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3 de junho de 2026

OCDE projeta crescimento menor devido à guerra no Irã – 03/06/2026 – Economia

OCDE projeta crescimento menor devido à guerra no Irã – 03/06/2026 – Economia

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A guerra no Oriente Médio provocará um crescimento menor e uma inflação maior no mundo em 2026, devido aos seus efeitos no encarecimento da energia e dos fertilizantes, anunciou a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)) nesta quarta-feira (3).

Em seu relatório atualizado, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, com sede em Paris, reduz suas projeções de março, mas estabelece duas hipóteses diante da evolução “incerta” do conflito e suas consequências.

O crescimento passará de 3,4% em 2025 para 2,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026 caso as perturbações sejam “limitadas” no tempo, mas a desaceleração pode ser mais intensa este ano, até 2,1%, se os problemas persistirem até 2027. Em março, a organização havia projetado um resultado de 2,9%.

“O choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio é real e grave. Está gerando um aumento dos custos e da incerteza para as famílias e as empresas em todo o mundo”, afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, ao apresentar o relatório, que recebeu o título “Sob pressão”.

EFEITOS DURADOUROS

A guerra iniciada em 28 de fevereiro contra o Irã por Israel e Estados Unidos abalou a economia mundial, em particular com o bloqueio que Teerã impôs ao estreito de Hormuz, crucial para o transporte marítimo de petróleo e gás natural.

Após o anúncio de um frágil cessar-fogo em 8 de abril, as negociações indiretas para tentar acabar com a guerra entre Washington e a República Islâmica estão paralisadas há várias semanas.

Mas “os efeitos econômicos deste conflito provavelmente serão sentidos durante bastante tempo, inclusive após o fim” e “em todas as partes, devido às interconexões nas cadeias de abastecimento mundiais e à integração dos mercados energéticos globais”, aponta o relatório.

Muito dependentes das importações procedentes do Oriente Médio, as economias asiáticas estão entre as mais afetadas, assim como os países em desenvolvimento e as nações do Golfo.

Na América Latina, que “não é uma das regiões mais afetadas pelo conflito”, seus efeitos são sentidos no aumento dos rendimentos dos títulos soberanos a 10 anos e dos preços de fertilizantes, segundo Aida Caldera, do departamento de Economia da OCDE.

“Estes fertilizantes são um insumo-chave para a agricultura e se estes aumentos persistirem no tempo, (…) poderiam se trasladar gradualmente para custos maiores de produção e, em última instância, para preços maiores dos alimentos”, adverte.

VIGILÂNCIA

A OCDE, no entanto, prioriza a perspectiva de uma solução negociada para o conflito, com perturbações limitadas. Nesse cenário, a organização projeta um crescimento de 2% para a economia dos Estados Unidos em 2026.

A China, por sua vez, cresceria 4,5% este ano, em um ritmo menor que o registrado pela Índia (6,3%). A expansão da economia da zona do euro seria de 0,8%, com a Espanha (2,2%) à frente da Alemanha e da França, ambas com 0,7%.

O relatório aumenta a previsão de crescimento para o Brasil em 2026 (1,6%, +0,1 na comparação com março), enquanto mantém inalterada a projeção para a Argentina, a 2,8%, e reduz a do México para 1,3% (-0,5).

Neste cenário, a organização calcula que a inflação anual no grupo das economias do G20 deve passar de 3,4% em 2025 para 4% em 2026, antes de desacelerar para 3,1% em 2027, com uma moderação dos preços da energia e dos alimentos.

No entanto, diante das incertezas, a OCDE recomenda limitar o prazo das medidas de apoio às famílias e empresas e não generalizá-las, para conter seu impacto nos orçamentos nacionais e em caso de necessidade de medidas de estímulo “adicionais”.

REDUZIR A DEPENDÊNCIA

A OCDE faz um apelo para que países os reduzam a dependência das importações de hidrocarbonetos (base de combustíveis como óleo diesel e gasolina) e diversifiquem suas fontes de energia, fatores que, nas palavras do economista-chefe da organização, Stefano Scarpetta, permitiram que a Espanha, por exemplo, “resistisse a esta crise energética talvez melhor do que outros países europeus”.

“Ampliar a capacidade nuclear (…) pode fornecer energia confiável e de baixa emissão que complemente as renováveis e cubra o aumento da demanda derivada das tecnologias digitais”, destacou Cormann.

A organização também pede aos bancos centrais que mantenham a “vigilância”, por considerar “necessário” um ajuste da política monetária “se forem observados indícios de uma generalização das pressões sobre os preços (…) ou sinais de uma moderação importante do crescimento”.

Tudo isso porque, em um cenário de falta de acordo entre Estados Unidos e Irã, a escassez de oferta impactaria não apenas o setor agrícola e os preços dos alimentos, mas também “determinados setores de crescimento da economia mundial, como a IA”, alerta a OCDE.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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