7:20 PM
20 de fevereiro de 2026

Quantos casos de mpox o Brasil confirmou até agora? Saiba estados afetados e cenário atual

Quantos casos de mpox o Brasil confirmou até agora? Saiba estados afetados e cenário atual

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Ao menos 62 pessoas já foram diagnosticadas com Mpox no Brasil em 2026, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde (MS) e por autoridades sanitárias estaduais. De acordo com a pasta federal, os quadros são predominantemente leves ou moderados e não há registro de óbitos.

O estado de São Paulo concentra a maior parte das notificações: são 44 diagnósticos confirmados e 71 casos suspeitos registrados até fevereiro, de acordo com o painel de monitoramento do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) do estado. Em seguida, estão o Rio de Janeiro (com 9 casos), Rondônia (4), Bahia (2) e Rio Grande do Sul (1). Segundo o MS, há também 1 caso confirmado no Distrito Federal e 1 em Santa Catarina.

Ao todo, em São Paulo, 185 quadros suspeitos foram notificados até esta semana. Destes, 57 já foram descartados. No Rio de Janeiro, de acordo com o Observatório Epidemiológico (EpiRio), houve 20 notificações e, além dos casos já confirmados, outros quatro seguem em investigação.

Já em Porto Velho, capital de Rondônia, a Secretaria Municipal de Saúde somou seis notificações até o momento: duas descartadas e quatro confirmadas.

Dois dos pacientes adoeceram em dezembro de 2025 e já receberam alta hospitalar. Os outros dois foram identificados em fevereiro de 2026 e permanecem internados, em estado geral estável e sob isolamento.

Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) informou, em nota, que sete suspeitas foram notificadas até agora, das quais três foram descartadas.

Um dos casos baianos confirmados foi registrado em Vitória da Conquista, no sul do estado. O outro, considerado importado, foi notificado esta semana em Salvador, mas refere-se a um paciente de Osasco (SP). Outros dois seguem em investigação.

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No Rio Grande do Sul, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou, na terça-feira (17), o primeiro caso de mpox no município em 2026. Segundo a pasta, o paciente mora na capital gaúcha, mas contraiu a infecção fora do estado. Até o momento, porém, não foi divulgado o provável local de infecção.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde informou que, em 2026, outros 11 casos suspeitos foram notificados no estado, com nove deles descartados e dois ainda em investigação.

A VEJA SAÚDE também procurou o Ministério da Saúde, que informou ter contabilizado, até o momento, a notificação de 48 casos de mpox no país em 2026, um número menor do que a soma dos registros divulgados pelos estados.

Os números federais, no entanto, podem apresentar defasagem em relação aos publicados por secretarias estaduais e municipais, visto que podem levar mais dias até que os dados sejam incorporados às bases nacionais.

O ministério conta o registro de 41 casos em São Paulo, 3 no Rio de Janeiro, 1 em Rondônia e 1 em Porto Alegre, além de 1 em Santa Catarina e 1 no Distrito Federal, que adicionamos à esta contagem.

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Em nota, a pasta afirma que segue monitorando a doença pelo país em conjunto com as vigilâncias epidemiológicas locais. “O Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para a identificação precoce, manejo clínico adequado e acompanhamento dos pacientes”, diz a pasta.

Ainda acordo com o ministério, as equipes de vigilância mantêm a investigação dos quadros e realizam o rastreamento e acompanhamento de pessoas que tiveram contato com suspeitos ao longo de 14 dias, “medida essencial para interromper possíveis cadeias de transmissão”, conclui.

Doença está se espalhando?

Casos esporádicos de mpox ocorrem no Brasil desde 2022, quando houve uma explosão mundial da doença. Por isso, de acordo com a médica Cristhieni Rodrigues, infectologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, embora o aparecimento de novos casos deva ser investigado e notificado às autoridades, o número registrado em 2026 não indica um surto no país.

O cenário atual, segundo a médica, não é semelhante ao de 2022, quando o vírus se espalhou rapidamente em escala global. “Os casos recentes no Brasil parecem ocorrer em menor número e estão sob monitoramento ativo pelos serviços de saúde, sendo o risco para a população geral considerado baixo“, avalia.

No entanto, segundo o médico Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis, gerido pelo Einstein Hospital Israelita, o quantitativo de casos registrados este ano pode estar além do esperado.

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A título de comparação, entre janeiro e as três primeiras semanas de fevereiro de 2025, 209 infecções por mpox foram confirmadas no país, segundo dados que foram consolidados até o fim do ano. Em 2026, porém, os números referentes ao mesmo período ainda são preliminares e podem crescer conforme avanço das investigações em curso.

“Nós podemos ter apenas casos esporádicos — como aparentemente está sendo —, mas pode ser alerta por um novo surto de mpox no Brasil”, diz Furtado.

Por isso, para o infectologista, é necessário que o SUS esteja preparado para identificar e conter os casos, especialmente após as festividades deste mês. Em um primeiro momento, o cenário preocupa. Mas nós vamos ter o grande teste após o Carnaval. Se [mais] casos forem detectados, podemos considerar uma questão de saúde pública maior”, considera.

A festa pode influenciar na dinâmica de transmissão, já que envolve grandes aglomerações em todo o país e a mpox é transmitida pelo contato direto com lesões de pele, fluídos corporais ou objetos contaminados.

“No carnaval, muitas pessoas não utilizam camisa, por exemplo, e isso pode ser um fator de risco, caso o vírus esteja circulando”, avalia o médico.

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Nova variante

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta semana a identificação de uma nova variante do vírus do Mpox. Segundo a entidade, ela surgiu a partir de uma recombinação de dois tipos diferentes do vírus já em circulação. Este processo acontece quando cepas distintas infectam uma mesma pessoa ao mesmo tempo e trocam material genético, formando uma versão “híbrida”.

Embora a variante levante preocupações, conforme reforça Cristhieni, não há provas de que o novo vírus esteja circulando amplamente, nem de que os casos atuais no Brasil estejam relacionados a ele. Até agora, apenas dois casos foram registrados, um no Reino Unido e outro na Índia.

“[Além disso], a OMS manteve a avaliação de risco inalterada para a população geral. Não há evidências, até o momento, de uma situação epidemiológica global que indique uma nova epidemia ou transmissão generalizada em 2026″, destaca a médica.

Portanto, segundo os especialistas, os casos atuais não indicam, ainda, a existência de um surto, mas reforçam a importância da vigilância e da resposta rápida de contenção.

“A vigilância deve ser contínua e permanente nos serviços de saúde ao redor do mundo, a fim de identificar eventuais mudanças no comportamento do vírus, suas consequências e a necessidade de novas medidas de prevenção”, afirma Cristhieni.

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Mpox

A Mpox é causada por um vírus da família Orthopoxvirus, a mesma da antiga varíola humana. Esse vírus é dividido em dois grandes grupos genéticos, chamados clado I e clado II — uma forma que os cientistas usam para organizar variantes com pequenas diferenças no material genético.

Há, ainda, os subtipos Ia e Ib — descobertos em 2023 —, além de IIa e IIb. A novidade é que, agora, foram notificados dois casos de uma cepa originada da combinação entre os clados Ib e IIb.

Em 2022, o clado IIb foi responsável por um surto que se espalhou por vários países fora da África, algo incomum até então. Já o clado Ib é apontado como possivelmente mais grave, mas esta indicação tem sido revisada por cientistas.

A transmissão da doença acontece principalmente pelo contato físico próximo com fluídos de uma pessoa infectada, inclusive durante relações sexuais. Também pode ocorrer pelo contato com objetos contaminados, por gotículas respiratórias em situações específicas e, mais raramente, da mãe para o bebê durante a gestação.

Historicamente, a Mpox era mais comum em regiões da África, onde o vírus podia passar de animais silvestres para humanos. Hoje, fora dessas áreas, a maioria dos casos ocorre por transmissão entre pessoas.

Os sintomas mais comuns são febre, ínguas (caroços doloridos no pescoço, axilas ou virilha) e feridas na pele ou nas mucosas, que podem lembrar catapora ou herpes, sobretudo quando aparecem na região genital.

Mas, em alguns casos, a pessoa adoecida pode ter poucos sinais ou até não perceber que está infectada. Segundo a OMS, ainda não está totalmente claro quanto essas infecções sem sintomas ajudam a espalhar o vírus.

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Fonte.:Saúde Abril

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