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23 de janeiro de 2026

Presidente do BRB diz que banco ‘não vai quebrar’ – 23/01/2026 – Economia

Presidente do BRB diz que banco ‘não vai quebrar’ – 23/01/2026 – Economia

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O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, afirmou à Folha que o banco público do Distrito Federal não vai quebrar nem será liquidado pelo Banco Central.

Souza chegou ao BRB em 27 de novembro, depois da saída de Paulo Henrique Costa, afastado e demitido do cargo após ser alvo de operação da PF (Polícia Federal), na semana anterior.

Segundo a PF e o Banco Central, sob gestão de Costa, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Master. Como mostrou a Folha, o BRB também passou a deter o controle de fundos que fazem parte da ciranda financeira investigada pelas autoridades.

Na primeira entrevista na função, o novo presidente afirma que a população de Brasília tem o banco estatal como um ícone, e o governo do Distrito Federal fará a capitalização necessária para cobrir as perdas.

“O BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação”, afirmou, em entrevista na sede do BRB, na tarde desta sexta-feira (23), após atravessar uma semana de turbulência com disputas políticas e boatos que provocaram movimentos atípicos de saques entre a segunda e quarta-feira.

A semana terminou com a situação normalizada, com a entrada líquida de recursos superior em mais de R$ 2 bilhões aos saques, e apoio dos bancos privados.

Souza confirmou que o BRB negocia uma linha de empréstimo emergencial com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para atender às exigências de capital do BC.

“Nós contribuímos e somos associados do FGC. Todos os bancos que precisam de capital, o primeiro lugar que vão é no FGC, que tem taxa de juros mais barata e prazo longo [do financiamento]”, disse.

Para conseguir o empréstimo, o governo do DF, que é o controlador do BRB, terá que dar garantias ao FGC, como ações de suas empresas estatais.

A expectativa é que o empréstimo saia ainda no primeiro trimestre, a fim de dar resposta ao pedido de provisionamento pelo BC de R$ 2,6 bilhões, em razão do prejuízo provocado pela compra dos créditos falsos do Master. O prazo é necessário para ajustar o balanço de 2025 a tempo da data de divulgação exigida às empresas de capital aberto, como é o caso do BRB.

Outras propostas de socorro estão na mesa, mas o presidente não faz comentários sobre elas. Como revelou à Folha na quinta-feira (22), são cinco as opções para cobrir as perdas: repasse direto do Tesouro do DF e dos minoritários, formação de um fundo com imóveis de propriedade do governo do DF a serem transferidos para o BRB, repasse de ações de empresas estatais e um empréstimo de um consórcio de bancos, além do socorro do FGC.

Qualquer que seja a opção acertada, o governador do DF, Ibaneis Rocha, terá que encaminhar um projeto à Câmara Legislativa para aprovar o aporte.

Na sexta-feira passada (16), o presidente do BRB esteve em São Paulo numa reunião com o comando do FGC. Souza também se reuniu com dirigentes dos maiores bancos privados.

Conhecido no mercado bancário, onde atua há mais de 45 anos, ele recebeu apoio ao longo da semana do Bradesco, Caixa, BTG, Itaú Unibanco, Inter, XP e C6, segundo pessoas próximas ao assunto. A exceção foram Banco do Brasil, BNB e Basa (Banco da Amazônia).

O órgão regulador do sistema bancário determinou ao BRB que faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master.

Essas carteiras, sem lastro em operações reais, foram descobertas nas investigações que levaram à liquidação do Master e à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, no dia 17 de novembro do ano passado, na primeira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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