A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, afirmou nesta segunda-feira (12) que pelo menos 648 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de manifestações contra o regime teocrático do país.
“A comunidade internacional tem o dever de proteger os manifestantes civis frente às matanças cometidas pela República Islâmica”, declarou o diretor da entidade, Mahmood Amiry Moghaddam, ao informar o novo balanço de mortos levantado pela ONG.
A organização afirmou ainda que, “segundo algumas estimativas, mais de 6.000 poderiam ter morrido”, mas que o apagão quase total da internet imposto pelas autoridades iranianas durante quatro dias torna “extremamente difícil verificar estes informes de forma independente”.
O número é maior do que o divulgado por outra ONG de direitos humanos, a Hrana, sediada nos Estados Unidos. No domingo, a entidade afirmou que as mortes já estão em 538. Desses, há 490 manifestantes e 48 membros de forças de segurança.
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O número de presos, ainda de acordo com a entidade, já supera 10 mil. Assim como a cifra da Iran Human Rights, não é possível confirmar de forma independente esses números, e o regime até agora não divulgou balanço oficial de vítimas.
Ondas de manifestações normalmente levam a repressão violenta no Irã. A última, em 2022, conhecida como “Mulher, Vida, Liberdade” começou quando a jovem Mahsa Amini morrer sob custódia do regime após ser detida na capital iraniana por supostamente deixar parte do cabelo à mostra sob o véu islâmico.
Os atos não resultaram em uma organização ou liderança consolidada. Mesmo assim, a repressão resultou em 551 mortes, de acordo com a ONG Human Rights Watch, 19.262 prisões, segundo a organização Hrana, e diversas execuções.
Se as cifras das entidades estão corretas, a repressão aos atos dos últimos dias já é quase ou mais mortal do que a de 2022, que durou meses.
De acordo com Clément Therme, pesquisador associado do Instituto Internacional de Estudos Iranianos, a atual onda de manifestações tem algumas características próprias.
“Este movimento é diferente porque sintetiza todos os movimentos anteriores: revoltas econômicas, revoltas pela igualdade de gênero, revoltas estudantis e revoltas das classes médias, que agora estão sendo desclassificadas”, afirma à agência de notícias AFP.
A desestabilização do regime, porém, ainda depende de fatores internos —ou seja, deserções dentro do Exército e fissuras no círculo mais próximo do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. “É o abandono do aparato de segurança e a confraternização com os manifestantes” que poderia levar à queda da teocracia, segundo Therme.
“Até que ponto as forças de segurança continuarão a obedecer ordens e a disparar munição real contra as multidões?”, questiona. “No momento, não há nenhuma mudança sistêmica dentro das forças de segurança nem confraternização com os manifestantes.”
Fonte.:Folha de S.Paulo


