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11 de janeiro de 2026

Onde investir em 2026? Veja os ativos indicados – 11/01/2026 – Economia

Onde investir em 2026? Veja os ativos indicados – 11/01/2026 – Economia

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O ano de 2026 guarda a promessa de juros mais baixos, inflação controlada e volatilidade em meio à corrida pela Presidência —fatores que podem impor cautela ao investidor brasileiro. Mas, se posicionada de forma estratégica, a carteira pode combinar segurança e rentabilidade, segundo especialistas ouvidos pela Folha.

“Será um ano de transição, marcado pela busca de equilíbrio entre captura de oportunidades e gestão de riscos”, resume a equipe de analistas da XP no relatório “Onde Investir em 2026”.

A renda fixa continuará sendo o carro-chefe dos investimentos. Mesmo com a previsão de juros mais baixos, a modalidade pós-fixada —que acompanha a variação da Selic ou do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), seu equivalente no mercado privado— continua tendo parte relevante nas carteiras, ainda que menor do que em 2025.

Segundo os analistas da XP, é possível aproveitar o rendimento acumulado da Selic até o vencimento dos contratos. “Essa classe continua sendo um pilar defensivo dos portfólios, principalmente os de menor volatilidade”, afirmam.

A taxa Selic, hoje em 15% ao ano, deve ter o ciclo de cortes iniciado ainda neste primeiro trimestre. Algumas corretoras apostam que a redução inicial será na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), entre 27 e 28 de janeiro; outras, no encontro de março. A expectativa é que a taxa encerre 2026 em torno de 12%, um patamar que ainda mantém o Brasil como “o país da renda fixa”, afirma Carla Beni, economista e professora da FGV.

“Mesmo que haja uma queda da Selic, a inflação também está projetada em níveis baixos, em torno de 3,8% e 4%. Isso garante a segurança e o ganho real, mesmo que um pouco menor”, diz Beni.

Para quem procura taxas elevadas no longo prazo, o conselho é aproveitar os prefixados rodando em torno de 13% ao ano. É preciso, porém, que o investidor tenha tolerância à marcação ao mercado, isto é, quando a oscilação do CDI ora ultrapassa, ora fica abaixo da taxa fixa durante o prazo contratado. Essa dinâmica pode causar desconforto em quem é mais conservador, e a dica é levar o investimento até o fim do prazo para não sofrer prejuízo com retiradas antecipadas.

Aplicações em títulos que acompanham a variação da inflação também seguem indicadas —a carteira do Itaú, por exemplo, está apostando mais nessa categoria do que nas demais de renda fixa. A preferência das casas de análise consultadas pela reportagem é por vencimentos intermediários, em torno de seis anos, devido à perspectiva de que a política fiscal do país seguirá pressionando a inflação.

As alocações em renda fixa também são uma espécie de movimento defensivo contra a volatilidade da corrida presidencial de 2026. Anos de eleição costumam ser marcados por turbulências nos mercados, à medida que os investidores tentam antever qual será a postura do governo eleito —se pró-mercado, com medidas de redução dos gastos do Estado, se expansionista do ponto de vista das despesas.

“Vai ter algum ruído político [causado pelas eleições presidenciais] no mercado, mas não precisamos ter pressa para se posicionar [na renda fixa]”, diz Nicholas McCarthy, diretor de estratégia de investimentos do Itaú.

As turbulências são esperadas especialmente para a renda variável. Um exemplo dessa movimentação ocorreu no dia 5 de dezembro, quando o anúncio da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o dólar disparar 2% e a Bolsa desabar 4%. O entendimento dos operadores foi que, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa, o nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito da Faria Lima para o pleito, estaria enfraquecido, o que favoreceria a reeleição do governo Lula (PT), visto como expansionista.

Ainda assim, a recomendação é não deixar de investir em Bolsa, que acumulou alta de mais de 30% em 2025 —muito acima do CDI e das previsões de economistas no apagar das luzes de 2024. O impulso veio da estratégia de diversificação dos investidores estrangeiros para mercados fora dos Estados Unidos. Os emergentes receberam uma boa parte desses recursos, e o Brasil surfou na tendência.

O planejador financeiro Edson Cerqueira, da Planejar, diz que empresas ligadas à economia doméstica e pagadoras de dividendos podem ser destaque, beneficiadas pela queda gradual dos juros e pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) estimado em 1,8%.

Para 2026, a diversificação tende a continuar, e “os investidores estrangeiros provavelmente vão aumentar a participação na Bolsa brasileira assim que o primeiro corte da Selic acontecer”, diz McCarthy, que afirma que o Itaú aumentou a alocação na Bolsa brasileira em novembro. A exposição se dá, principalmente, via fundos de ações e de ETFs (fundos de índice, na sigla em inglês, que copiam a performance de um índice como o Ibovespa).

A projeção é que o Ibovespa continue subindo. Para a XP, o patamar justo ao fim de 2026 é 185 mil pontos. O cenário mais pessimista projeta o índice em torno de 151 mil pontos; o mais otimista, 220 mil pontos.

Já em relação ao dólar, a expectativa do mercado é que ele continue se desvalorizando globalmente, como ocorreu em 2025. “Com os investidores globais reduzindo a exposição ao dólar, é conservador ter uma carteira diversificada com outras moedas e até um pouco de ouro”, diz Gina Baccelli, estrategista sênior de investimentos do Itaú.

No Brasil, porém, a coisa muda de figura. Se o dólar continuar caindo no mundo todo, explica ela, esse também será o movimento aqui. “As eleições criam muito ruído, mas não mudam a tendência. No máximo, vão fazer o dólar ficar estável no fim do ano em relação a dezembro de 2025”, afirma. Não à toa, a maioria das casas de análise projeta a moeda em torno de R$ 5,50 no fim de 2026.

No entanto, se o dólar subir globalmente, as eleições deverão pesar na conta e fazer a valorização ser mais acentuada no Brasil, diz ela. “O cenário internacional vai ditar o rumo da economia doméstica.”



Fonte.:Folha de S.Paulo

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