O vinho atravessa um dos períodos mais complexos de sua história.
Se por um lado nunca se produziu com tanta diversidade e qualidade, por outro, está mais difícil fazer vinho — e vendê-lo.
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As pressões vêm de todos os lados: da natureza, da economia, da sociedade e do próprio consumidor.
Essa bebida precisa lutar para continuar relevante em um mundo que muda depressa demais. O aquecimento global é o desafio mais visível.
As vinhas, sensíveis como poucos organismos agrícolas, sofrem com o aumento das temperaturas.
Geadas tardias, incêndios e secas tornaram-se parte da rotina em Bordeaux, Califórnia e Mendoza.
O mapa do vinho está mudando, e regiões como Inglaterra e Dinamarca, antes impensáveis, começam a produzir brancos e espumantes.
A falta de água é outra ameaça. A irrigação, antes um tabu, tornou-se necessária em várias denominações.
Mas o recurso é escasso, e o setor enfrenta pressões para reduzir o consumo e adotar práticas sustentáveis.
A falta de mão de obra para as colheitas tornou-se problema estrutural, especialmente em países onde o trabalho rural é desvalorizado.
A mecanização ajuda, mas não substitui o toque humano. No mercado, o cenário é igualmente difícil.
Custos de produção disparam: energia, garrafas, rolhas, transporte.
A concentração de poder nos grandes grupos sufoca pequenos produtores, que dependem de consumidores atentos à autenticidade.
Talvez o desafio mais profundo seja cultural. As novas gerações bebem menos.
O vinho disputa espaço com cervejas artesanais, coquetéis prontos e bebidas sem álcool.
Jovens preocupados com saúde e sustentabilidade tendem a consumir com mais consciência e menos frequência.
É um público que rejeita o tom professoral e o jargão técnico que ainda dominam o discurso do vinho. O setor precisa aprender a falar outra língua.
Em resposta, surgem rótulos naturais, orgânicos, biodinâmicos, veganos ou de baixo teor alcoólico.
Há quem veja neles um modismo; outros, a salvação.
O certo é que o futuro do vinho passará por sustentabilidade, rastreabilidade e inclusão.
Os produtores que souberem unir tradição e inovação estarão mais bem preparados para as mudanças que não param de chegar.

José Zuccardi Malbec 2016: malbec com um toque de cabernet sauvignon, de vinhedos em Altamira e Gualtallary, no valle de Uco (Mendoza). Estagia por 24 meses em tonéis usados de carvalho. Aromas de frutas negras, notas florais, ervas e especiarias. Na boca, é encorpado, com taninos firmes e final persistente. Potente e sofisticado. R$ 709,90 na Grand Cru.
Pangea Syrah 2018: da vinã ventisquero, 100% syrah do nobre vale de Apalta, no Chile. Passa 22 meses em madeira, sendo 90% do volume em barricas borgonha e 10% em tonéis. Aroma de fruta madura, especiarias doces e picantes, fundo mineral. Paladar encorpado, taninos finos e ainda presentes, acidez boa. Grande syrah. R$ 449,90 na Wine.
Publicado em VEJA São Paulo de 28 de novembro de 2025, edição nº 2972.
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Fonte.: Veja SP Abril


