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15 de janeiro de 2026

Os 100 anos do pioneiro do montanhismo brasileiro – 14/01/2026 – É Logo Ali

Os 100 anos do pioneiro do montanhismo brasileiro – 14/01/2026 – É Logo Ali

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O paulistano filho de italianos Domingos Giobbi (1925-2013) não é considerado pioneiro do montanhismo brasileiro à toa. Ele, que em 1959 fundou o CAP (Clube Alpino Paulista), dedicou boa parte de sua vida a mapear, estudar e conquistar mais de 20 cumes virgens de mais de 5 mil metros de altitude da então ainda quase desconhecida Cordilheira Branca, uma subcordilheira dos Andes de 180 quilômetros de comprimento localizada no Peru. E —o mais importante— fez questão de passar a várias gerações de montanhistas o máximo de informação e formação sobre suas jornadas, principalmente nas aulas e palestras promovidas pelo clube.

Se era um irrequieto e multifacetado engenheiro, músico, colecionador de artistas como Volpi e Tarsila do Amaral, velejador e atleta, foi no montanhismo que deixou seu maior legado. Legado que virou o livro escrito por seu admirador e discípulo Cícero Augusto Vieira Neto, que com ele conviveu desde os 16 anos, quando fez seu primeiro curso no CAP.

“Giobbi era extremamente meticuloso e se preocupava em registrar suas descobertas, seja através de escrita, fotografia ou mapas, contribuindo para o conhecimento coletivo”, conta Vieira Neto na apresentação de seu livro, “O Centenário de Domingos Giobbi e o Nascimento da Aventura Brasileira em Alta Montanha”.

As viagens de Giobbi aos Andes começaram em 1952, conta o autor. Ele subiu o Aconcágua, ponto mais alto do continente americano, com 6.961 metros, poucas semanas após os primeiros brasileiros —Orlando Lacorte e Ricardo Menescal— chegarem lá.

Mas, embora o Aconcágua ainda não fosse o destino de centenas de andinistas que é hoje, Giobbi queria seguir a tradição dos grandes alpinistas de sua época, a conquista de montanhas virgens, na época ainda numerosas nos Andes. Desde sua primeira expedição para a Cordilheira Branca, em 1959, aquele passou a ser seu universo ao longo de toda a sua vida de montanhista, até 1972. E são os relatos minuciosamente registrados por ele de cada conquista que Vieira Neto reune no livro, a partir dos arquivos aos quais teve acesso e que revelam os detalhes de seu planejamento, de cada passo e cada perrengue pelos caminhos nevados.

“Ele sempre demonstrou respeito e interesse genuíno pelas culturas e comunidades encontradas ao longo de suas jornadas, buscando entender suas tradições e modos de vida, impulsionado por um desejo pessoal e profundo de explorar, mais do que por recompensas externas ou reconhecimento”, descreve Vieira Neto. “O Domingos Giobbi que conheci era alguém que não apenas explorou novos territórios, mas

também expandiu os limites do conhecimento”, acrescenta.

E ninguém melhor para definir o montanhista Giobbi que o próprio montanhista Giobbi, que se diz “um ser que, hipercrítico de si mesmo, encontrará motivos de felicidade quando conseguir vencer provas, consideradas por ele difíceis e arriscadas. Vencer o medo que às vezes existe, apesar da experiência. Jogar com a vida por façanhas, que ele e outros poucos acham importantíssimas. Dar a vida em troca do nada, do anonimato. É um sentir-se herói sem fanfarra e propaganda, mas sentir-se ser humano, neste mundo já cheio de conforto e segurança. Saborear o valor e a alegria de viver, quando momento antes quase a perdeu”.

Serviço

  • “O Centenário de Domingos Giobbi e o Nascimento da Aventura Brasileira em Alta Montanha”, 60 págs.
  • Editora Clube Alpino Paulista
  • Onde comprar Clube Alpino Paulista e Amazon
  • Quanto R$ 50 e R$ 9,99 (e-book)


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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