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9 de fevereiro de 2026

O que o futebol pode aprender com o caso do Banco Master – 09/02/2026 – O Mundo É uma Bola

O que o futebol pode aprender com o caso do Banco Master – 09/02/2026 – O Mundo É uma Bola

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Desde o final de 2025, só se fala do Banco Master. Os meios de comunicação brasileiros têm priorizado esse caso, devido às amplas vertentes políticas e econômicas e aos desdobramentos extensos.

Assunto relevante (e maçante), e a esta coluna o que interessa é saber duas coisas: 1) o escândalo do Master afetou em que dimensão o futebol? e 2) o que o futebol pode aprender com isso?

Houve respingos no Corinthians e no Palmeiras. O entendimento, contudo, é que não foi algo que de cara afetou, e não tende a afetar, o dia a dia dos dois times.

No clube alvinegro, a problemática não envolve jogadores, comissão técnica ou o restante do estafe, e sim o estádio Itaquerão. O fundo que gerencia os recursos financeiros relacionados à arena parou de operar depois que sua gestora (Reag, envolvida com irregularidades no Master) teve a liquidação decretada pelo Banco Central.

Assim, fornecedores (que atuam em segurança e limpeza, por exemplo, da arena) deixaram de ser pagos com o montante que estava no fundo agora travado, tendo o Corinthians de recorrer a outras fontes para quitar essas obrigações.

Temporariamente, acomete-se o fluxo de caixa do clube. Recursos precisam ser remanejados até que haja um destravamento, com a nomeação pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de um novo gestor para administrar o fundo.

Até agora, o time corintiano continua a jogar lá normalmente, com o tradicional apoio da Fiel, sem qualquer impacto conhecido.

No clube alviverde, houve a perda de patrocinador relevante, com a rescisão contratual com o Fictor, devido, segundo o clube, ao “inadimplemento contratual” e ao “pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo”.

O Fictor, conglomerado que conta com empresas em vários ramos de atuação (alimentação, imobiliário, energia, agronegócio, serviços financeiros), chegou a anunciar em novembro a compra do Master, porém o negócio não prosperou porque o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco.

A notícia gerou uma crise reputação no Fictor, com fuga em massa de investidores, ocasionando uma outra crise, de liquidez, que culminou em pedido de recuperação judicial neste mês.

Resultado: R$ 25 milhões a R$ 30 milhões a menos por ano para o Palmeiras oriundos dessa fonte, o que reflete diretamente no planejamento orçamentário. O clube terá de ir ao mercado atrás de um substituto.

São arranhões monetários nos times de maior rivalidade em São Paulo, protagonistas do Derby. Não levam a cuidados de UTI, mas devem servir para que seus dirigentes tomem precauções que venham a evitar feridas profundas.

É sabido que os clubes brasileiros não têm a preocupação devida com governança, compliance e due diligence (diligência prévia), termos estranhos ao noticiário esportivo. Resumindo: implementar medidas e práticas preventivas que possam mitigar os riscos, tomando o caso Master como um alerta.

No atual sistema do futebol brasileiro, os clubes vão se tornando cada vez mais dependentes de fundos e de patrocinadores para tocar o futebol. Se o fundo ou o patrocinador dá problema, há reflexos que podem ser graves.

Há como se prevenir? Não se pode prever o futuro, mas é possível executar análise de risco de maior profundidade. Na ânsia de fazer caixa para ampliar sua competitividade (mais dinheiro significa mais e melhores reforços), clubes aceitam contratos sem uma checagem jurídica minuciosa e sem planejar auditorias regulares e contínuas de seus “parceiros”.

Em tempos em que a maioria esmagadora das agremiações se vê dependente de verba que vem de empresas de apostas esportivas (bets) –regulamentadas faz pouco tempo no Brasil, operando sob um modelo de negócio volátil, algumas recém-criadas–, é um cenário de segurança para lá de duvidosa.

Exemplo é uma comissão no Senado ter aprovado dias atrás projeto que proíbe o patrocínio de bets a clubes.

Diversificar as fontes de receitas, com maior equilíbrio entre elas, e estabelecer cláusulas contratuais de proteção (risco de contraparte) são movimentos recomendados que podem significar a diferença entre a consistência econômica e a hecatombe financeira.


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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