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21 de fevereiro de 2026

O que Trump vai fazer depois de perder licença no comércio – 21/02/2026 – Vinicius Torres Freire

O que Trump vai fazer depois de perder licença no comércio – 21/02/2026 – Vinicius Torres Freire

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A Suprema Corte tirou de Donald Trump a “licença para matar” comercial, a liberdade para aumentar à vontade impostos de importação. Era instrumento importante de guerra econômica e de elevar receita. A redução de poder deve ser compensada pelo recurso a outras leis de tributação do comércio exterior —ou a armas reais. De passagem: o Brasil precisa prestar atenção a essa mudança, que pode ser mais perigosa do que o tarifaço de 40 pontos percentuais.

Trump deve ter problemas políticos de curto prazo, até a eleição de novembro, talvez relevantes para a disputa de cadeiras do Congresso. Em tese, também aumentou um pouco o risco de contestação política ou institucional de suas decisões, até aqui quase nulo. No mais, é difícil acreditar em mudança no conflito comercial ou no programa protecionista e intervencionista do governo americano e em efeitos maiores no desempenho do comércio e da economia mundiais, pequenos até agora.

A Suprema Corte decidiu que um presidente não tem o direito de aumentar imposto de importação com base na Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência (IEEPA), a que Trump recorria para mudar tarifas à vontade e em minutos. Era guerra por outros meios.

Dá o que pensar como Trump, sem a IEEPA, vai chantagear outros países. Decerto poderá mexer em tarifas, mas com base em leis que limitam prazo e tamanho do aumento de impostos, exigem processos mais complicados ou autorização do Congresso e dificultam a discriminação de países. Em vez de bombas, terá à disposição algo mais parecido com veneno de ação lenta.

Verdade é que as ameaças tarifárias eram cada vez mais vazias. Trump latiu tarifaços contra países que vendessem petróleo a Cuba, fizessem negócios com o Irã ou que se opusessem à entrega da Groenlândia, mas não mordeu. Recuou por causa de reações dos mercados financeiros e do risco de alta de preços. Ainda assim, tinha bala na agulha. O que vai fazer agora? Dar mais tiros reais?

Nos EUA, talvez a decisão da Suprema Corte inspire algum movimento de contestação política e legal de Trump. Pode advir também um problema do fato de que Trump quer encrencar a devolução de mais de US$ 133 bilhões em impostos recolhidos ilegalmente, o que afeta centenas de milhares de empresas, a maioria pequena. Além do mais, pode ser que o Congresso tenha de votar em julho a prorrogação da tarifa geral de 15%, decretada no sábado por Trump. Tudo isso pode atrapalhar os republicanos na eleição. No entanto, passam a vigorar neste ano descontos relevantes de IR para os americanos.

O tamanho do comércio mundial foi pouco afetado pelo ano de grande tumulto trumpista; não deve ser pior, agora. Deve ter crescido 2,5%, em 2025, em volume, segundo a OMC. A média desde 2011 (após o fim do tumulto da crise que começou em 2008) foi de 2,1% ao ano. A economia americana cresceu 2,2% em 2025, menos do que os 2,8% de 2024. Mas até meados do ano passado se discutia recessão; a Eurozona cresceu só 1,5%.

O protecionismo e as intervenções do governo dos EUA vão durar. Proteções e favores estatais, uma vez concedidos, se entrincheiram politicamente. Joe Biden (2021-24) não cancelou políticas de Trump 1. O establishment “big tech”, entre outras “bigs”, gostou da geoeconomia de Trump e se acomoda a seu capitalismo de compadres mafioso.

O veneno de Trump agirá no longo prazo, a não ser em caso de grande derrota política nos fronts doméstico e externo.


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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