11:57 PM
20 de janeiro de 2026

Portugal prende 37 em operação contra neonazistas que atacaram brasileiros

Portugal prende 37 em operação contra neonazistas que atacaram brasileiros

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(FOLHAPRESS) A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária de Portugal deflagrou, nesta terça-feira (20), uma das maiores ações já realizadas no país contra grupos neonazistas. Batizada de Operação Irmandade, a ofensiva havia prendido 37 pessoas até a publicação desta reportagem. As investigações começaram no início de 2024 e devem prosseguir por mais alguns meses.

Todos os detidos pertencem ao grupo ultranacionalista 1143, número que remete ao ano de fundação de Portugal. O líder do grupo, Mário Machado, considerado o neonazista mais conhecido do país, está preso em Lisboa desde maio de 2025 por incitação ao ódio e à violência contra mulheres de esquerda. Ele ainda comandaria o 1143 de dentro da prisão, o que pode agravar sua pena de dois anos e dez meses.

“Continua a existir comunicação e passagem de informação de dentro para fora”, afirmou Patrícia Silveira, diretora da Unidade de Contraterrorismo.

“As autoridades vão ter de investigar se isso realmente acontece e, em caso positivo, como essas mensagens saíram da prisão, se foram, por exemplo, recados enviados durante visitas”, disse o advogado brasileiro Leonildo Camillo de Souza Júnior.

Morador de Guimarães, ele representa uma jornalista brasileira que foi vítima de ameaças feitas por Bruno Silva, outro integrante do 1143, que está em prisão preventiva desde outubro do ano passado. “Há um forte componente de gênero. As vítimas, em geral, são mulheres”, afirmou Luís Neves, diretor-geral da Polícia Judiciária.

Silva, brasileiro naturalizado português, ganhou notoriedade ao publicar nas redes sociais que oferecia um apartamento em Lisboa a quem lhe entregasse as cabeças de cem brasileiros. Nas postagens, definia a si próprio como “o português mais racista de Portugal”.

Em comunicado sobre a Operação Irmandade, a Polícia Judiciária afirmou que os detidos “adotavam e difundiam a ideologia nazista, inerente à cultura nacional-socialista e à extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias e etnias, designadamente imigrantes”. Durante as prisões, foram apreendidas armas e material de propaganda.

A partir desta quarta-feira (21), os detidos serão submetidos a interrogatório. “É possível que vários deles, como Bruno Silva, permaneçam em prisão preventiva”, afirmou Camillo Júnior. “Os depoimentos são fundamentais para entender o funcionamento desses grupos e chegar a outros integrantes. Computadores e celulares apreendidos também são de grande importância.” A polícia tenta apurar, entre outros pontos, conexões do 1143 com redes extremistas internacionais.

As investigações sobre neonazismo em Portugal se intensificaram após pressão da União Europeia. Um relatório divulgado em junho pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância registrou “um aumento acentuado do discurso de ódio” no país, direcionado sobretudo a migrantes, ciganos, pessoas negras e à comunidade LGBTQIA+. Segundo o documento, as denúncias judiciais por crimes de ódio quintuplicaram entre 2019 e 2024.

Nas redes sociais, Bruno Silva se declara apoiador do partido Chega, cujo líder, André Ventura, é candidato à Presidência de Portugal. Em novembro do ano passado, o vice-presidente da sigla, Pedro Frazão, enviou um vídeo ao congresso do grupo Reconquista, que defende o mesmo ideário do 1143 e também tem integrantes presos por crimes de ódio.

No vídeo, Frazão defendeu a “remigração”, termo usado para a deportação forçada de imigrantes, mesmo daqueles em situação regular. “É a única política capaz de restaurar a ordem, a segurança e a esperança no nosso país”, disse o deputado.

O Chega mantém uma relação ambígua com grupos extremistas. Ventura já criticou Mário Machado. “Não tem o perfil que se enquadra no Chega. Tenho sido o freio a esse tipo de pessoas que fazem apologia da violência. Pessoas que dizem que mulheres de esquerda devem ser violadas nunca terão lugar no Chega”, afirmou em entrevista concedida há cinco anos ao semanário Sol.

Em janeiro de 2025, no entanto, o líder do partido fez uma alusão velada ao grupo de Mário Machado ao defender a tese da remigração. Ventura publicou nas redes sociais uma foto vestido como piloto da TAP, ao lado de um cartão de embarque. “Este boarding pass certifica a sua participação no voo de regresso ao seu país de origem”, dizia a legenda. No cartão fictício, aparecia o número do voo: TP 1143.
 
 

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Fonte. .Noticias ao Minuto

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