida flui em um ritmo menos frenético que em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Cheia de parques, calçadões e corredores de ônibus (inovadores para a década de 1970, quando foram criados pelo urbanista Jaime Lerner, que também assina o projeto da cidade), Curitiba equilibra uma alma cultural vibrante com a fama de cidade fria, conhecida pelo céu nublado e o clima que desafia qualquer previsão.

Embora o curitibano tenha a reputação de ser reservado, a cidade é acolhedora à sua maneira. São 52 parques, quase 200 bibliotecas e cenário gastronômico bastante diverso, com forte herança dos imigrantes europeus e preços mais convidativos do que no eixo Rio-São Paulo.

O transporte público de Curitiba depende exclusivamente dos ônibus. O sistema utiliza as icônicas estações-tubo, mais de 300 pontos espalhados pelas ruas e grandes terminais de integração. A tarifa, de R$ 6, permite que o passageiro faça conexões dentro dos terminais para qualquer ponto da cidade. Há ainda uma linha especial, em que um ônibus panorâmico de dois andares percorre 26 pontos turísticos –custa R$ 50 e permite embarques ilimitados.

Prepare o casaco –e, por precaução, um guarda-chuva– para um roteiro de três dias pela cidade.

Dia 1

Comece pela Unilivre (Universidade Livre do Meio Ambiente), um pequeno pedaço da natureza no meio urbano. O prédio principal é uma torre em espiral com mais de 15 metros, feita de troncos de eucalipto que cercam o paredão de pedra de uma antiga pedreira. A subida pela rampa oferece vistas do lago e do teatro grego. A entrada é gratuita.

Dali, siga para o parque Tanguá, um dos espaços mais visitados de Curitiba. O parque é estratégico porque permite duas perspectivas da mesma atração: a queda d’água de 65 metros pode ser vista tanto do mirante superior, com seus jardins franceses, quanto de baixo, onde o contato com a natureza é mais próximo. É uma das vistas mais bonitas da capital, e local ideal para uma caminhada sem pressa ou um piquenique.

A próxima parada é o Memorial Paranista, no Parque São Lourenço. Trata-se de um museu a céu aberto dedicado a João Turin (1878-1949), o maior escultor do Paraná. Caminhar entre as 15 esculturas de bronze é uma imersão na identidade visual e no folclore do estado, com destaque para as famosas onças em tamanho real.

Para quem busca cultura e boa comida, a Rua da Música é o destino certo. A área abriga a pedreira Paulo Leminski, onde fica a Ópera de Arame, um dos palcos de eventos mais famosos do país, e concentra restaurantes de chefs renomados, como o Cão Véio, de Henrique Fogaça.

Caso o turista prefira encerrar o dia de forma mais leve, a dica é a premiada rede de panificadoras Prestinaria. A unidade mais próxima do roteiro é a São Lourenço, instalada em uma charmosa orquidaria e floricultura, onde você toma um café artesanal cercado por flores.

Dia 2

O segundo dia começa no MON (Museu Oscar Niemeyer), ponto obrigatório em qualquer visita a Curitiba. Conhecido como “museu do olho” pelo formato do seu prédio (que, na verdade, imita uma bailarina de braços abertos) abriga mais de 14 mil obras e exposições temporárias de artes visuais, design e arquitetura. A entrada custa R$ 36 (inteira), mas é gratuita todas as quartas e no último domingo de cada mês.

Depois, a sugestão é seguir em direção ao coração da cidade, onde está o Passeio Público. Primeiro parque de Curitiba, o local reúne diversas espécies de pássaros e caminhos arborizados ideais para dar um tempo na correria urbana. Logo ao lado, o Memorial Árabe chama a atenção pela arquitetura inspirada em mesquitas. Dentro há uma biblioteca pública com vitrais coloridos que filtram a luz do dia.

A exploração continua pelos arredores com pequenos centros culturais, como o Museu da Gravura. Dali, caminhe até o Paço da Liberdade, um prédio histórico tombado, onde funcionou a prefeitura, com arquitetura de influência neoclássica e detalhes em art noveau. No térreo, o Café do Senac tem pratos doces e salgados, com preços acessíveis, de até R$ 22.

A poucos passos de distância fica a 15 de Novembro. Primeiro calçadão do Brasil, é o termômetro do comércio local e um marco do urbanismo curitibano. Lugar perfeito para sentir a cidade entre os prédios históricos e o vai e vem dos pedestres.

Para encerrar o dia, o destino é o largo da Ordem, setor histórico que concentra boa parte da vida noturna. Se a visita cair em um domingo pela manhã, o visitante encontrará a famosa feirinha de artesanato e comidas típicas. Um passeio à noite nessa região pede a parada no clássico Bar do Alemão, com o chope Submarino: a caneca de chope claro gelado é servida com uma canequinha de cerâmica mergulhada (que vira brinde) contendo uma dose de steinhäger –destilado alemão de zimbro. O bar também serve a Carne de Onça, prato de carne bovina crua temperada com alho, cebola e pimenta que é patrimônio cultural da cidade.

Dia 3

O último dia começa no Jardim Botânico, o clichê necessário de Curitiba. A estufa de ferro e vidro, inspirada no Palácio de Cristal de Londres, é cercada por jardins em estilo francês que rendem uma caminhada agradável logo cedo. Vale a pena entrar na estrutura, conhecer as espécies de plantas raras da Mata Atlântica e aproveitar a simetria do parque para fotos. A entrada é gratuita.

A Praça Santos Andrade, no centro, reúne dois espaços famosos. De um lado, o Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com colunas que remetem ao neoclássico; do outro, o Teatro Guaíra, o mais famoso e importante exemplar da arquitetura modernista do estado.

Outro ponto cultural da região é o Cine Passeio, que resgata a tradição dos cinemas de rua de Curitiba, mas com infraestrutura moderna e curadoria que mistura clássicos e lançamentos comerciais. Um dos diferenciais são as sessões eventuais no terraço, que oferecem uma experiência de cinema ao ar livre. O ingresso custa em média R$ 23 (inteira).

Para encerrar a jornada curitibana, o destino é a rua Prudente de Moraes, conhecida como a “rua dos bares”. O ambiente, descontraído, é propício para o “bar hopping”: quando clientes pulam de balcão em balcão, explorando chopes artesanais e coquetelarias premiadas, até que a noite se dê por encerrada.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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