
Treze anos após os protestos de 2013, o Brasil vive um cenário de apatia diante de novos escândalos. Especialistas apontam que a frustração com reversões judiciais e a sensação de impotência política neutralizaram a capacidade de mobilização popular que marcou a última década.
Qual é a percepção atual do brasileiro sobre a corrupção?
Embora a indignação ainda exista, ela não se traduz mais em grandes manifestações. Pesquisas recentes indicam que apenas 9% da população vê a corrupção como o principal problema do país, ficando atrás de temas como saúde e segurança. Isso reflete uma mudança no ambiente político, onde o desvio de dinheiro público, apesar de grave, já não mobiliza massas como na década passada.
Como os protestos de 2013 transformaram este tema em símbolo?
As manifestações começaram por causa do aumento das passagens de ônibus, mas logo abraçaram pautas contra a má qualidade dos serviços públicos e a impunidade. O movimento forçou o Congresso a recuar em projetos que limitavam investigações e deu fôlego para operações como a Lava Jato. Foi o início de um ciclo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff e na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
O que causou o sentimento de impotência na sociedade?
O principal motivo é o chamado ‘revertério’ institucional. Após anos de empenho popular e avanços jurídicos, muitas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A volta de figuras políticas que haviam sido presas ao centro do poder gerou um esgotamento moral. O cidadão comum passou a sentir que a pressão das ruas não é mais eficaz para gerar mudanças duradouras nas instituições.
Existe um paralelo entre o governo atual e o de Dilma Rousseff?
Analistas observam um processo de ‘dilmização’ no governo Lula, marcado por declarações polêmicas e desgaste na relação com a sociedade. O cansaço social que derrubou Dilma parece se repetir de forma acelerada, embora ainda não haja um estopim para novas jornadas de rua. No passado, a reeleição de Dilma não garantiu legitimidade, algo que serve de alerta para o cenário político de 2026.
A luta contra a corrupção no Brasil chegou ao fim?
Para cientistas políticos, seria precipitado decretar o fim do combate à corrupção. A sociedade brasileira ainda mantém ‘reservas de indignação moral’ que podem reaparecer em circunstâncias específicas. O que existe hoje é um hiato provocado pela polarização e pela descrença no sistema judiciário, mas a parcela politicamente ativa da população ainda acredita na possibilidade de virar o jogo no futuro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte. Gazeta do Povo


