10:26 AM
3 de abril de 2026

Páscoa: as razões políticas por trás da condenação de Jesus à cruz

Páscoa: as razões políticas por trás da condenação de Jesus à cruz

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Quadro do século 17, de autor desconhecido, mostra Jesus sendo provocado pouco antes da crucificação

Crédito, Domínio Público

Legenda da foto, Quadro do século 17, de autor desconhecido, mostra Jesus sendo provocado pouco antes da crucificação

    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • Tempo de leitura: 8 min

A condenação à morte na Roma Antiga era, de maneira geral, também uma condenação ao esquecimento — algo desafiado firmemente pela memória de Jesus Cristo, quase 2 mil anos após sua execução.

“Entre os romanos, havia três mortes semelhantes [para os condenados à pena capital]. O indivíduo podia ser queimado, amarrado a um poste; o indivíduo podia ser colocado em uma arena para lutar contra animais selvagens até a morte e o indivíduo podia ser crucificado, como ocorreu com Jesus”, explica o historiador André Leonardo Chevitarese, autor de Jesus de Nazaré: Uma Outra História e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Por que essas mortes são parecidas? Porque não deixam memória sobre o corpo. Em todas, o corpo não existe. Ou é queimado, ou é devorado pelas feras, ou é comido por aves de rapina e animais selvagens”, prossegue o historiador. “São três mortes brutais que significam apagar a memória de alguém, fazer com que não haja no entorno um sepultamento que preserve a memória de alguém.”

Chevitarese vai além: não existiam também processos jurídicos documentando essas condenações. “Senão existiria memória”, conclui.

“Jesus nunca foi julgado, nunca”, diz o pesquisador.



Fonte.:BBC NEWS BRASIL

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