Operação Desmonte mira liderança conhecida como “disciplina” e prende suspeitos de sequestrar, julgar e matar jovem de 14 anos; grupo também é investigado por extorsões e outros homicídios
A Polícia Civil deflagrou a Operação Desmonte para desarticular uma célula de facção criminosa responsável pelo sequestro, julgamento clandestino e execução de um adolescente de 14 anos no município de Cocalinho. A ação tem como principal alvo o integrante conhecido como “disciplina”, apontado como responsável por comandar o chamado “tribunal do crime” na região.
De acordo com informações do boletim de ocorrência, o desaparecimento do adolescente L.N.S.R. foi registrado no dia 28 de outubro. O jovem havia chegado à cidade naquela mesma tarde, acompanhado da família. Pouco tempo depois, utilizou uma rede social para fazer contatos e marcou um encontro. Ele saiu de casa e não retornou.
As investigações apontam que a vítima foi atraída por criminosos por meio de um perfil falso em rede social. O encontro, que aparentava ser casual, foi utilizado como armadilha para o sequestro. O adolescente foi levado para uma área rural do município, onde passou por um “julgamento” conduzido por integrantes da facção.
O corpo do jovem foi localizado semanas depois, enterrado em uma cova rasa em uma região de mata isolada. A perícia confirmou que as vestimentas encontradas no cadáver eram compatíveis com as usadas pela vítima no dia do desaparecimento.
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava organizadamente e com divisão clara de funções. Enquanto alguns integrantes eram responsáveis por atrair a vítima pela internet, outros realizavam o sequestro e o transporte até a zona rural. Um terceiro núcleo executava o julgamento, a tortura e a ocultação do corpo.
Entre os investigados está o chamado “disciplina”, função exercida na facção para impor regras internas, aplicar punições e ordenar execuções. Além da participação no homicídio do adolescente, ele também é investigado por extorquir comerciantes locais, impondo pagamentos ilegais e espalhando medo na cidade.
O delegado Carlos Alberto Silva, responsável pelo caso, destacou que a operação vai além da prisão dos executores diretos.
“A ação policial, além de identificar e prender os responsáveis pelo homicídio do adolescente, desarticula uma célula local da facção criminosa, que vinha praticando de forma sistemática execuções, torturas e ocultação de cadáveres no município”, afirmou.
Ainda conforme o delegado, a apuração demonstrou que o crime não foi um episódio isolado.
“A investigação revelou um padrão de atuação reiterado do grupo criminoso”, completou.
Os outros cinco investigados possuem antecedentes criminais, sendo suspeitos de envolvimento direto ou indireto em outros homicídios encomendados pela facção.
Fonte.: MT MAIS


