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Introdução
A Peste Suína Africana, letal para porcos e sem cura, não infecta humanos, mas representa uma grave ameaça econômica global. Um surto no Brasil, 3º exportador mundial de carne suína, causaria desemprego, queda fiscal e insegurança alimentar, com efeitos em cadeia por toda a cadeia produtiva. Entenda os riscos.
- PSA: Uma “Peste” Exclusiva dos Porcos: Entenda por que essa doença viral, diferente da peste bubônica, não infecta humanos, mas é igualmente devastadora para suínos.
- Vírus Altamente Letal e Único: Saiba como o vírus da Peste Suína Africana causa 100% de mortalidade em rebanhos, com sintomas semelhantes ao Ebola em porcos.
- Transmissão e Ausência de Cura: Descubra as formas de contágio (ácaros, contato, alimentos) e a preocupante falta de vacinas ou tratamentos eficazes.
- Impacto Econômico Global e para o Brasil: Conheça os riscos para a economia mundial e, principalmente, para o Brasil, um dos maiores exportadores de carne suína.
- Reação em Cadeia de Desastres: Entenda como um surto no país poderia gerar desemprego, insegurança alimentar e uma crise social profunda, mesmo sem atingir pessoas.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Quando lemos ou ouvimos a palavra “peste” usada em referência a alguma doença, é provável que pensemos na peste negra (ou bubônica), um quadro causado por uma bactéria, transportada por ratos, e que dizimou cerca de um terço da população europeia na Idade Média.
Mas, além das mortes em si, houve uma reação em cadeia que afetou a economia e levou a profundas mudanças sociais (e qualquer semelhança com a Covid-19 é mera realidade).
O que muitos se esquecem é que a bubônica ainda existe. E mais do que isso: ela não é a única doença que merece ser chamada de peste.
Há um outro quadro, de nome parecido, que, embora não infecte seres humanos, afeta porcos e vem aterrorizando produtores de suínos ao redor do mundo. É a peste suína africana, causada por um representante muito singular da Virosfera.
A seguir, entenda por que esse vírus merece atenção.
Quem ele é
A doença recebe o nome de peste “africana” porque foi descrita pela primeira vez no Quênia, em 1921.
Vale lembrar que, atualmente, não é recomendado nomear doenças em alusão a países ou localidades. Ora, além de ajudar a evitar estigmas, é importante ressaltar que o local onde uma enfermidade é identificada pela primeira vez não necessariamente corresponde à sua origem real.
O quadro é causado por um vírus repleto de particularidades. Entre elas, o causador da peste suína africana é, até o momento, o único membro conhecido da sua família viral. Inclusive, o nome dado a esse “grupo” familiar é Asfarviridae, termo que se inicia com as letras A, S e F em alusão ao nome da doença em inglês (African Swine Fever).
Esse patógeno, que tem aproximadamente o tamanho de um coronavírus, apresenta uma estrutura complexa. Seu “corpo” conta com um envelope que recobre duas camadas proteicas, dentro das quais se encontra uma longa cadeia de DNA de dupla fita.
E aqui entra mais uma de suas singularidades: até onde se sabe, ele é o único vírus dentre os que possuem DNA que é transmitido por artrópodes — no caso, ácaros que sugam o sangue dos porcos.
Outra característica importante é que esse vírus pode ser transmitido de porco para porco, seja por contato direto ou por meio da alimentação conhecida como “lavagem”, comum em criações não industriais. Esse tipo de alimento pode estar contaminado com dejetos ou até mesmo com carne de animais previamente infectados.
De forma semelhante ao que o Ebola provoca em humanos, os porcos afetados pela peste suína africana desenvolvem hemorragias e evoluem rapidamente para a morte. A letalidade é altíssima: até 100% do rebanho afetado pode ser exterminado em questão de dias.
+Leia também: Nipah e os outros vírus mais letais conhecidos pela ciência
Por que essa doença preocupa
Desde janeiro de 2022, segundo dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o mundo já somou mais de um milhão de casos de peste suína africana em porcos, além de milhares de registros em javalis. Ao todo, desde então, 71 países e territórios relataram a presença da doença.
Mas, se o vírus não infecta seres humanos e eu não consumo carne de porco, por que deveria me importar?
A resposta é longa. Em primeiro lugar, é importante saber que, em dezembro de 2025, foram registrados 25 novos surtos em suínos e 584 em javalis na Ásia e na Europa. Com isso, o ano de 2026 se inicia com dilemas relevantes para o mercado desses animais em boa parte do mundo.
No Brasil, os grandes conglomerados que reúnem produtores de carne — e que gostam de, eufemisticamente, chamar carne de “proteína animal” — exportam mais de um milhão de toneladas de carne suína por ano.
Assim, o país ocupa a terceira posição mundial nesse quesito. Além disso, circulam internamente outras milhões de toneladas destinadas ao consumo nacional.
Essa cadeia produtiva gera empregos diversos: há pessoas trabalhando nas granjas, no transporte dos animais para o abate, nos frigoríficos, no transporte da carne, nos mercados, restaurantes e assim por diante. Ainda, as fábricas de ração, vacinas e medicamentos também fazem parte desse ecossistema econômico.
Portanto, se o vírus da peste suína africana entrasse no Brasil, haveria uma reação em cadeia envolvendo desemprego, queda de arrecadação fiscal, impactos no comércio e nos serviços, além de insegurança alimentar, entre outros efeitos.
O mesmo raciocínio vale para a gripe aviária e para a febre aftosa em bovinos. E também se aplicou, no passado, à peste negra em seres humanos.
Além disso, para quem se preocupa com o bem-estar animal, é desejável que os animais não sofram com doenças graves, para além do sofrimento já imposto pelo próprio processo produtivo.
Para agravar o cenário, não há vacinas nem tratamento disponíveis para os porcos acometidos pela peste suína africana. Ainda assim, há um alento: o Brasil está livre dessa doença desde 1984. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) conta com um plano de contingência bem estruturado para evitar a entrada do vírus e para agir rapidamente caso ele chegue ao país.
Enfim, para essa e outras pestes, fica a esperança expressa por Francesco Petrarca, escritor italiano (1304–1374), ao refletir sobre a peste negra:
“Ó, felizes pessoas da próxima geração, que não conhecerão essas misérias e, muito provavelmente, considerarão nosso testemunho como uma fábula”.
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Fonte.:Saúde Abril


