O papa Leão 14 usou esta quarta-feira (22), último dia de sua viagem por quatro países da África, para criticar a desigualdade de renda e pedir que fiéis ajudem a reduzir a distância entre ricos e pobres. O discurso foi feito durante sua passagem pela Guiné Equatorial, país abundante em petróleo.
O pontífice, o primeiro americano a liderar a Igreja Católica, tem irritado Donald Trump por suas críticas à campanha militar americana no Oriente Médio. O papa também visitará uma prisão de alta segurança que, segundo grupos de direitos humanos, abriga presos políticos em condições abusivas.
A agenda do líder religioso começou começou com um voo de cerca de 325 km entre Malabo, na ilha de Bioko, no Golfo da Guiné, e Mongomo, na fronteira com o Gabão, próxima à floresta da bacia do Congo.
Em uma missa na Basílica da Imaculada Conceição, maior estrutura religiosa da África Central, o pontífice pediu à população do país que “sirva ao bem comum em vez de interesses privados”, para diminuir as distâncias “entre os privilegiados e os desfavorecidos”.
O papa também criticou o tratamento precário de “prisioneiros que frequentemente são obrigados a viver em condições higiênicas e sanitárias preocupantes”. O Vaticano informou que cerca de 100 mil pessoas se reuniram dentro e fora do local para ver o pontífice.
A multidão se concentrou ao redor de uma colunata inspirada na Praça de São Pedro, no Vaticano, e celebrou a chegada do papamóvel branco com gritos e danças. Organizadores lançaram fumaça nas cores dourada, branca, verde e vermelha, em referência às bandeiras do Vaticano e da Guiné Equatorial.
A ida a Mongomo foi a primeira de três etapas de um dia de agenda intensa, que ainda inclui visita a Bata, na costa oeste.
PAPA OUVIRÁ PRISIONEIROS
A Guiné Equatorial, governada desde 1979 pelo ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o líder mais longevo do mundo, é apontada como um dos regimes mais repressivos da região.
Obiang, que nega acusações de abusos de direitos humanos e corrupção, participou dos eventos ao lado do papa em Mongomo, assim como seu filho, o vice-presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue. Mais de 70% da população de 1,8 milhão de habitantes da Guiné Equatorial se identifica como católica.
Leão é o primeiro papa a visitar a Guiné Equatorial desde 1982 e encerra uma das viagens internacionais mais complexas já realizadas por um pontífice: foram cerca de 18 mil km percorridos, em 18 voos, com passagens por 11 cidades em quatro países.
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Ainda nesta quarta, o papa deve visitar um centro de detenção de segurança máxima em Bata. Segundo a Anistia Internacional, a unidade é uma das três do país onde presos podem permanecer por anos sem acesso a advogados. O governo rejeita as críticas e afirma que o país vive sob uma democracia aberta.
A expectativa é que Leão ouça relatos de detentos antes de se pronunciar.
Leão também visitará um local em Bata onde, em 2021, uma série de explosões em um quartel matou mais de 100 pessoas. O governo atribuiu o episódio ao armazenamento inadequado de munições, mas organizações de direitos humanos pedem, sem sucesso, uma investigação independente.
Fonte.:Folha de S.Paulo


