A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, voltou a falar sobre um possível envolvimento do Japão em caso de incursão militar chinesa em Taiwan, gerando resposta de Pequim após semanas de leve trégua entre os países.
Em entrevista ao vivo a um veículo japonês nesta segunda-feira (27), a governante afirmou que a relação entre Tóquio e Washington colapsaria caso seu país fugisse de um possível conflito que envolvesse China, Taiwan e os Estados Unidos.
O comentário foi feito cerca de dois meses após Takaichi declarar que uma tentativa do regime chinês de submeter Taiwan ao seu domínio por meio da força militar era um exemplo de situação na qual ela poderia acionar as Forças de Autodefesa do Japão. A fala criou um dos maiores conflitos diplomáticos entre Pequim e Tóquio nas últimas décadas.
Segundo a primeira-ministra, a ação japonesa seria necessária, pois um ataque a navios de guerra americanos usados para romper um bloqueio chinês poderia exigir o envolvimento para defender os EUA, seu aliado e defensor da soberania da ilha.
Nas novas falas, Takaichi se distanciou parcialmente de comentários que sugerem ação militar de Tóquio.
“Quero deixar absolutamente claro que não se trata de o Japão sair por aí tomando medidas militares caso a China e os Estados Unidos entrem em conflito”, declarou. “Se algo grave acontecer lá, teremos que ir resgatar os cidadãos japoneses e americanos em Taiwan. Nessa situação, pode haver casos em que tomemos medidas conjuntas.”
As novas falas de Takaichi vão na contramão do que é esperado pelo presidente Donald Trump em relação à aliança militar entre os países. Trump pressiona seus aliados na região, Japão e Coreia do Sul, para aumentar os gastos com a defesa, comprando tecnologias americanas, e em decorrência do ambiente considerado instável para Washington.
China, terra do meio
Receba no seu email os grandes temas da China explicados e contextualizados
O aumento dos gastos seria uma forma de apoio em caso de conflito com a China para a defesa de Taiwan e para diminuir a minar militar da Coreia do Norte.
A pacifista Constituição japonesa impede, porém, que o Japão realize ações militares diretas. Mas uma reinterpretação do artigo permite que o país use suas forças armadas para defender aliados próximos mediante a autorização do premiê em função.
Os comentários da governante à TV japonesa geraram reação de Pequim, que instou o Japão a “fazer um exame profundo de consciência, corrigir seus erros e cessar a manipulação e as ações irresponsáveis e imprudentes sobre a questão de Taiwan”.
“O Japão cometeu inúmeros crimes durante seu domínio colonial sobre Taiwan por mais de 50 anos e carrega sérias responsabilidades históricas perante o povo chinês. Seja sob a perspectiva histórica ou jurídica, o lado japonês não está em posição de interferir nos assuntos da região de Taiwan da China”, declarou Guo Jiakun durante entrevista coletiva no Ministério de Relações Exteriores nesta terça-feira (27).
Antes dos novos comentários de Takaichi, Pequim alertou seus cidadãos para que evitem viagens para o Japão durante o feriado do Festival da Primavera, o mais longo do ano, que ocorre em fevereiro.
O documento publicado na agência de notícias estatal Xinhua cita “um período de agitação social, com um aumento nos crimes contra cidadãos chineses”, além da possibilidade de novos terremotos.
Antes, o regime chinês já havia feito o mesmo alerta para que chineses evitassem viagens ao país vizinho no período de turbulência. A mídia local japonesa, assim como a estatal chinesa, reportou que os avisos de Pequim causaram queda nas viagens, o que preocupou autoridades.
Com Reuters
Fonte.:Folha de S.Paulo


