A síndrome das pernas inquietas (SPI) é mais comum do que se imagina e se manifesta como uma mistura de formigamento, coceira interna, pequenos choques ou a sensação incômoda de que algo se move por dentro das pernas. Esses sintomas tendem a piorar quando a pessoa está parada, principalmente à noite, e melhoram ao movimentar as pernas.
Embora seja classificada principalmente como uma condição neurológica, estudos recentes mostram que, em alguns casos, problemas na circulação também podem agravar ou até desencadear o quadro.
Quando os sintomas vão além do sistema nervoso
A SPI surge quando há alterações nos circuitos cerebrais ligados ao movimento e ao controle sensorial. Por isso, muitos pacientes relatam dificuldade para adormecer, acordam várias vezes durante a noite ou precisam se mexer constantemente para aliviar o desconforto.
No entanto, a prática clínica e pesquisas recentes vêm mostrando um ponto importante: a síndrome pode ser intensificada por problemas circulatórios, especialmente em pessoas com varizes, insuficiência venosa crônica, sensação de peso ou inchaço nas pernas.
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Isso acontece porque o acúmulo de sangue nas veias (típico da insuficiência venosa) aumenta a pressão, causa inflamação local e gera um desconforto profundo que pode ser confundido ou somado aos sintomas neurológicos. Nesses casos, tratar apenas a SPI não é suficiente. É preciso identificar se existe também um componente vascular contribuindo para a piora do quadro.
Além disso, quem tem o retorno venoso comprometido costuma relatar sensação de pernas quentes, incômodo ao permanecer sentado por longos períodos e dificuldade para relaxar as pernas no fim do dia. Todos esses sinais pedem uma investigação mais ampla, incluindo avaliação vascular quando os sintomas são associados a sinais de má circulação.
Por que tratar a circulação pode melhorar a síndrome das pernas inquietas
Quando existe insuficiência venosa associada, o tratamento adequado do problema vascular pode reduzir significativamente a intensidade da síndrome.
Melhorar o retorno do sangue nas veias diminui o inchaço, reduz o acúmulo de substâncias inflamatórias e aumenta o conforto nas pernas, o que impacta diretamente a qualidade do sono e alivia os sintomas.
Essa melhora é relatada por muitos pacientes que, após tratar varizes, realizar escleroterapia, usar compressão elástica ou passar por intervenções específicas, têm noites mais tranquilas e menos agitação nas pernas.
No entanto, é importante reforçar que nem sempre essa condição tem origem vascular. A maioria dos casos continua sendo neurológica, por isso o diagnóstico deve ser completo e personalizado.
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A avaliação costuma envolver uma análise detalhada dos sintomas, histórico familiar, níveis de ferritina, qualidade do sono e possíveis fatores agravantes, como uso de certos medicamentos, deficiência de ferro ou distúrbios metabólicos.
Quando há sinais de má circulação, exames vasculares complementares ajudam a identificar se a insuficiência venosa está contribuindo para o quadro.
O caminho para diagnóstico e tratamento eficazes
Como a síndrome das pernas inquietas pode ter múltiplas causas, o diagnóstico correto é fundamental. Em alguns casos, o tratamento envolve suplementação de ferro, ajustes no estilo de vida, medicamentos específicos para o quadro ou terapias voltadas ao sono. Em outros, a chave está no cuidado vascular, que deve ser conduzido por um cirurgião vascular qualificado.
O mais importante é não normalizar sintomas persistentes. Formigamento, necessidade constante de movimentar as pernas e desconforto noturno não fazem parte do envelhecimento natural e não devem ser ignorados.
Com investigação adequada, é possível identificar a origem do problema e adotar um plano terapêutico que realmente faça diferença no dia a dia.
A SPI não é apenas um incômodo noturno, é um sinal do corpo pedindo atenção. Quando olhamos para a condição de forma integrada, considerando tanto o aspecto neurológico quanto o vascular, os resultados tendem a ser muito mais eficazes.
*Andréa Klepacz, cirurgiã vascular, membro da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

Fonte.:Saúde Abril


