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16 de janeiro de 2026

Queda da fertilidade avança no Brasil e aumenta a busca por ajuda para engravidar

Queda da fertilidade avança no Brasil e aumenta a busca por ajuda para engravidar

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A infertilidade conjugal deixou de ser um tema restrito a casos pontuais e passou a configurar um problema de saúde pública global. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, ao longo da vida, uma em cada seis pessoas no mundo enfrentará dificuldades para engravidar.

No Brasil, a infertilidade afeta cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, percentual semelhante ao observado em países desenvolvidos. Esse cenário revela uma crise de fertilidade e exige respostas cada vez mais especializadas da medicina.

Infertilidade conjugal: uma condição mais comum do que se imagina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a infertilidade conjugal como a ausência de gestação após 12 meses de relações sexuais regulares, sem uso de métodos contraceptivos, em mulheres com menos de 35 anos. Trata-se de uma condição reconhecida como doença, com impactos físicos, emocionais e sociais significativos.

As causas da infertilidade são distribuídas de forma relativamente equilibrada entre homens e mulheres. Aproximadamente 40% dos casos têm origem feminina, 40% masculina, e os demais 20% envolvem fatores combinados ou causas ainda não identificadas.

Apesar disso, o estigma e a responsabilização continuam recaindo, muitas vezes, apenas sobre a mulher, o que reforça a importância de uma abordagem médica do casal e, por vezes, multidisciplinar.

Por que estamos vivendo uma crise de fertilidade?

Diversos fatores explicam o aumento do número de casais inférteis nos últimos anos. A decisão de adiar a gravidez é um dos principais. Com a priorização da carreira e da estabilidade financeira, muitos casais tentam engravidar em idades mais avançadas, quando a reserva ovariana já está reduzida e a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides tende a cair.

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Além disso, o estilo de vida moderno exerce papel relevante. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo e altos níveis de estresse impactam diretamente a fertilidade feminina e masculina.

Soma-se a isso a influência crescente de fatores ambientais, como poluição, agrotóxicos e disruptores endócrinos, que interferem no funcionamento hormonal e reprodutivo.

O resultado desses fatores associados leva a um aumento significativo na procura por tratamentos de reprodução assistida pelos casais e pelo congelamento de óvulos por mulheres que desejam preservar suas chances de gestação para o futuro.

Fertilização in vitro e a formação de novos especialistas

Nesse contexto, a fertilização in vitro (FIV) tornou-se uma das principais ferramentas para o tratamento da infertilidade conjugal. A técnica permite contornar diversas causas, oferecendo taxas de sucesso expressivas graças aos avanços tecnológicos, laboratoriais e genéticos.

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O crescimento da demanda por tratamentos também impulsiona a necessidade de profissionais altamente qualificados. Programas de pós-graduação em Infertilidade Conjugal e Reprodução Humana Assistida ganham destaque ao formar especialistas para atuar em uma área complexa e demandada da medicina atual.

Esses profissionais precisam dominar não apenas aspectos técnicos, mas também o cuidado emocional dos casais, que frequentemente vivenciam frustração, ansiedade e sofrimento durante o processo.

A crise de fertilidade não é apenas uma questão individual, mas um reflexo de transformações sociais, ambientais e comportamentais profundas.

Diante desse cenário, investir em diagnóstico precoce, acesso a tratamentos como a FIV e formação médica especializada é fundamental para oferecer respostas eficazes a um problema que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

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*Dani Ejzenberg é ginecologista e especialista em Reprodução Assistida na ENNE Clinic, membro da Brazil Health

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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Fonte.:Saúde Abril

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