Um padre da Diocese de Caratinga, em Minas Gerais, ameaçou negar a Eucaristia — o sacramento central da fé católica — aos fiéis que apoiassem o posicionamento do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em relação ao vale gás.
“Se você concorda com o Nikolas e não quer dar um botijão de gás para o pobre, por favor saia da igreja agora. Você não merece receber a Eucaristia”, afirmou o sacerdote no altar durante missa deste domingo (8) no município mineiro de Córrego Novo.
O vídeo circulou rapidamente pelas redes sociais, e Nikolas publicou vídeo rebatendo as falas do padre. “Heresia em nível máximo”, disse o parlamentar, ao afirmar que o padre condicionou a Eucaristia, que dentro da igreja católica é o momento de maior comunhão com Cristo, ao fato de o fiel apoiar, ou não, um político.
“Preciso lembrar as pessoas que sou um simples deputado federal”, disse Nikolas, ao questionar o motivo de não ver sacerdotes como esse de Córrego Novo utilizarem o altar de suas paróquias para alertar a comunidade a respeito de o aborto significar a morte de bebês no ventre, por exemplo.
No entanto, segundo Nikolas, o padre fez questão de usar o espaço sagrado para criticar um voto contrário ao vale gás que, segundo ele, é um projeto “populista” apresentado estrategicamente em ano eleitoral apenas para obter votos e causar a dependência da população.
“A gente sabe que o governo federal faz isso há 20 anos”, afirmou, ao citar que a ação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “não se trata de caridade, como a igreja faz, mas de assistencialismo para poder escravizar as pessoas”. O programa Gás do Povo é uma das bandeiras eleitorais de Lula este ano e foi aprovado pela Câmara dos Deputados na última segunda-feira (2) com 415 votos a favor, 29 contra e duas abstenções. O Senado aprovou a medida no dia seguinte.
Diocese de Caratinga se manifesta e sacerdote pede perdão sobre fala envolvendo Nikolas
A Diocese de Caratinga se manifestou ainda neste domingo (8) e afirmou que a atitude do padre não representa o posicionamento da Igreja, mas um fato isolado durante a celebração da Missa na Paróquia Santa Efigênia.

“A Igreja Católica de nossa Diocese de Caratinga reafirma seu compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões”, afirmou a nota, ao pontuar que “o ambiente litúrgico deve ser, primordialmente, um espaço de acolhida, paz e oração, onde todos os fiéis se sintam integrados à comunhão de Cristo, independentemente de suas convicções políticas individuais”.
Ainda segundo o pronunciamento, o sacerdote expressa “profundo arrependimento” e pede perdão à comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos ou excluídos por suas palavras.
“A Igreja ensina que a Eucaristia é o sacramento da unidade e não deve ser utilizada como instrumento de divisão ou segregação”, esclareceu a Diocese.
Fonte. Gazeta do Povo


