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10 de janeiro de 2026

Para o futebol, ataque dos EUA à Venezuela tem efeito nulo – 05/01/2026 – O Mundo É uma Bola

Para o futebol, ataque dos EUA à Venezuela tem efeito nulo – 05/01/2026 – O Mundo É uma Bola

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­­­­­­­Com o ataque dos EUA à Venezuela, que resultou na deposição do ditador Nicolás Maduro, os interessados em futebol certamente estão perguntando: o que muda?

A resposta imediata e inicial é: nada.

Nada? A Fifa, entidade máxima do futebol, que decidiu punir a Rússia de Vladimir Putin devido à invasão da Ucrânia (em 2022), com a exclusão da seleção russa de amistosos nas datas que ela reserva, não fará nada em relação aos Estados Unidos de Donald Trump?

Não, não fará. Por quê? Porque as situações são distintas.

De imediato, países tomaram partido da Ucrânia, discordando das ações bélicas de Moscou, e passaram a se recusar a jogar contra a Rússia. Dessa forma, a participação russa em amistosos, assim como nas Eliminatórias europeias –organizadas pela Uefa– inviabilizaram-se.

Houve também o fechamento do espaço aéreo russo, o que isolou o país do Ocidente. Não tinha como a logística e a operacionalização funcionarem. Isso afetou também os clubes da Rússia, excluídos de competições europeias (Champions League, Liga Europa).

Poderiam atuar em campo neutro, fora do país? Seria uma alternativa. Só que os times de outras nações não queriam mais enfrentar as agremiações russas. Para ter futebol, é necessário dois adversários. Se um não quer, dois não jogam.

Assim, na prática, mesmo que juridicamente fosse viável e as regras permitissem a seleção da Rússia e os clubes russos jogarem, não funcionaria. O sistema colapsou.

No caso de EUA e Venezuela, até agora nenhum país (confederações nacionais, federações locais ou clubes) se manifestou a favor de um boicote aos norte-americanos pós-ação em território sul-americano.

A questão, por mais grave que seja e por mais que tenha ampla repercussão, é tratada no meio futebolístico como pontual, o que não impede o prosseguimento das atividades.

Pelo que se sabe, tudo continua igual até agora dentro da Venezuela no terreno esportivo. Os clubes continuam funcionando, e o campeonato nacional está marcado para começar no dia 29 de janeiro.

É necessário frisar que o ataque dos EUA é recente, ocorreu há poucos dias, e seus desdobramentos ainda serão conhecidos no decorrer deste mês. É preciso manter a observação para saber se autoridades esportivas venezuelanas adotarão alguma resolução, identificar se o dia a dia de equipes e jogadores será afetado.

Com a seleção venezuelana não se classificou para a Copa do Mundo de 2026, que tem os EUA como principal anfitrião –Canadá e México são as outras sedes–, a maior dúvida relaciona-se à participação dos times da Venezuela nos campeonatos internacionais (Libertadores e Sul-Americana).

A Libertadores começa, em sua fase pré, no dia 3 de fevereiro, com jogos de ida e volta entre o Deportivo Táchira, da Venezuela, e o Strongest, da Bolívia.

Haverá condições de segurança para os visitantes atuarem na Venezuela? Hoje, não há. Pode haver no começo do mês que vem.

Tendo, segue o jogo. Não tendo, a Conmebol, que rege o futebol na América do Sul, tentará realizar o duelo em campo neutro (Colômbia, Peru, Equador). Essa é a solução padrão.

A exclusão dos clubes venezuelanos seria medida drástica, só implantada caso a possibilidade de deslocamento –devido, por exemplo, ao fechamento de aeroportos no país–, torne-se impossível.


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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