
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi autorizado, nesta quarta-feira (7), a ir ao Hospital DF Star, em Brasília, para realizar exames médicos após sofrer uma queda no dia anterior. O político de 70 anos teria passado mal durante o sono e batido a cabeça em um móvel da cela onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal.
Em um primeiro momento, a PF divulgou nota afirmando que Bolsonaro teria sofrido apenas ferimentos leves, sem necessidade de transferência imediata a um hospital. Posteriormente, porém, as informações foram atualizadas. A equipe médica do ex-presidente afirmou que ele sofreu um “traumatismo cranioencefálico leve” e precisaria realizar exames complementares, o que acabou sendo autorizado.
Cerca de um terço dos idosos, como Bolsonaro, sofrem quedas todos os anos no Brasil. Em geral, os acidentes ocorrem no próprio ambiente onde a pessoa vive, e até mesmo o atual presidente Lula passou por episódio parecido, ao cair no banho no final de 2024, desenvolvendo uma hemorragia intracraniana.
Entenda melhor os perigos das quedas para os idosos e quando é necessário procurar avaliação médica.
Riscos das quedas em idosos
O perigo mais óbvio de uma queda são as fraturas, que podem ocorrer ao se chocar com objetos durante o ato de cair ou tentando se proteger do impacto com o solo, por exemplo. No entanto, quando se trata de uma pessoa idosa, os riscos são ainda maiores: ao redor do mundo, elas são a segunda principal causa de morte por lesões, e a prevalência é maior na terceira idade.
Dependendo dos ferimentos sofridos durante a queda, a pessoa idosa pode ter sua mobilidade e autonomia seriamente afetadas, rendendo uma piora da qualidade de vida e uma rápida deterioração da saúde em geral.
Esses acidentes tendem a ser mais graves em idosos devido às próprias consequências da idade. O envelhecimento naturalmente prejudica os reflexos para aparar a queda, reduz a força muscular para se proteger no processo e também abala a saúde óssea, tornando o esqueleto mais propenso a fraturas e fazendo a recuperação ser mais desafiadora do que em outras fases da vida.
Também existe um componente socioeconômico na definição dos riscos: no ano passado, um estudo brasileiro reforçou as evidências de que pessoas com menos recursos tendem a sofrer mais com os perigos das quedas, por um provável acesso menor a adaptações e tratamentos para comorbidades que aumentam os riscos de cair.
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Quando buscar avaliação médica?
Via de regra, toda queda sofrida por um idoso exige avaliação médica, mesmo sem ferimentos evidentes à primeira vista. Ainda que as lesões não sejam significativas, pode ser necessário realizar exames para entender o que levou ao acidente, especialmente em uma pessoa que está vivenciando um episódio do tipo pela primeira vez.
Um dos maiores perigos ocultos são as lesões na cabeça. Mesmo na ausência de um traumatismo craniano, a realização de exames para avaliar possíveis sangramentos no cérebro é importante para detectar eventuais problemas antes que eles se agravem.
Entre os riscos, aparece o hematoma subdural, um sangramento interno que pode até matar, mas pode evoluir sem produzir sintomas nas primeiras horas ou dias após o acidente. Exames como a tomografia e a ressonância magnética são indicados.
Caso a pessoa já apresente sintomas imediatamente após a queda, o atendimento médico deve ser feito com ainda mais urgência. Fique atento não apenas a sinais como dor de cabeça, mas também a impactos cognitivos que podem indicar uma hemorragia ou outros danos cerebrais, como desorientação, sonolência, perda de memória e dificuldade de fala, entre outros sintomas.
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Fonte.:Saúde Abril


