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Introdução
A Índia confirmou dois casos de vírus Nipah. A OMS classifica o risco global como baixo, destacando que, diferentemente do coronavírus, o Nipah tem transmissão difícil, alta letalidade e distribuição geográfica restrita, minimizando chances de pandemia. Prevenção é crucial, sem vacina ou tratamento específico.
- Índia registra novos casos de Nipah: Onde e como as autoridades de saúde estão agindo.
- Risco global baixo, segundo a OMS: Entenda por que a entidade descarta uma nova pandemia.
- Nipah x Coronavírus: As diferenças cruciais na transmissão e letalidade do vírus.
- Alta taxa de mortalidade: Por que isso, paradoxalmente, dificulta a disseminação do Nipah.
- Prevenção é chave: Ausência de vacina e tratamento foca na higiene e proteção.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Autoridades de saúde da Índia confirmaram neste mês dois casos de infecção pelo vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental, no leste do país. Segundo o Ministério da Saúde indiano, os pacientes são profissionais de saúde: um homem, que está em recuperação, e uma mulher, em estado grave. Até o momento, não há registro de transmissão para outras pessoas.
Nesta quinta-feira (29), a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nota com atualização sobre a situação. Na avaliação da entidade, o risco nacional, regional e global permanece baixo e, até agora, “não há evidências de aumento da transmissão de pessoa para pessoa”.
Ainda de acordo com a instituição, a Índia “demonstrou sua capacidade de gerenciar surtos de Nipah em eventos anteriores, e as medidas de saúde pública recomendadas estão sendo implementadas em conjunto por equipes de saúde nacionais e estaduais”.
Com isso, a OMS classifica o risco regional em Bengala Ocidental como moderado, devido à presença de reservatórios naturais do vírus — morcegos frugívoros — na região. Ainda assim, considera baixa a probabilidade de disseminação para outros estados indianos ou para outros países.
Quais as diferenças entre o vírus Nipah e o coronavírus?
O alerta sobre os casos na Índia trouxe à tona lembranças da pandemia de Covid-19. Embora os dois patógenos sejam classificados como vírus emergentes e possam causar quadros graves, especialistas destacam que existem diferenças relevantes entre eles.
Essas distinções tornam remota a possibilidade de uma pandemia global nos moldes da Covid-19, ainda que o risco não possa ser considerado inexistente.
Apesar principal diferença entre o Nipah e o SARS-CoV-2 (tipo de coronavírus causador da Covid-19) está na forma de transmissão. “A infecção pelo Nipah Vírus requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais e frutas contaminadas pelo morcego regional dos locais onde há casos, por exemplo”, explica Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso sobre o Nipah.
Isso contrasta com o coronavírus, que se espalha com facilidade por meio de partículas suspensas no ar.
Outro fator limitante para a disseminação do Nipah é própria a alta letalidade. “Os pacientes morrem antes de conseguirem transmitir a doença”, ressalta o virologista Benedito Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
O vírus Nipah provoca inicialmente sintomas semelhantes aos de uma gripe, mas pode evoluir rapidamente para uma encefalite grave, com comprometimento neurológico, vascular e respiratório.
Ele é, portanto, um agente com elevada mortalidade e, assim, menor capacidade de disseminação. Estima-se que a taxa de letalidade varie entre 40% e 75%, dependendo da detecção precoce e da qualidade do atendimento clínico.
A distribuição geográfica restrita mesmo ao longo de mais vinte anos (o vírus foi descrito pela primeira vez em 1999) também contribui para reduzir o risco global. “Surtos foram concentrados no sudeste asiático, onde existem os reservatórios naturais [morcegos do gênero Pteropus]”, observa Dias e Sanches.
Historicamente, os episódios registrados se limitaram em especial à Índia e a Bangladesh, ocorrendo de forma esporádica ou em pequenos agrupamentos.
Segundo a OMS, a transmissão entre pessoas é rara e costuma se restringir a ambientes de saúde ou a contatos familiares próximos. Também não há relatos de disseminação internacional associada a viagens.
Para Fonseca, outra diferença muito importante entre o Nipah e o SARS-CoV-2 está na capacidade de adaptação aos seres humanos. Enquanto o primeiro surto de NiV ocorreu após porcos serem infectados pelos morcegos e, assim, repassarem a doença para os humanos, o coronavírus “não necessitou de um outro reservatório animal para manter a alta transmissão da doença”, afirma.
A expectativa, segundo o virologista, é de que o Nipah não apresente essa mesma facilidade de adaptação. Entretanto, ele alerta: “essa é uma doença nova e não sabemos, com certeza, para quantas pessoas um paciente infectado com o Nipah pode transmitir o vírus”, alerta. Até agora, porém, os especialistas consideram que essa chance é baixa.
+Leia também: Mundo dos vírus: quando vai ser a próxima pandemia?
Recomendações para a comunidade
Atualmente, não existe vacina licenciada nem tratamento específico para a infecção pelo vírus Nipah, embora diversos candidatos estejam em desenvolvimento.
O manejo clínico baseia-se no tratamento de suporte precoce, incluindo cuidados intensivos para complicações respiratórias ou neurológicas graves, medida essencial para aumentar as chances de sobrevivência.
Por isso, a OMS reforça a importância da prevenção e do controle de infecções, especialmente em serviços de saúde, além da conscientização da população para reduzir o risco de exposição. Entre as principais orientações estão:
- Utilizar roupas e luvas de proteção ao lidar com animais doentes, durante o abate ou no descarte;
- Reduzindo o contato próximo desprotegido com indivíduos infectados e mantendo a higiene regular das mãos;
- Controle de infecções em ambientes de saúde, com ventilação adequada, avaliação de riscos e uso apropriado de equipamentos de proteção individual no atendimento a casos suspeitos ou confirmados.
No mais, em nota, a entidade de saúde global afirma que continua a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades de saúde nacionais e estaduais na Índia “para apoiar a avaliação de riscos, a vigilância e os esforços de resposta a surtos”.
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Fonte.:Saúde Abril


