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26 de janeiro de 2026

O que fazer em Milão: roteiro de três dias na Itália – 26/01/2026 – Turismo

O que fazer em Milão: roteiro de três dias na Itália – 26/01/2026 – Turismo

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Comparada a Roma, Florença e Veneza, Milão é a mais sisuda das cidades italianas. Não tem uma atração âncora como o Coliseu, museus cheios de joias do Renascimento nem foi erguida sobre a água. A ausência de um chamariz absoluto liberta o turista de obrigações e de muvuca.

Para o bem e para o mal, não é uma cidade apegada a uma única época de ouro. Milão tem várias camadas históricas e, ao mesmo tempo, forte vocação contemporânea. Tem ruínas romanas modestas, um castelo do século 14 no centro, obras-primas do Leonardo Da Vinci, sinais das ocupações espanhola e austríaca, construções da era napoleônica e edifícios marcantes dos séculos 20 e 21.

Capital econômica do país, é considerada a mais europeia das cidades italianas. É um título esnobe, mas remete à qualidade da infraestrutura urbana. O transporte público funciona bem e as calçadas estão quase sempre limpas.

Para o turista disposto a andar, é uma alegria. É pequena em território (oito vezes menor que São Paulo), adensada e plana. Se bater o cansaço ou o clima atrapalhar, é fácil pegar metrô, bonde e ônibus. O bilhete custa 2,20 euros (R$ 13,77) —uso ilimitado por 90 minutos— e dá para pagar direto com cartão por aproximação.

Milão é uma central de eventos. Recebe o ano todo semanas de moda, design, arte, música e dezenas de feiras setoriais. Foi sede da Expo 2015, que fez explodir o turismo internacional, e abriga em fevereiro parte dos Jogos Olímpicos de Inverno. Entre um e outro compromisso, o visitante tem boas descobertas a explorar.

Dia 1

O essencial está nas redondezas da praça do Duomo, onde se chega de metrô. Construída em estilo gótico a partir de 1386, a catedral é feita de mármore, e seu efeito reluzente é impressionante quando bate o sol. São vários detalhes nas esculturas da parte externa, e, se o tempo for curto, dá para pular o interno por dez euros (R$ 62).

Se for entrar, invista no ingresso com acesso à cobertura, a partir de 22 euros (R$ 137). Lá do alto dá para ver a cidade toda e, em dias de céu limpo, avistar até os Alpes.

De volta à praça, entre na galeria Vittorio Emanuele 2⁠º, centro comercial do século 19. Coberta com estrutura de ferro e vidro, é uma passagem até o teatro Scala. Abriga vitrines luxuosas, mas os milaneses não compram ali nem costumam beber ou comer naqueles restaurantes.

Uma parada estratégica pode ser feita na Pasticceria Marchesi, no mezanino. Dá para tomar um café no balcão (preços mais altos são cobrados nas mesas do salão), usar o banheiro e observar da janela o vaivém dentro da galeria.

De volta ao térreo, atravesse a galeria até a praça Scala. Ali ficam a prefeitura e a estátua do Da Vinci, que passou a maior parte da vida adulta em Milão.

O teatro é um dos mais importantes da Europa. Apesar da fachada discreta, não se engane: o Scala é precioso por dentro, seja pela decoração, seja pela qualidade técnica. É difícil conseguir ingresso em cima da hora, mas vale visitar seu interior, a partir de 12 euros (R$ 75, inclui museu).

Para escapar de armadilhas e preços caríssimos, é melhor se afastar do Duomo na hora de comer. Uma ideia é caminhar cerca de dez minutos, pela via Giuseppe Verdi, até o bairro Brera.

São vários restaurantes com mesas dentro e fora, muitos com horário contínuo (sem fechar entre almoço e jantar), coisa rara em outros pontos de Milão. Para um drinque e comida rápida, tem o histórico bar Jamaica. Para algo mais substancioso, vale a Taverna del Borgo Antico.

Aproveite e dê uma espiada (gratuita) no pátio da Pinacoteca de Brera, museu da época napoleônica —Milão foi capital do Reino de Itália (1805-1814), instaurado pelo imperador francês. A coleção tem Caravaggio, Rafael, Veronese, mas não é imperdível.

Para terminar o dia, dá para bater perna pelas ruazinhas de Brera e, pela via Borgonuovo, chegar até o Quadrilátero da Moda, um concentrado de lojas de rua de grifes internacionais. Se caçar as últimas tendências não forem sua praia, a galeria de design Nilufar, com mais de 40 anos, é a mais relevante da cidade e merece uma visita.

Dia 2

A Pinacoteca Ambrosiana, a 500 metros do Duomo, é subestimada pelos turistas, mas é um tesouro, com entradas custando 17 euros (R$ 106,6). A sala imperdível é a última do percurso (de cerca de uma hora), onde estão expostas em rodízio cerca de mil páginas do Código Atlântico, a mais importante coleção de desenhos e manuscritos do Da Vinci. Tem esboços de pinturas, pesquisas matemáticas e projetos bélicos.

Também ali ficam o “Retrato de um Músico”, pintado por ele antes da “Mona Lisa”, uma natureza morta do Caravaggio, o rascunho em tamanho real da “Escola de Atenas”, do Rafael, e um raro manto tupinambá do século 17.

Pela via Dante, caminhe cerca de 15 minutos até o castelo Sforzesco, dos anos 1300. Foi uma fortaleza militar e moradia das dinastias Visconti e Sforza. A circulação pelos pátios é de graça, mas os museus são a pagamento. Caminhe no alto das muralhas 10 euros (R$ 62,7) para entender seu sistema defensivo e ter boas vistas.

O castelo desemboca no parque Sempione, o maior da região central. Dá para avistar o Arco della Pace, monumento da era napoleônica, e passar um tempo ao ar livre. Para as crianças, tem um playground ao fundo e à direita, a uns 10 minutos do castelo. Para uma pausa, o Bar Bianco é prático.

Dentro do Sempione fica a Triennale, edifício dos anos 1930 com arquitetura racionalista e muitas atividades, entre exposições e espetáculos. Em fevereiro, reabre a mostra permanente 14 euros (R$ 87) dedicada ao design italiano do século 20, área em que o país foi uma potência industrial e criativa. Não só móveis, mas aparelhos e utensílios domésticos mostram a evolução de materiais, formas e hábitos.

Dois restaurantes atendem do café ao jantar, e nos meses quentes as mesas do jardim com esculturas —destaque para “Bagni Misteriosi”, do artista De Chirico— são disputadas no fim do dia, para o famoso aperitivo. A lojinha é ótima.

Saindo do parque, em cerca de 15 minutos se chega a pé ao corso Magenta, área cheia de prédios elegantes dos séculos 19 e 20, comércio, comes e bebes. Ali fica “A Última Ceia”, pintada na parede do refeitório da igreja Santa Maria delle Grazie, ambos do século 15. Os ingressos oficiais para a obra-prima do Da Vinci —a partir de 15 euros (R$ 94)— se esgotam com meses de antecedência, mas a igreja (gratuita) também merece a visita.

Quem tiver pique pode terminar o dia no bairro Porta Nuova, com arranha-céus famosos (a torre da Unicredit) e comida contemporânea. Tente chegar com a luz do dia para ver o Bosco Verticale, prédio residencial com árvores nas varandas. Ali fica um dos melhores restaurantes da cidade, o Ratanà, do chefe Cesare Battisti. Ingredientes e pratos sazonais da região (atenção aos risotos), salão e serviço impecáveis e sem afetação. Reserve.

Dia 3

Depois da maratona que passou por sete séculos no dia anterior, as últimas horas em Milão podem ser mais joviais. Comece pela Fundação Prada, um dos melhores endereços para arte contemporânea de Milão.

Mantido por Miuccia Prada, à frente da grife, tem mostras permanentes e temporárias —a partir de 15 euros (R$ 94)—, sala de cinema, restaurante e um bar-café projetado pelo cineasta Wes Anderson.

É tudo muito fotogênico, a começar pela arquitetura do holandês Rem Koolhaas. Fica a cerca de três quilômetros do Duomo, mas dá para chegar de metrô.

Se estiver perto da hora de comer, vale tentar a Osteria Tajoli (se fala taioli), descontraída e com pratos locais, como o risoto de açafrão e o bife à milanesa real oficial (cotoletta di vitello com osso empanada). Na hora do almoço, o menu executivo (menu del giorno) tem preços amigáveis.

Para manter o clima “frizzante” (vibrante, na gíria), pegue o metrô ou o bonde para o bairro Porta Venezia, que tem atrações para todos os tipos. Dá para fazer compras no corso Buenos Aires e fuçar em lojinhas das vias Melzo, Malpighi e Sirtori.

Ou visitar a Villa Necchi Campiglio —a partir de 15 euros (R$ 94)— a casa-museu mais famosa da cidade, cenário do filme “Eu Sou o Amor”, de Luca Guadagnino. Criada pelo arquiteto Piero Portaluppi, um dos principais nomes dos anos 1930, a casa foi preservada com móveis e objetos originais.

Quem tem criança pode passear pelo parque Giardini, com playground, planetário (também de Portaluppi), carrinhos de bate-bate, carrossel e o Museu de História Natural. Ao bater pernas na vizinhança, não deixe de ver da calçada a criação de flamingos que vive nos jardins do Palazzo Invernizzi (via Cappuccini).

Por fim, se despeça com um aperitivo nos muitos bares da região. Se tiver tempo e fome, reserve uma mesa no Consorzio Stoppani, de cozinha local. Tem um dos melhores bifes à milanesa de Milão e outros clássicos revistos, com salão barulhento e muitos brindes.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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