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23 de fevereiro de 2026

Reino Unido muda diretriz e dá exemplo no controle do diabetes tipo 2

Reino Unido muda diretriz e dá exemplo no controle do diabetes tipo 2

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Por anos, a regra para tratar o diabetes tipo 2 no Reino Unido e nos Estados Unidos — principais polos de pesquisa e assistência em diabetes — era simples: comece com mudança de estilo de vida, alimentação saudável e exercícios regulares para depois iniciar algum medicamentos (mas preferindo a metformina de liberação rápida)

Anos mais tarde, as diretrizes já indicavam a metformina desde o começo, junto com as mudanças do estilo de vida, mas ainda “esperando” os níveis de açúcar no sangue subirem e, só então, adicionar mais remédios.

Mas o Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE) do Reino Unido acaba de “virar a mesa” e publicar a maior reformulação nos cuidados com o diabetes em uma década.

O Reino Unido está abandonando o antigo modelo focado apenas no controle da glicose para adotar um modelo de proteção cardiorrenal. O objetivo agora não é apenas gerenciar o açúcar, mas sim proteger ativamente os órgãos vitais dos pacientes.

Os medicamentos chamados inibidores de SGLT-2, apelidados de “gliflozinas”, ajudam os rins a eliminar o excesso de açúcar do corpo, mas as pesquisas mostram que eles vão muito além disso, protegendo o coração e os rins contra danos. Isso é vital, visto que as doenças cardíacas são a principal causa de morte em pessoas com diabetes tipo 2.

As 3 grandes novidades que estão mudando o jogo no diabetes tipo 2

A nova diretriz abandona a ideia de que “um único tamanho serve para todos” e personaliza o cuidado com três mudanças radicais:

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  • Terapia dupla desde o primeiro dia: Para a maioria das pessoas com diabetes tipo 2, inclusive aquelas sem outras doenças associadas, a recomendação agora é iniciar o tratamento combinando a metformina com um inibidor de SGLT-2 logo de cara. Para facilitar a adaptação, o sistema de saúde também passa a recomendar a metformina de liberação lenta (no Brasil conhecido como metformina XR, por exemplo) que é mais suave para o estômago e intestino e evita os efeitos colaterais que faziam muitos abandonarem o tratamento.
  • Terapia tripla para doenças cardíacas: Se o paciente já possui doença cardiovascular como um histórico de infarto ou derrame, a abordagem não será mais lenta. O novo padrão é uma resposta imediata com três medicamentos: metformina, um inibidor de SGLT-2 e a semaglutida.
  • Estratégia de “ataque” para os mais jovens: Pessoas diagnosticadas antes dos 40 anos enfrentam um risco muito maior de desenvolver complicações ao longo da vida. Para este grupo, o novo padrão também é combinar metformina com um inibidor de SGLT-2, mas com a recomendação de considerar a adição de tratamentos inovadores, como a semaglutida ou a tirzepatida.

Por que as novas diretrizes podem salvar milhares de vidas

A resposta é simples: elas vão corrigir desigualdades históricas. O NICE estima que o uso mais precoce desses medicamentos poderá prevenir cerca de 17 mil mortes em um período de três anos em todo o Reino Unido, reduzindo drasticamente os riscos de ataques cardíacos, derrames e problemas renais.

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Além disso, as novas regras enfrentam de frente a desigualdade na saúde. Uma análise de quase 590.000 prontuários médicos revelou que medicamentos salvadores de vidas estavam sendo menos prescritos para mulheres, idosos e pessoas negras. As novas diretrizes exigem que o sistema monitore quem está recebendo os tratamentos para garantir que todos tenham acesso justo às melhores terapias disponíveis.

Este é um marco histórico para os milhões que vivem com o diabetes tipo 2 na Inglaterra. Eles estão alinhando finalmente as diretrizes com as evidências: esses tratamentos previnem ataques cardíacos, derrames e insuficiência renal.

Saúde de ponta e economia inteligente no tratamento do diabetes tipo 2

A revolução não é apenas médica, mas também econômica.

Como um dos inibidores de SGLT-2 mais comuns (a dapagliflozina) agora está disponível em sua versão genérica, o sistema de saúde público britânico (NHS) vai economizar cerca de 560 milhões de libras nos próximos anos.

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Este dinheiro não será perdido; ele poderá ser reinvestido em outras áreas cruciais do cuidado com o diabetes, como programas de educação, apoio comunitário ou para custear medicamentos mais caros.

Embora as diretrizes deixem claro que a adoção de um estilo de vida saudável, com boa alimentação e exercícios, continue sendo a base de tudo, o avanço médico é inegável. O Reino Unido mostrou ao mundo que o tratamento moderno do diabetes tipo 2 exige olhar para o corpo todo, protegendo o futuro de milhões de pacientes.

E o Brasil diante do novo modelo de tratamento do diabetes tipo 2?

E é claro que surge seguinte pergunta: e o Brasil? Onde está a política de Estado com “E” maiúsculo para prevenção do diabetes tipo 2 e suas complicações crônicas. Lembrando que política de ESTADO não significa política do governo A ou B, nem propaganda política.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, a IDF, o Brasil direcionou a verba de 45 bilhões de dólares para enfrentamento do diabetes no ano de 2024. E mesmo assim continuamos com baixas taxas de pacientes nas metas de controle glicêmico e continuamos vendo o incremento nas estatísticas de complicações cardíacas e renais nos nossos pacientes com diabetes tipo 2.

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Não seria o momento certo de adaptarmos medidas como esta à nossa realidade, salvarmos vidas e ainda economizarmos dinheiro?

 



Fonte.:Saúde Abril

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