8:09 AM
29 de novembro de 2025

Os novos e múltiplos desafios da produção vinícola

Os novos e múltiplos desafios da produção vinícola

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O vinho atravessa um dos períodos mais complexos de sua história.

Se por um lado nunca se produziu com tanta diversidade e qualidade, por outro, está mais difícil fazer vinho e vendê-lo.

As pressões vêm de todos os lados: da natureza, da economia, da sociedade e do próprio consumidor.

Essa bebida precisa lutar para continuar relevante em um mundo que muda depressa demais. O aquecimento global é o desafio mais visível.

As vinhas, sensíveis como poucos organismos agrícolas, sofrem com o aumento das temperaturas.

Geadas tardias, incêndios e secas tornaram-se parte da rotina em Bordeaux, Califórnia e Mendoza.

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O mapa do vinho está mudando, e regiões como Inglaterra e Dinamarca, antes impensáveis, começam a produzir brancos e espumantes.

A falta de água é outra ameaça. A irrigação, antes um tabu, tornou-se necessária em várias denominações.

Mas o recurso é escasso, e o setor enfrenta pressões para reduzir o consumo e adotar práticas sustentáveis.

A falta de mão de obra para as colheitas tornou-se problema estrutural, especialmente em países onde o trabalho rural é desvalorizado.

A mecanização ajuda, mas não substitui o toque humano. No mercado, o cenário é igualmente difícil.

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Custos de produção disparam: energia, garrafas, rolhas, transporte.

A concentração de poder nos grandes grupos sufoca pequenos produtores, que dependem de consumidores atentos à autenticidade.

Talvez o desafio mais profundo seja cultural. As novas gerações bebem menos.

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O vinho disputa espaço com cervejas artesanais, coquetéis prontos e bebidas sem álcool.

Jovens preocupados com saúde e sustentabilidade tendem a consumir com mais consciência e menos frequência.

É um público que rejeita o tom professoral e o jargão técnico que ainda dominam o discurso do vinho. O setor precisa aprender a falar outra língua.

Em resposta, surgem rótulos naturais, orgânicos, biodinâmicos, veganos ou de baixo teor alcoólico.

Há quem veja neles um modismo; outros, a salvação.

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O certo é que o futuro do vinho passará por sustentabilidade, rastreabilidade e inclusão.

Os produtores que souberem unir tradição e inovação estarão mais bem preparados para as mudanças que não param de chegar.

vinhos
Sugestões de rótulosReprodução/Divulgação

José Zuccardi Malbec 2016: malbec com um toque de cabernet sauvignon, de vinhedos em Altamira e Gualtallary, no valle de Uco (Mendoza). Estagia por 24 meses em tonéis usados de carvalho. Aromas de frutas negras, notas florais, ervas e especiarias. Na boca, é encorpado, com taninos firmes e final persistente. Potente e sofisticado. R$ 709,90 na Grand Cru.

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Pangea Syrah 2018: da vinã ventisquero, 100% syrah do nobre vale de Apalta, no Chile. Passa 22 meses em madeira, sendo 90% do volume em barricas borgonha e 10% em tonéis. Aroma de fruta madura, especiarias doces e picantes, fundo mineral. Paladar encorpado, taninos finos e ainda presentes, acidez boa. Grande syrah. R$ 449,90 na Wine.

Publicado em VEJA São Paulo de 28 de novembro de 2025, edição nº 2972.

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Fonte.: Veja SP Abril

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