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28 de janeiro de 2026

ONGs pedem prazo para fim de leilões de petróleo – 28/01/2026 – Ambiente

ONGs pedem prazo para fim de leilões de petróleo – 28/01/2026 – Ambiente

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Organizações ambientalistas pedem ao governo um calendário para encerrar os leilões de áreas de petróleo no Brasil, o fim progressivo dos subsídios aos combustíveis fósseis e a criação de zonas de exclusão para a atividade petrolífera, incluindo a margem equatorial.

As medidas são parte de uma proposta da sociedade civil para o mapa do caminho para o fim do uso de combustíveis fósseis que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se comprometeu a apresentar após a COP30, em Belém.

Segundo despacho assinado por Lula em dezembro, os primeiros mecanismos para a elaboração desse mapa devem ser apresentados ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) até o início do próximo mês. Não há, porém, notícias sobre o andamento dos trabalhos no governo.

A proposta das organizações que são parte do Observatório do Clima, rede com mais de uma centena de entidades socioambientais, defende que a política petrolífera brasileira deixe de perseguir a maximização da produção e passe a operar sob o princípio da produção mínima necessária, utilizando campos já existentes para atender à demanda doméstica.

Hoje, o país exporta cerca de metade da sua produção, o que levou o petróleo a ser o principal item da pauta de exportações brasileiras nos dois últimos anos. Ainda assim, o setor defende a abertura de novas fronteiras para evitar o declínio esperado na produção a partir de 2030.

O Observatório do Clima sugere que o governo realize um cálculo oficial da produção mínima de petróleo necessária para atender à demanda nacional, considerando apenas atividades que não consigam substituir integralmente os derivados fósseis no curto e médio prazo.

“O Brasil precisa de progressos reais para se engajar de vez na eliminação dos combustíveis fósseis. Se o governo se limitar à esfera narrativa não sairemos do lugar, e no setor de energia isso tem ocorrido”, afirma Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima.

A organização defende também a criação de zonas de exclusão permanente para petróleo e gás em áreas socioambientalmente sensíveis, com menção direta à margem equatorial, especialmente na bacia Foz do Amazonas.

A região é a principal aposta do governo e das petroleiras para a renovação das reservas brasileiras. Em 2025, após anos de resistência da área ambiental, o governo Lula aprovou a primeira licença para perfuração de um poço em águas profundas na costa do Amapá.

O processo foi iniciado pela Petrobras em outubro, mas interrompido no início de janeiro de 2026 após um vazamento de fluido de perfuração. A estatal disse ao Ibama na semana passada que está reparando as linhas responsáveis pelo vazamento, mas ainda não deu data para o reinício da operação.

O documento questiona ainda incentivos fiscais à indústria do petróleo. Em 2024, segundo as entidades, os subsídios federais aos combustíveis fósseis somaram R$ 47 bilhões, valor classificado como desalinhado com a transição energética e com o esforço fiscal do governo.

“A desigualdade gerada pela expansão fóssil não é só regional ou social —é intergeracional: ganhos concentrados agora; custos climáticos, sanitários e fiscais para nossos filhos”, afirma Nicole Oliveira, diretora do Instituto Arayara.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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