8:44 PM
15 de maio de 2026

Rabat, no Marrocos: o que ver na Capital Mundial do Livro de 2026

Rabat, no Marrocos: o que ver na Capital Mundial do Livro de 2026

PUBLICIDADE


Brasileiros que amam a literatura tiveram o último ano para curtir uma série de eventos da área no Rio de Janeiro, quando a cidade foi celebrada como a Capital Mundial do Livro de 2025, definido pela Unesco. Mas, desde o final de abril, essa honraria mudou de mãos: para os próximos 12 meses, o título será ostentado por Rabat, no Marrocos.

Apesar de também ser a capital do próprio país, Rabat muitas vezes acaba excluída de roteiros marroquinos, que priorizam destinos como Marrakesh, Casablanca ou Tânger. Agora, a escolha da Unesco promete colocar no radar um lugar com quase um milênio de história e atrações de sobra não só para quem aprecia a leitura.

Rabat como Capital Mundial do Livro

A capital do Marrocos detém o titulo desde 23 de abril, data escolhida por coincidir com o Dia Mundial do Livro. A Unesco vem elegendo destinos ao redor do planeta para valorizar sua relação com a literatura desde 2001 e, no continente africano, Rabat é a quinta cidade destacada pela entidade. Antes dela, na África, já foram Capitais Mundiais do Livro: Alexandria, no Egito (2002); Port Harcourt, na Nigéria (2014); Conakry, na Guiné (2017) e Accra, em Gana (2023).

O continuado interesse de Rabat em promover a leitura foi chave para a escolha. Ainda que não seja tão procurada por turistas, a condição de capital nacional garante ao destino a presença de uma série de instituições e eventos que fomentam a cultura literária: a cidade é casa para 54 editoras e sedia a terceira maior feira do livro da África.

Além disso, a intrincada história do Marrocos, que vem desde antigos povoamentos fenícios e romanos até relações bem mais recentes com potências coloniais como Espanha e França, garantiu a Rabat um contexto de efervescência e intercâmbio cultural que ainda pode ser visto em lugares como a Biblioteca Nacional do Reino do Marrocos, o Instituto Francês de Rabat e os Arquivos Nacionais do Marrocos, que recebem regularmente eventos com escritores e de acesso à literatura.

Continua após a publicidade

@bk_akram10

Mohammed Aziz is a 70+ year old Moroccan bookseller in Rabat’s Old Medina Over the past 50 years, he has read more than 4,000–5,000 books in Arabic, French, English, and Spanish. Because he couldn’t finish school during his difficult childhood, he sees reading as his way of taking revenge on that past. #books #morocco #rabat #booktoker

♬ Plage Coquillage – pabloo

A cidade também é conhecida por sua diversidade de livrarias. No roteiro turístico, tornou-se famoso nas redes sociais o sebo de Mohamed Aziz, considerado o mais antigo da cidade ainda em funcionamento: após começar vendendo livros na rua, espalhando-os sobre um tapete, Aziz conseguiu abrir a própria loja em 1967, aos 19 anos – incentivando a leitura numa época em que o Marrocos tinha uma taxa de analfabetismo na casa de 80%. Seis décadas mais tarde, a Bouquiniste El Azizi é famosa por seus livros empilhados até o teto e uma parada imperdível para quem deseja conhecer de perto um dos motivos que levaram à eleição da nova Capital Mundial do Livro.

Continua após a publicidade

O que fazer em Rabat além das experiências literárias

Com uma história que remonta ao século 12, Rabat tem muito o que oferecer para quem deseja mergulhar de cabeça na arquitetura e cultura do Marrocos – com a vantagem, ao menos por enquanto, de oferecer uma rotina mais tranquila do que destinos mais buliçosos e já bem conhecidos dos turistas. Dados oficiais apontam que, enquanto Marrakesh incrementou em 40% o número de visitantes só no último ano, em Rabat esse índice ficou em modestos 3%.

De frente para o mar, a cidade concentra fortalezas, ruínas e palácios de outros tempos ou ainda ativos. Como um todo, a cidade inteira é considerada um Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Vale a pena passar por lugares como a Kasbah dos Oudaias, uma antiga fortaleza famosa pelas vistas do oceano, por seus jardins em estilo andaluz e por conservar em seu interior a mesquita mais antiga da cidade, construída originalmente por volta do ano 1150 (ainda que boa parte da estrutura em pé seja do século 17).

torre-hassan
Torre Hassan, cuja construção foi interrompida com 44 metros de altura no ano de 1199, surgiu com o plano de ser o minarete mais alto do mundo (Hongbin/Unsplash)
Continua após a publicidade

Outro ponto procurado da cidade é a área onde se localiza a Torre Hassan: um minarete inacabado que começou a ser construído no final do século 12, ele surgiu com a ambição de se tornar a maior estrutura do gênero no mundo, mas as obras foram encerradas em 1199 com a morte do califa que encomendou a mesquita. A construção atingiu 44 metros de altura. Hoje, essa área foi ressignificada por abrigar também o mausoléu de Mohammed V, que governou o Marrocos como sultão e rei em diferentes momentos entre a década de 1920 e sua morte, em 1961.

Rabat também guarda resquícios de um dos pontos mais tardios de ocupação romana no norte da África: são as ruínas de Sala Colonia, hoje conhecidas como Chellah, governadas pelo antigo império entre o ano 40 d.C. e o século 4. Quase mil anos mais tarde, o local foi convertido em um cemitério, e hoje resquícios dos dois períodos podem ser encontrados nas escavações, dependendo de quão profundamente os arqueólogos estão dispostos a ir.

Continua após a publicidade

Em meio aos registros de tantas civilizações da Antiguidade, Rabat também oferece um vislumbre da opulência da monarquia atual: é na cidade que fica o Palácio Real, ou Dar al-Makhzen, residência oficial do atual rei, Mohammed VI. No Marrocos, embora exista um Parlamento, a monarquia ainda detém poderes executivos suficientes para ditar boa parte dos rumos do país, diferentemente do que ocorre na Europa – não é de surpreender que o interior do palácio seja vedado a visitantes, e turistas só podem vê-lo por fora.

Clique aqui para entrar em nosso canal no WhatsApp





Fonte.:Viagen

Leia mais

Rolar para cima