(FOLHAPRESS) O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), manteve ao longo de 2025 o discurso público de que concluiria seu quarto mandato, em 2028. No mesmo período, porém, foi chamado em tom jocoso de “mentiroso” por um aliado e cometeu um ato falho que revelou aquilo que, aos poucos, passou a reconhecer com mais franqueza nos bastidores.
Paes pretende deixar o cargo em março para disputar o Governo do Rio de Janeiro. As articulações políticas avançam em um cenário de incertezas na política fluminense, marcado pela expectativa em torno dos desdobramentos das investigações da Polícia Federal e da possibilidade de uma eleição indireta, diante da iminente renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para concorrer ao Senado.
Ao longo do ano passado, o prefeito buscou preparar a transição para o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). Com o objetivo de assegurar aos aliados que não haverá rupturas, o futuro prefeito participou de boa parte das conversas sobre as eleições deste ano, que podem se refletir na nova composição da prefeitura.
Paes também passou a dar sinais públicos de sua futura candidatura. Investiu na divulgação da atuação do município na área de segurança pública, tema que tende a ser central na campanha. Anunciou a construção de terminais de corredores de ônibus voltados à Baixada Fluminense, destacando os benefícios para moradores da região metropolitana, eleitorado do qual busca se aproximar.
Em viagens ao interior do estado, passou a usar um chapéu de vaqueiro, em substituição ao tradicional chapéu panamá que segue utilizando em aparições no Rio de Janeiro. No Réveillon, além das imagens das praias cariocas que costuma publicar nas redes sociais, divulgou vídeos do litoral de cidades da Região dos Lagos.
O prefeito tem mantido conversas com MDB e PP para atrair partidos que hoje integram a aliança de Cláudio Castro. O objetivo é ampliar sua capilaridade no interior do estado e, assim como na eleição de 2024, reduzir a associação direta de sua candidatura ao presidente Lula e, sobretudo, ao PT, em um estado de perfil majoritariamente bolsonarista. Um dos nomes cotados para a vice é Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, embora a definição deva ficar para meados do ano.
As negociações avançaram em meio às incertezas sobre quem será o nome do governo para a sucessão no Palácio Guanabara, após as investigações envolvendo o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil). O presidente afastado da Alerj era um dos nomes mais fortes para a disputa, após se aproximar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas foi afastado do cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob suspeita de vazamento de informações sobre operações contra o ex-deputado estadual TH Joias, apontado como ligado ao Comando Vermelho.
As investigações acrescentaram mais um elemento de instabilidade ao cenário político avaliado por Paes. O enfraquecimento de Bacellar reabriu o debate sobre quem será o futuro “governador-tampão” a assumir o estado após a provável renúncia de Castro, também prevista para março, para disputar o Senado.
Paes acompanha essas discussões, mas não pretende indicar um nome. O preferido de Castro, o secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, é visto como uma opção de transição, ainda que cercada de desconfianças. De perfil técnico, ele é considerado alguém sem ambições políticas para tentar se manter no cargo até outubro.
No âmbito municipal, Paes tem delegado cada vez mais a gestão cotidiana ao vice-prefeito. Cavaliere passou a participar dos principais anúncios da prefeitura, em um movimento que aliados descrevem como uma transição contínua até março.
Um desses momentos ocorreu durante a divulgação do Plano Estratégico 2025–2028, coordenado por Cavaliere, no Parque Olímpico da Barra. Foi ali que Paes cometeu o ato falho.
“O vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, vai tirar de mim uma marca que era minha, a de prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro. Eu assumi aos 38, ele vai assumir aos 30, 31 anos de idade”, afirmou, em agosto.
Em seguida, Paes tentou minimizar a declaração, dizendo que se referia ao fato de o vice assumir interinamente durante uma viagem internacional já programada. Cavaliere, no entanto, já havia ocupado o cargo de prefeito interino em outras ocasiões semelhantes, o que esvaziou o argumento de ineditismo.
O episódio ocorreu meses depois de uma brincadeira do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, à Folha, ao comentar a resistência de Paes em assumir publicamente a pré-candidatura. “Mas você sabe que ele é mentiroso, né?”, disse.
Aliados do prefeito avaliam que não haverá desgaste político relevante. Lembram que, em 2024, Paes prometeu, pela Portela e pelo Vasco, seu time do coração, que não renunciaria para disputar outro cargo. Segundo eles, pesquisas internas indicam que o eleitorado deseja que o prefeito concorra ao governo do estado, que enfrenta uma crise financeira e sérios problemas na área de segurança pública.

O abono salarial é destinado a trabalhadores da iniciativa privada, no caso do PIS, e a servidores públicos, no caso do Pasep. Para ter direito, é necessário ter exercido atividade remunerada formal por pelo menos 30 dias no ano-base, estar inscrito no programa há, no mínimo, cinco anos e ter os dados corretamente informados pelo empregador
Folhapress | 08:15 – 12/01/2026
Fonte. Noticias ao minuto


