
Um episódio registrado em um voo da Azul reacendeu o debate sobre o uso de baterias portáteis a bordo de aeronaves comerciais. Durante o trajeto, um passageiro se filmou utilizando uma antena Starlink Mini acoplada à janela do avião, alimentada por um power bank de alta capacidade. O que chamou a atenção não foi a tentativa de acessar a internet – ainda que a aeronave oferecesse Wi-Fi -, mas o uso a bordo de um dispositivo com capacidade de 60.000 mAh (ou 222 Wh), mais que o dobro do permitido pela ANAC, que é de 27.000 mAh (ou 100 Wh). Além de ultrapassar o limite regulamentar, a bateria portátil alimentava um dispositivo externo, o que aumenta os riscos de incêndio em um ambiente pressurizado como a cabine de uma aeronave. A Azul disse em nota que vai investigar o caso.
Por que baterias acima de 100 Wh (ou 27.000 mAh) são um problema?
Pelas normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), baterias de íon-lítio com até 100 Wh (ou aproximadamente 27.000 mAh) podem ser levadas na bagagem de mão. Acima dessa medida, as regras ficam mais restritivas: entre 100 Wh e 160 Wh, o transporte depende de autorização prévia da companhia aérea; acima desse limite, a entrada em voos comerciais de passageiros é proibida.
Na prática, a restrição costuma confundir passageiros. Muitos fabricantes informam a capacidade das baterias em miliampère-hora (mAh), enquanto a aviação adota o watt-hora (Wh) como referência. Em uma bateria típica de 3,7 volts, 100 Wh equivalem a cerca de 27 mil mAh. Acima disso, os modelos passam a concentrar uma quantidade muito maior de energia em um espaço reduzido – característica que os torna mais eficientes, mas também potencialmente perigosos.
No episódio envolvendo a Starlink, a bateria utilizada tinha 60.000 mAh, cerca de 222 Wh. Baterias de íon-lítio podem entrar em um processo conhecido como fuga térmica, uma reação em cadeia marcada por aumento rápido de temperatura, liberação de gases e fumaça e, em casos extremos, fogo ou explosão. Defeitos de fabricação, desgaste, danos físicos, sobrecarga ou curto-circuito ampliam significativamente esse risco.
Simplesmente uma pessoa totalmente sem noção, “instalou” uma antena da Starlink em um avião da Azul, com um powerbank proibido em voos.
Falha grave do raio X no aeroporto.Mesmo que o avião não tivesse internet, uma pessoa dessa precisa de um médico urgente. pic.twitter.com/Pg4HRwWbv1
— Mochilando na Aviação (@MocAviacao) February 5, 2026
Restrições
O risco associado a baterias de íon-lítio não é apenas teórico. Em 2025, um incêndio causado por um power bank em uma aeronave da coreana Air Busan deixou sete pessoas feridas e quase destruiu o avião. Mais recentemente, no final de janeiro, um voo da Latam que seguia de São Paulo para Brasília precisou desviar para Ribeirão Preto após uma bateria portátil pegar fogo dentro da cabine.
Diante desse cenário, companhias aéreas ao redor do mundo passaram a revisar suas políticas sobre carregadores portáteis. As aéreas continuam permitindo que o passageiro leve o power bank consigo na cabine, mas algumas decidiram restringir o uso durante o voo. A Emirates, por exemplo, proíbe tanto o carregamento de dispositivos pessoais quanto a recarga da própria bateria portátil nas tomadas da aeronave.
No Brasil, a ANAC mantém um alerta de segurança operacional específico sobre o transporte de baterias de lítio e dispositivos eletrônicos portáteis. Segundo a agência, esses itens devem ser levados sempre na cabine, nunca na bagagem despachada, para permitir uma resposta rápida da tripulação em caso de superaquecimento ou incêndio.
A recomendação inclui cuidados como evitar o contato com materiais inflamáveis, não guardar power banks nos compartimentos superiores e informar imediatamente a tripulação caso o dispositivo esquente, libere fumaça ou apresente qualquer comportamento anormal. A agência também orienta que carregadores portáteis não sejam usados para alimentar dispositivos durante o voo, dando preferência às tomadas e portas USB da própria aeronave, quando disponíveis.
Para quem viaja, a principal orientação é simples: verificar a capacidade do power bank antes do embarque e conferir as regras específicas da companhia aérea. Repetindo: no geral, o limite é de 27.000 mAh (ou 100 Wh). Se a capacidade não estiver claramente indicada no produto, o embarque pode ser recusado. Também vale inspecionar o estado da bateria, observando sinais de inchaço, aquecimento excessivo ou danos externos.
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Fonte.:Viagen


